"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

terça-feira, 9 de outubro de 2018

“Será?” (05/10/2018)

Talvez seja isso
Uma cordialidade de fachada
Uma imagem pro vizinho
Uma risada para o chefe
Um carnaval de máscaras

Construímos aparências
Sem construir caráter

Talvez seja isso
Nos movemos pelo ódio
Gostamos de dar rasteira
Do gosto do sangue do inimigo
A sociedade do desprezo ao próximo

O que pensamos ser bolha digital
É provável que seja retrato fiel

Somos essa força primitiva
Agindo para sobreviver
Temos o privilégio do pensamento
Mas não sabemos combater o instinto
Só justificamos o animal em nós

Então que seja isso
Na cabine encontre teu reflexo
Encontre tua raiva e teu medo
Liberte tua vergonha e silêncio
Seja cru e real

Quem sabe diante nossa verdadeira face
O horror nos faça mudar


Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Procrastinação” (17/09/2018)

O inconsciente não deixa esquecer
Guarda uma coleção de metades
Antecipo o limite do tempo
Justificando o que não começo
Escolho o sono não o sonho
Exponho minhas opiniões para paredes
Coletivas do time virtual
Entrevistado em talk-show
Explicações para o chefe
Argumentos para contratação
E em uma sombra da realidade
Convencido que o agora não me cabe
Tento acordar nesse dia improvável
Na espera disfarçada de esperança
Escondo todas minhas verdades
Vítima das circunstâncias
E assassino da vontade

É uma luta desesperadora
Imaginar tantos gostos
Até chegar a sorrir no escuro
Enquanto a vida te escapa
Nos pensamentos do futuro
Teu corpo paralisado
Reorganizando ações a cada instante
Os planos todos traçados
Mas nenhum pé no chão
É triste ver tudo de perto
Incapaz de ir além da imaginação

Eu vim ver o fim
Ao menos uma vez
Não contei o meu destino
Não esperei aprovações
Comecei a caminhar
Descansei mais que precisava
Mas segui em frente
Antes que pudesse questionar
Talvez ainda não seja a cura
Mas realizar-se é um começo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

“Dividido” ( 02/10/2018)

Eu tenho procurado palavras
Algo bem no meio do bom senso
Diferenças são personalidade
Somos comuns no desejo
Mas antes do amor somos contra
Sabemos onde colocar nosso ódio
Só que estamos perdidos com a esperança
Quando não é a paixão que nos move
Quando respondemos violência com opressão
Insegurança com medo
Opinião com censura
Diálogo com ignorância
Respeito com indiferença
O que construiremos sobre o alicerce da raiva?
O que chamaremos de nação?

Desisti dos versos nesse deserto
O meio do caminho
Virou uma completa solidão
Um silêncio ensurdecedor
A única palavra que resta é liberdade
Meu lugar é ao lado dela
E só não me calo
Para não perdê-la também


Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

“Anseio” (13/09/2018)

Seria leviano dizer
Que entendo a avalanche do horizonte
Pois para mim tudo para
A vida se arrasta nos milímetros
Exibindo as brechas nos detalhes

Só que eu leio os olhares
Enxergo as aflições e desesperos
Vejo a necessidade do abraço
Proteger-te dos teus olhos fechados
Que fazem do futuro realidade
Do medo a sua condição

Procure pela minha mão
Por mais que pareça impossível
Por mais que seja incerto
Não acredite nos teus olhos
Não ouça tua razão
Apenas segure firme meu bem
E confie na canção

O horizonte ainda descansa
O amanhã não te alcança
A vida segue mansa
Teu coração a salvo da dor
A tristeza é uma possibilidade
Mas jamais a única verdade
Que carrega um amor

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 11 de setembro de 2018

“O Tempo das Coisas” (02/09/2018)

As coisas não tem idade
Elas vivem da lembrança
Dos laços que criam
Dos momentos que compartilham
Algumas passam de mãe para filha
Outras tantas de irmão para irmão
Elas podem vencer o tempo
Mesmo que mudem nome e utilidade
Sua única ligação é o sentimento
As coisas apenas estão
Algumas, privilegiados monumentos
Outras clipses em documentos
Cartas em uma caixa de sapatos
Guarda-chuvas perdidos no metrô
As vezes parece um trapo velho
Mas carrega todo nosso coração
O que as coisas apenas temem
Talvez como todos nós
É desaparecer na memória
Aos poucos se desfazer no tempo
Perder a consciência de existir
Mas isso não é uma escolha
E mais do que esquecer e lembrar
Precisamos nos preocupar em viver e sentir

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

“Urbana” (31/08/2018)

