segunda-feira, 25 de junho de 2018

Sobre Resultados

Ontem em uma saudável discussão com amantes da poesia uma questão me ficou na cabeça. Como olhamos para os resultados em nossa vida como definidores de nossas escolhas, de quem somos, do que faremos, para onde vamos. Confesso que meu horizonte não era diferente de ninguém e cá caminhava eu esperando acontecimentos para enfim ser feliz. Mas a verdade é que isso não faz o menor sentido. Veja a vida, por exemplo, ela tem um resultado inevitável, a morte. Por causa deste resultado alguém aqui desiste de viver? Ou na verdade a ideia da morte te faz viver mais intensamente, e ser feliz, e amar o máximo que pode? Então pense no que você mais ama fazer, pense na pessoa que você mais ama, e pense se em ambos os casos o resultado desses amores fossem, sem sombra de dúvida, te trazer solidão, você os largaria agora? Quando acreditamos em algo, quando sentimos algo, pouco importa os resultados. O que importa é viver com a maior entrega e sinceridade possível. Esqueça esses pontos de chegada e veja como sua vida pode ser mais simples e plena agora. Peço a gentileza aos que quiserem, de compartilhar aqui suas paixões, o que te move nessa vida, são sempre sentimentos inspiradores. Inspire-se!

Uma ótima segunda-feira.


O meio do caminho” (25/06/2018)

Ser sincero é confissão
O crime da alma é sentir
O medo não é a culpa
Mas sim a solidão

Minha palavra engasga
Custo para acreditar
A pele ficou dura
O coração inexpressivo

Pensei que me faltava opção
Seguia pelo costume
A gente se conhece muito pouco
Mas há o que não se pode ignorar

Movimentar o corpo
É como mover montanhas
Só se faz com paixão
O que te move?

Enxerguei apenas resultados no horizonte
Buscava conclusões e não caminhos
Distribui minha felicidade em amanhãs
Por isso abracei a decepção

Hoje voltarei a lutar
Pelo que acredito e levo na alma
E se o fim for apenas solidão
Terei uma história para me orgulhar


Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 11 de junho de 2018

“Cheiro de chuva no asfalto” (27/04/2018)

Eu conheci quem gostava de cheiro de grama cortada, me falaram que o cheiro de natal era igual lustra-móveis. Sempre admirei essas memórias, pois eu mesmo também abro um sorriso bobo nas simplicidades da vida. Só que na minha sina me apaixonei por cheiro de chuva no asfalto, o que, no consenso, não existe. Na terra, na planta, na pele, mas jamais no asfalto. O concreto não se mistura, não é natural, não adquiri odor. Mesmo assim minhas memórias mais antigas, meus sentimentos mais puros chegam nesta garoa fina que cai neste chão impermeável. Algumas vezes no meio, outras com o queixo encostado no parapeito, foi aqui que senti a essência da minha vida. Chegar onde não se chega. Dar sentido ao invisível. Fazer de todo impossível a chance de ser feliz. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho