segunda-feira, 19 de junho de 2017

“Deserto” (20/04/2017)

Me fogem as palavras certas
Embaça o rosto no espelho
Sonhos se confundem com bobagens
Imagino enquanto não sei se vivo

Olhei para fora, dentro e para cima
Mas tudo continua em silêncio
A espera desequilibra a esperança
A fé fica sem lugar

Por que é tão difícil saber?
É apenas uma única escolha
O que me falta fazer?
Para que a alma siga em frente

Nunca conheci um lugar tão vazio
Nenhuma gota de vontade
Nenhuma ideia vinga
Vencido por uma imensidão solitária

Eu caminho pelos versos
Para largar um pouco dos pesos
Suspirar sobre algumas verdades
Manter a insanidade de não saber desistir

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 11 de junho de 2017

“Se tudo passa” (24/03/2017)

Por que entre todas as coisas que poderíamos usar de referência nessa vida fomos escolher logo o tempo? Uma coisa que contamos sem saber o fim e com medo que acabe. Algo que te persegue pelos dias e noites, que te empurra ladeira abaixo, controla nossos passos, nossos afazeres, exige presença, dispensa motivos. Mas se você colocar reparo no relógio ele continua numa calma sorrateira. Se acompanhar pelo Sol então as sombras se mexem aos milímetros. Pode demorar até mais de hora para percebemos a mudança. O fato é que ele não se importa com nossa urgência, não entra na nossa pilha, ele apenas passa como parte da paisagem, fiel a sua natureza. 

A pressa está em nós, plantada em nosso âmago desde pequenos. Cada dia mais cercados. Na parede, no pulso, na TV, no celular, na rua. Sempre temos um tempo, nunca estamos em tempo e ficamos a espera de um tempo que possa parar. Somos inventores da maior parte de nossas mazelas. Agarrados a tudo que nos aflige, reféns de nossos medos, conformados com nossa rotina. Mas que grande tolice foi começar a contar o tempo. Do que importa a duração das coisas se pudermos vivê-las com alguma alegria? 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 2 de junho de 2017

“30º” (15/02/2017)

O calor que toca a pele
Apoia minha alma
Na frágil desculpa
Que o tempo se tornou escasso

Por mais que se dividam os dias
A inércia equilibra a balança
Nessa versão do mesmo tema
Culpa disfarçada de impossibilidade

São todas chances do mundo
Mas nenhuma escolha
Nenhuma paixão que leve adiante
Apenas repetindo para não desaparecer

O sol não me derrete
A esperança não esmaece
Tortura-me com a verdade
Sou protagonista da minha solidão

Falta-me pequenas coragens
Abandonar, admitir e acreditar
É a idade do cansaço
Ou cansaço da ideia

A noite ainda guarda o bafo
Um toque final no descompasso
Os planos de um novo amanhã
A certeza velada que não o será

Ass: Danilo Mendonça Martinho