Um amigo me disse
Que a poesia devia permanecer à margem
Talvez por isso combine com os muros
Nossos limites diários
Nossa ilusão de segurança
Mas a poesia segue nesta margem
Pois ignoramos nossas cercas
Nos cercamos de verdades farpadas
Acreditando estar a salvo da solidão
A poesia na parede fria
Recebe olhares desenganados
Ela encara e não desiste
Não importa o sentido desde que o faça
Ele embarcou para Barra Funda
Muita gente, muito tempo
Muita realidade que vem de dentro
Caem os filtros, caem as máscaras
E na borda da loucura
Quem resiste é o verso
Cru e sem açúcar
Coloca teu pé no chão
Lembra que há vida na próxima estação
Mesmo que seja apenas poesia


Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 1 de setembro de 2018

“Lei Universal” (31/08/2018)

Perdoe-me por todas promessas tolas que já fiz
Acreditei que a vida era questão de troca
Acreditei no sacrifício pela recompensa
Que tua justiça era feita de contra-pesos
Eu cai tantas vezes do precipício
Pensando que poderia voar
Quando o propósito era, na verdade, se entregar
Se pulei, o fiz por mim

Eu realmente acreditei que estava agradecendo
Que as coisas boas da vida não podiam ser de graça
Que não poderia conquistar nada sem abandonar um prazer
Mas não foi pedido nada pela minha reza
E hoje entendi que fiz pela minha paz

O mundo é um equilíbrio de energias
Mas não obedece nenhuma lei de mercado
Tudo que a vida mais quer de nós
É que façamos tudo com a devoção do amor
Que mergulhemos em nossos sonhos sem restrições
Doemos a essa nossa existência o nosso melhor e mais sincero
E as conquistas, a felicidade e plenitude que virão
Serão consequências e nada além disso

Desculpe-me demorar a compreender
Quando uma força intercede por nós, o faz de boa vontade
Esqueça agradecimentos, sacrifícios, dívida
Só é preciso ao interceder no mundo, fazê-lo com a mesma boa vontade

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

“Paladar” (28/08/2018)

Eu me apego a teus detalhes
Seus olhos sorriem
Sua respiração pausada
O mundo é vertigem
Quando estamos tão perto
Você quer sempre mais
A mão se precipita sem encostar
O universo na ponta do seu nariz
Tua pele envolve tuas formas
Como o embrulho de um presente
Então morde teus lábios
Com desejo ou com saudade
A boca enche d'água
Com o fruto fosse novamente proibido
E no último momento de consciência
Vejo teu coração liberto
Daqui em diante é só entrega

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 28 de agosto de 2018

“Despertar” (17/08/2018)

Todo dia quando acordo
O celular inteligentemente me sugere

Adiar

Mas o que posso esperar de um dia
Onde o primeiro compromisso que assumo
É deixar para depois

Na cama cabe qualquer tempo e espaço
Só que e a minha vida?
Vai me esperar?

A verdade é uma fuga
Nove minutos para escapar
Assusta não saber do quê

O que vale evitar?
Podemos realmente não sentir?

Os olhos não vão longe
A consciência me supera

É dia

Minha única chance é o coração
Para resgatar o que esqueci
Para que a luta não seja em vão

O depois é a esperança
De nunca chegar


A hora

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Compasso” (02/08/2018)

O alarme toca quando for hora
O computador entre em espera
O carro avisa da gasolina

Alguém vai marcar um encontro
Alguém vai me chamar um dia
Alguém vai reconhecer a verdade

Amanhã eu começo de novo
Amanhã o tempo vai estar melhor
Amanhã há de dar certo

Eu acredito que ele já sabia
Eu acredito que ela vai vir
Eu acredito no que disseram

Até onde eu sei ele é bom
Até onde sei ele tentou
Até onde sei ainda é possível

Afinal, a vida é esperança ou espera?


Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Martírio




Martírio” (30/07/2018)

Pegou a faca
Provavelmente a última
Esquentou o pão
Provavelmente amanhecido
Tomou o chá
Provavelmente sem açúcar
Vestiu o paletó
Provavelmente com o bolso furado
Saiu de casa
Provavelmente sem guarda-chuva
Chegou no trabalho
Provavelmente atrasado
Cumpriu o expediente
Provavelmente sem vontade
Parou no bar
Provavelmente sozinho
Voltou caminhando
Provavelmente no frio
Tomou banho
Provavelmente chorando
Assistiu TV
Provavelmente sem sorrir
Deitou-se
Provavelmente sem sono
Pensou no seu dia
Provavelmente....irá repeti-lo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 21 de julho de 2018

Insólito

Tem coisa que não tem jeito. Não sai da garganta, da cabeça, da alma. É preciso tempestade, algo radical para aliviar o peso. Tem muitos dias que lutamos com a maré, mas em alguns é preciso se deixar levar. Abrir mão, se despir, se livrar. Descarregue.

Insólito” (21/07/2018)

Tá precisando chover
Tá precisando lavar a alma
Arrastar sentimento atolado
Desobstruir a garganta
Encharcar as ideias

Quero vendaval para carregar tristeza
Raios para destruir amarras
Granizo para ferir mentiras
Escuridão para esquecer verdades

A terra tá seca de sonhos
O ar pesado de mesquinharias
Os olhos ardem do cansaço
As folhas despedaçam junto da alegria
O suspiro virou tosse amarga

Tá precisando chover
E nem precisa ser poesia
Pode ser abraço no fim de tarde
Carta de amor perdido
Rosquinhas fritas da vovó
Qualquer coisa que dê vida

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Relato de uma dor

Tem momentos do passado que sempre voltam para nossa consciência. Tirando de lado a ideia de arrependimentos ou nostalgias, vejo que são lições que voltam para nós. Aqui, entre muitos aprendizados que tive, acredito ter um que vale para todas áreas da nossa vida e para muitos momentos turbulentos que estamos vivendo. Os dois lados da moeda. Fui magoado muitas vezes, mas só quando magoei compreendi a situação. Acredito que muitas vezes olhamos apenas a nossa perspectiva, as nossas crenças, as nossas verdades, os nossos sentimentos. Mas e o outro? Nossa como é difícil pensar no outro quando este nos prejudica tanto, nos faz doer, ou discordam e refutam nossos princípios. Mas é um exercício que com o tempo nos faz pessoas melhores. Como diz a poesia, algumas vezes uma mágoa, um adeus, se fazem necessários para chegar até a paz, até a compreensão. As lições da vida são as difíceis.

Relato de uma dor” (08/06/2018)

Eu não venho aqui
Lhe tirar nenhuma mágoa
Não é meu direito
Nem venho porque te devo
Falo no mesmo egoísmo
De quando te deixei
Falo pois faltei com a sinceridade
A mesma que defendo em praça pública
Venho pensando apenas em mim
Na paz da minha alma
Na absolvição do meu coração

Outrem era quem reclamava do amor
Tanto que quase ignorei
Quando estava a mercê em minha porta
Mergulhei de cabeça
Cada meu bem, veio do coração
Fui inteiro, fui entregue
E como em todo erro
Fui longe demais
O amor de um não sustenta dois
E terminei o que não podia começar
Arrastei tudo para minha solidão
Fui causa e não consequência
E traí toda minha consciência
Quando fui incapaz da verdade

Se tiver perdão foi em vão
Se tiver silêncio não sobrou nada
Se tiver resposta mereço a dor
Magoar é simplesmente terrível
E pode ser o único caminho para paz

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 7 de julho de 2018

Enredo

Queremos uma resposta pronta, um final feliz. Cada dia mais percebo que o fim é a parte que menos importa em qualquer história. Resultados serão sempre apenas resultados, pontuais, efêmeros, parte de um todo. Precisamos prestar atenção nas batalhas, que nada vem fácil e que uma boa história é escrita com muita persistência no caminho.

Enredo” (22/05/2018)

Os altos e baixos são rápidos
Qual seria fingimento?
Um plano não um sonho
Só mais regras a seguir

Posturas condicionadas
Ideias programadas
São passos sem porquê
Tento e eis o erro

Assumir a esperança
É exaurir o corpo
Desgastar as possibilidades
Arriscar sobrar só realidade

Aceitar a derrota
É viver sempre hoje
Amargar toda alma
Entregar-se ao acaso

Para um falta força
Para outro falta coragem
Personagem sem propósito
Acaba sem solução

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 6 de julho de 2018

“Anáforas”

Nos detalhes as palavras mudam todo seu sentido. Eu fico aqui nesse espelho procurando os nuances que vai mudar todo meu destino. A vida chega e escapa em um suspiro, eis o tempo que temos para descobrir nosso caminho. 


Anáforas” (18/05/2018)

Quando importar o que faço
Não me importará o tempo
Mas se me importo com o peso
Como hei de achar o que importa?

Não faz mais diferença a tristeza
Não é diferente de uma prisão
Pareço indiferente ao sonho
Sem saber o que difere a ação da esperança

Falo na procura de uma luz
Quando me calo também não acho
Digo mas nunca convenço
Escrevo para não ter que dizer adeus

Tudo que me resta é esse horizonte
Amargo tratar como resto a liberdade
Resta então o consolo do pensamento
Se isso é sobra, o que me é inteiro?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Sobre o Cansaço

Quantas vezes respiramos mais fundo e pareceu que seria mais fácil, em um suspiro, simplesmente esquecer? E quantas vezes realmente deixou de apenas parecer? O cansaço eventualmente toma conta, mas desistir não é alívio.   


Sonho de vagabundo” (14/05/2018)

Poderia ser mais fácil
E nem digo ser feliz
Passar o dia a esmo
Vontade e nenhum dever

Férias eternas
E nem digo viajar
Um canto de sofá
Uma maratona na tv

Um colo, um amor
Sem esforço, sem migalhas
Somente uma paz
E um silêncio ao pôr do sol

Não ter o que fazer
Sem lugar para me arrastar
Sem esperança de mudar
Ser pleno uma vez

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Sobre o fim da linha

Peça ajuda, peça companhia, peça força, peça um abraço. Faça o que for preciso, admita humildemente sua dor. Mas jamais em nenhum momento acredite que acabou, há sempre para onde, há sempre um porquê.

Clemência” (08/05/2018)

Eu preciso de um alento, um colo, um choro
Qualquer coisa que me leve o embargo do sonho
Que me tire da ideia o presente
Que me dê uma chance na felicidade idealizada
Não peço perfeição, peço urgência
Pois temo que seja tardia a atitude
Temo que não seja sadia a solução
Ajuda-me com uma migalha de certeza
Um raio se sol ou uma gota de chuva
Quebre meu próprio feitiço
Dessa crença que não há saída

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 3 de julho de 2018

LIBERTE-SE!

Há duas coisas que precisamos prestar atenção na vida. A primeira é reconhecer ao nosso redor as pessoas que temos, que nos dão suporte, força, um abraço que seja. Não digo apenas ter consciência que estão aqui, mas verbalizar isso para eles. Algumas vezes é tudo que um grande amigo precisa e sabemos que vamos precisar um dia também ser lembrados dos nossos valores, daquilo que temos de bom. A segunda coisa é fundamental. É reconhecer ao nosso redor as pessoas que não agregam nada a nossa vida, que atrapalham nosso crescimento, nossa felicidade, nossa paz. Infelizmente sou obrigado a constatar que damos ouvidos, que pesamos opiniões, que deixamos levarem a intriga para nossas almas. Muitas vezes o mal que elas causam passa despercebido. Diluímos no cotidiano, deixamos para lá, achamos que é pouco, é pequeno, mas aquele pedacinho fica martelando na sua mente, impregnado no seu coração. A solução parece simples, mas nem sempre as circunstâncias permitem. Por isso temos que encontrar em nós a melhor maneira de viver e conviver com essas presenças em nossa vida. Mas a primeira atitude é identificar. Saber de onde vem o golpe já ajuda muito. É o primeiro passo para se libertar e voltar a crescer. Repare e inspire-se!

Avaliações”

Cansei, tudo tem limite
Sei quem eu sou
E não preciso de dúvidas

Faça seu jogo
Diminua seus pares
Eu cresço na tua maldade

Você não entende respeito
Você me toma por tolo
Tua ignorância me espanta
No menosprezo que te cerca

Farei o máximo para que se cale
Mas se te coçar a língua
Que seja um grito no vácuo
Na indiferença que merece


Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Sobre o Dever

Acho que todos nós em algum momento da vida olhamos em volta e percebemos que a maior parte das nossas atitudes, a maior parte do nosso tempo, nossos pensamentos e ações, estão todas dedicadas para as coisas que precisamos fazer. Quando tudo vira obrigação a tendência é que aos poucos vamos perdendo o gosto, esmaecendo na paisagem, diluídos na rotina. Mas a vida também é a arte de se reinventar sempre. Ela não precisa muito, são atitudes simples. Variar o caminho até o trabalho, abrir todas as janelas de manhã, ver o que pode encaixar no seu dia a dia para se sentir em paz, se sentir melhor. Olhar para o que faz e ver que está dentro de um todo, enxergar que o agora é pedaço de uma felicidade em construção. Sempre teremos que encarar deveres, mas é completamente diferente quando o fazemos com propósito. Inspire-se! 

"Burocracias" (07/05/2018) 

Hoje o tempo me alcançou
Tomou as pernas
Pesou nas costas
E acabou no coração

Esse suspiro que não me deixa
Essa hora que não dá trégua
Esse tanto que fica para amanhã
Traduzem o gosto do fracasso

Vontade de fechar os olhos
Mas descansar o corpo
Nem sempre cura a alma
Ela precisa se libertar

Da mesma forma que acaba
O tempo é infinito
Me mata nessa espera
Me exausta nessa luta

Não posso ser apenas esperança
Tenho que ser algo que faça
E mesmo que o tempo me engula
Vai sobrar alguma felicidade

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Sobre âncoras

Eu ainda tenho a perfeita consciência do sentimento que levou ao poema a seguir. Poderia dizer que traz medo. Poderia vislumbrar um perigo. Ninguém quer sentir dor, angústia, raiva. Só que olhando bem a minha consciência dessas palavras transformam o meu agora em algo transparente, palpável, possível. Quando temos o exato conhecimento das nossas barreiras, sabemos para onde seguir. Pense na palavra "amarra". Amarrar é prender, neste caso prender a si próprio em pessoas, condições, sonhos, resultados, fins, e inúmeras outras expectativas. É depender de coisas fora de seu controle, e muitas vezes se deixar levar. Avalie bem a sua vida e veja ao que está amarrando a sua felicidade, pois pode ser exatamente o que te impede de ser. Consciente das amarras, o próximo passo é ser livre. Inspire-se!

"Amarras" (04/05/2018) 


Eu errei, mas isso não me define
Eu sei tudo que já passei
Do passado ninguém me tira nada
Eu trouxe comigo o melhor que pude
Que seja para você aquém
Que jogue tudo pro alto
Que me julgue pela parte
Eu não deixo de ser inteiro
Mudei? Me deixei levar?
Acreditei nas suas verdades
Acreditei tempo de mais no meu fracasso
Limitado, impotente, incapaz
Lamento ter perdido a voz
O ímpeto e até a confiança
Lamento pois foi por você
Eu me diminui
Eu deixei de ser
Não adianta tapa na cara
Não adianta desdém ou desgosto
A minha realidade está no espelho
Só que agora eu digo, nunca mais
Por ninguém jamais


Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Sobre a Amizade

A gente subestima o poder de um abraço. Damos por garantido certos laços. Hoje em dia a virtualidade nos aproximou da solidão. São tantas conversas e nenhum olhar. São tantas risadas em total silêncio, são tantas fotos e tanta distância. Queria dizer bom dia para todos bons amigos, todos os dias. Mas na verdade gostaria de abraçá-los todos os dias. O toque é cheio de energia, e um abraço pode envolver nossa alma em conforto, em alegria, em segurança, em amor. São tantos os pesos que carregamos nos braços e tanto alívio no abraço que confiamos que as lágrimas nem se aguentam. É um descarrego, é uma comunhão. Um dia espero que minha palavra se faça sentir abraço. Inspire-se!

Abrace” (28/06/2018)

Abra os braços
Um sorriso pode acompanhar
Não tenha pressa de chegar
Envolva muito mais que o corpo
Sinta tudo que está em volta
Se encontre naquele cangote
Que te lembra anos atrás
Que tem cheiro de lar
Aperte, agarre
Na mistura de segurança e carinho
Sinta revelar os segredos
Perceba no silêncio a confissão
E também se entregue
Ao choro da saudade
A alegria do encontro
Ao amor que acaba de voltar
E quando mergulhado nos sentimentos
A consciência lhe vier à tona
Lembre de fazer tudo isso
Incondicionalmente

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Sobre Torcer

Hoje ocorre um fenômeno muito raro, infelizmente. A união de uma nação. As diferenças são colocadas de lado por uma paixão em comum, por um desejo, por um país. Veja que não é que todos passaram a se amar, se entender, ou concordar um com o outro. Simplesmente encontraram um objetivo maior que sua individualidade para se unir e lutar, e sofrer, juntos. Todos nós acreditamos em algo, todos nós temos uma ideia do que seria um país ideal para se viver, todos nós queríamos nossos problemas atendidos. Pois bem, que tal hoje servir de inspiração para todo resto. Que tal ao invés de gritar, de fechar os olhos ou tampar os ouvidos a gente converse com nossos pares, com nossos vizinhos, com os desconhecidos também. Eu sei, eu tenho absoluta certeza, que existem coisas em comum em todos nossos desejos para esta sociedade. Eu também sei que somente juntos nós podemos parar este país da mesma forma que vamos fazer hoje. Por mais improvável que lhe pareça, acredite em mim quando digo que a pessoa ao seu lado também quer o bem de todos e que existem muitas lutas que superam as nossas individualidades e pedem a nossa união. Estamos mergulhando de corpo e alma hoje, que façamos isso todos os dias. Inspire-se!



Dias de torcer, dias de jogar” (27/06/2018)

Eu ouço as primeiras cornetas do dia
Eu sei que da TV HD até o rádio de pilha
Todos estarão na mesma torcida

Não haverá credo, raça, classe
Como um dia desejou uma canção
Seria demais que eu desejasse
Todo dia este mesmo coração?

Juntos podemos até parar o mundo
O que faz soar como absurdo
Deixar nosso país quase moribundo

Olhe ao seu redor e olhe além
Sinta a força dessa voz
Nossa luta não pode ser aquém
A resposta está em todos nós

Se todo dia fosse jogo de seleção
Se dependesse de ti essa nação
Agiria unido pela mesma paixão?

Comemore, grite, liberte-se
Ao lado tu tens um ombro amigo
Amanhã lute, reivindique, inspire-se
Há uma sociedade que conta contigo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 26 de junho de 2018

Sobre paz

A vida é curiosa. No mesmo dia que senti minha alma embrulhar-se novamente em angústia. Quando me questionei tantas vezes do porquê desse sentimento. Assisti um trecho da entrevista com Paul MacCartney feita por James Corden, e ele conta a história da música "Let it Be", que poderíamos traduzir como "deixe estar". Ele fala que sonhou a mãe, ele cheio de problemas e grandes fardos da fama e as dúvidas da carreira, e a mãe simplesmente falava para deixar as coisas serem, e ele sentiu como se tirasse o peso do mundo das costas, e entendeu como era simples e lembra de pensar "as coisas vão ser ótimas" . Essa foi a conexão que vida me trouxe quando eu buscava por paz dentro de mim. Quantas coisas nos agarramos? Quantos sentimentos? Quantas pessoas? Quantos momentos? Quantos sonhos? Talvez seja o momento de abrir mão, de deixar vida ser, florescer, crescer. Deixar seguir não é desistir, é compreender que há tantas coisas maiores do que nós, e deixar a vida acontecer talvez seja o que falta pra nos abrirem os caminhos. Convido vocês a desabafarem aqui, faz um bem enorme se encontrar em paz. Desabafe, e Inspire-se!

Reconhecer” (26/06/2018)

Não me acostumei com as sombras
O erro, a falha, o fracasso
Continuam a embrulhar o estômago

Não desvencilhei das amarras
Assumi toda culpa como verdade
Deixei meu inconsciente acreditar

Agora eu peço por paz
Para achar o que escondi da alma
Para vencer as incertezas do coração
Para respirar como se fosse natural

Não perdi o controle
Ele nunca existiu
Foi ilusão, foi desculpa

Não foi arrogância
Foi falta de consciência
O espelho é um lugar para se entender

Ao menos antes do tarde demais
Eu aprendi a abrir mão
A liberdade ainda está longe
Já a paz sempre esteve aqui


Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Sobre Resultados

Ontem em uma saudável discussão com amantes da poesia uma questão me ficou na cabeça. Como olhamos para os resultados em nossa vida como definidores de nossas escolhas, de quem somos, do que faremos, para onde vamos. Confesso que meu horizonte não era diferente de ninguém e cá caminhava eu esperando acontecimentos para enfim ser feliz. Mas a verdade é que isso não faz o menor sentido. Veja a vida, por exemplo, ela tem um resultado inevitável, a morte. Por causa deste resultado alguém aqui desiste de viver? Ou na verdade a ideia da morte te faz viver mais intensamente, e ser feliz, e amar o máximo que pode? Então pense no que você mais ama fazer, pense na pessoa que você mais ama, e pense se em ambos os casos o resultado desses amores fossem, sem sombra de dúvida, te trazer solidão, você os largaria agora? Quando acreditamos em algo, quando sentimos algo, pouco importa os resultados. O que importa é viver com a maior entrega e sinceridade possível. Esqueça esses pontos de chegada e veja como sua vida pode ser mais simples e plena agora. Peço a gentileza aos que quiserem, de compartilhar aqui suas paixões, o que te move nessa vida, são sempre sentimentos inspiradores. Inspire-se!

Uma ótima segunda-feira.


O meio do caminho” (25/06/2018)

Ser sincero é confissão
O crime da alma é sentir
O medo não é a culpa
Mas sim a solidão

Minha palavra engasga
Custo para acreditar
A pele ficou dura
O coração inexpressivo

Pensei que me faltava opção
Seguia pelo costume
A gente se conhece muito pouco
Mas há o que não se pode ignorar

Movimentar o corpo
É como mover montanhas
Só se faz com paixão
O que te move?

Enxerguei apenas resultados no horizonte
Buscava conclusões e não caminhos
Distribui minha felicidade em amanhãs
Por isso abracei a decepção

Hoje voltarei a lutar
Pelo que acredito e levo na alma
E se o fim for apenas solidão
Terei uma história para me orgulhar


Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 11 de junho de 2018

“Cheiro de chuva no asfalto” (27/04/2018)

Eu conheci quem gostava de cheiro de grama cortada, me falaram que o cheiro de natal era igual lustra-móveis. Sempre admirei essas memórias, pois eu mesmo também abro um sorriso bobo nas simplicidades da vida. Só que na minha sina me apaixonei por cheiro de chuva no asfalto, o que, no consenso, não existe. Na terra, na planta, na pele, mas jamais no asfalto. O concreto não se mistura, não é natural, não adquiri odor. Mesmo assim minhas memórias mais antigas, meus sentimentos mais puros chegam nesta garoa fina que cai neste chão impermeável. Algumas vezes no meio, outras com o queixo encostado no parapeito, foi aqui que senti a essência da minha vida. Chegar onde não se chega. Dar sentido ao invisível. Fazer de todo impossível a chance de ser feliz. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 20 de maio de 2018

“Ponto de Partida” (20/04/2018)


Não existe nada mais estranho do que abandonar um peso. Aprendemos a nutri-lo, aprendemos a contar com ele, colocá-lo na balança em toda decisão como parte indivisível e insuperável. Deixá-lo é quase não se reconhecer, fomos mais tempo com do que podemos imaginar sem. Somos pessoas apegadas talvez até mais as nossas dores. A felicidade nos escapa, mas dormimos abraçados aos nossos medos. Quem sabe esse seja o pedaço que tanto me falta, não meu sonho ou desejo, mas sim essa parte que nunca deveria ter sido minha. Habituei-me, confesso. Há um conforto na melancolia, como vítimas não precisamos tratar as causas, temos sempre justificativa. Agora me sinto de volta a vida selvagem, tenho que agir para sentir, perdido nesse vazio onde tenho a chance de construir algo completamente meu. Deixar um peso para trás é aquele momento esquisito quando tiramos o gesso de uma perna. Parece uma coisa nova, muito formigamento, leveza, buscamos na memória, mas logo percebemos que para seguir em frente vai ser preciso um novo equilíbrio. 


Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 12 de maio de 2018

“Alma” (17/04/2018)

Eu preciso te falar sobre o meu querer
Desisti de tentar e comecei a fazer
Ainda não entendo o que deixo para trás
E não me importa se não puder levar você

Te quero até as últimas consequências
Me leve até as verdades e inocências
Me encontre de novo, me reconheça
Ou como último pedido me esqueça

Eu me nego ao que devo
Eu me entrego ao sorriso
Cansei de tudo que preciso
Eu só quero ser feliz

O inconsciente me trai
Abre todo meu peito
Revela o medo que corrói
Liberta a chance de ser melhor

A vida não tem muito segredo
É mostrar o que somos
Agir pelo nosso sonho
E saber o que guarda nesse espelho

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 5 de maio de 2018

“Convexo” (13/03/2018)

Este espelho dá medo
Enxergar demais
Encarar as boas verdades
Lutar contra o inconsciente
Descobrir-se insuficiente

Conhecer-se é algo sério
Um compromisso para vida
Palavras que não te deixarão
Vão me manter acordado
Ou vão trazer minha paz?

Não julgue a covardia
A tristeza é forte
O passado imutável
Nos escombros da alma
O que terá sobrevivido?

Tempo demais nesse espelho
Tenho medo de reconhecer
Detalhar todas as falhas
Despido pela sinceridade
Ainda assim....não querer mudar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 21 de abril de 2018

“Jeitinho” (06/03/2018)

A gente se perde no todo
Nossos valores, princípios
Aceitamos menos
Distorcemos limites
Pesamos a consciência do outro
Mas libertamos a nossa
Com uma tranquilidade assustadora
Somos indivíduos exemplares
Somos comuns no coletivo
Apenas mais um filho de Deus
Que também falha e peca
Diluímos assim nossa responsabilidade
Na multidão a vergonha não tem cara
Bem-vindo à sociedade de aparências
Defensora da honra, moral e justiça
Só não esqueça de pagar na saída
Aproveita que estão pelo mesmo preço

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 14 de abril de 2018

“Desilusão” (02/03/2018)

Cansei de me arrepender
Descobri tarde a ilusão
Não há alternativa perfeita
Nem outra versão mais feliz
Não há certeza do sucesso
Só porque aqui encontrei fracasso
O arrependimento é apenas uma ideia
É jogar para o passado a responsabilidade
É uma fábula da imaginação
Uma alternativa sem garantias
Que tomamos como verdade absoluta
A imaginação é um lugar bom
Sonhos de sucesso
Invariavelmente vencemos
É isso que projetamos do outro lado
A realidade não tem a menor chance
Como não se arrepender disso?

Risquei do dicionário
Não faz sentido esse peso
Incerteza do passado
Se é para imaginar algo melhor
Tem um futuro inteiro para isso

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 7 de abril de 2018

"A calada da noite consente" (07/04/2018)

Quando o povo gritou fora
Moveram-se os céus e montanhas
Quando o povo gritou fora de novo
Ficou no vácuo da ilusão
Dois lados e a mesma decepção

Tuas palavras são apenas fantoches
Convenientes ao poder de poucos
Inúteis a necessidade de muitos
Aqui somos milhões,
mas lá são milhões no bolso

Esse discurso de rancor e menosprezo
Só serve para perfil de rede social
Para ser cidadão precisa de mais zelo
Tomar conta do distrito federal

A língua afiada só serve aos outros
Que separam o que podia ser um só
Temos essa fraqueza em comum
Ceder ao ódio e não a compaixão

Quando o povo voltou a gritar
A decisão já tinha sido tomada
O que era pra ser um país melhor
Passou a ser tarde demais

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 1 de abril de 2018

“Você sabe” (01/02/2018)

Talvez eu tenha que contar o tempo
Talvez já execute o que não quero
Talvez seja medo ou responsabilidade
Talvez tenha deixado passar
Talvez tenha me deixado levar
Talvez sejam amarras ou inseguranças
Talvez seja apego ao passado
Talvez seja incapacidade de crescer
Talvez seja auto-sabotagem
Talvez seja satisfação na ilusão
Talvez falte fé no sonho
Talvez falte em si mesmo
Talvez eu esqueci como cheguei
Talvez eu apenas me perdi
Talvez tenha perdido a vontade

Há sempre uma desculpa
Há sempre uma palavra
Só fica no talvez quem se cala

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 25 de março de 2018

“Queda Livre” (18/01/2018)

No disfarce da chuva
A voz não poupou ninguém
Entregue ao ódio
Mergulhada na inércia
A razão que se perdia
Era a mesma que justificava
A emoção não esconde a alma
A raiva cega aguçava os sentidos
Acabava ali naquele instante
A mente despedaçada em dúvida

A gota que toca a pele
Escorre a lágrima, penetra na alma
A gota que é prisma
Ilumina o caminho, clareia a escolha
A gota no meio da tempestade
Sem tréguas e nada além da verdade
A gota que chega ao chão sabe
Que é a última vez

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 17 de fevereiro de 2018

“Pra Hoje” (16/01/2018)

É gostoso fitar os olhos do passado
O sorriso sincero, o rosto inocente
Quando tudo era simplesmente possível
Quase posso sentir o gosto da novidade
Dá um nó na alma, um arrepio na pele
Como se pudesse ser outra vez

Outros tempos uniram sonhos
Seria difícil não se entregar
Se corações convencessem razões
Se palavras não fossem silêncio
Escolhas são curvas, não bifurcações
O que sou passa pelo que não fiz

Só posso admirar essa escuridão na pupila
Esse reflexo de outra vida
Essas ilusões infantis
O corpo brinca, a voz se cala
O que seria chance, hoje é fantasia
Pois o impossível se tornou felicidade

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 10 de fevereiro de 2018

“Procurado” (15/01/2018)

Vou pegar de assalto uma poesia
Roubar um coração
Levar o verso que deixaram cair
Decifrar o segredo do sorriso
Hackear uma alma
Encurralar o sonho
Sequestrar a esperança
Comandar a horda de sentimentos bandidos

Não vamos deixar dormir
A sanidade será questionável
Serei conhecido até a razão
Criador de ilusões
Ladrão de romances

Na posse de todas as rimas
O amor não vai ter volta
A palavra não terá perdão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

“Rédeas” (02/01/2018)

O primeiro de muitos
É mais um entre tantos
Mas o que é histórico
Não pode ser diluído

A melhor forma de fazê-lo
É transformar o meio em recomeço
É levar para cama teu fim
Acordar despido do passado

O ceticismo me mostra ilusão
A rotina quebra o espírito
A dúvida faz acampamento
O que sobra para coragem?

O possível é questão de fé
A verdade questão de coração
O sonho questão de vontade
A vida questão de ser

Seja o dia que for
Quando decidir dar sentido
Será o teu começo
Será teu para chamar de pra sempre

Existe o primeiro de todos
Existe o primeiro de todo resto

Ass: Danilo Mendonça Martinho