"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Retrospectiva #1



Ao divulgar o recente prêmio do Museu Paulista da USP , lembrei de outras conquistas anteriores a página que gostaria de compartilhar com vocês que sempre estão por aqui acompanhando, curtindo e incentivando. Aproveitando o fim de ano segue uma pequena retrospectiva que depois comentarei individualmente. No centro "Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI". Da esquerda para direita: Coletânea "Concurso Nacional Novos Poetas, 2011" / Coletânea "Emoção Repentina" / Coletânea "#mdrama" (as três tive uma poesia selecionada) / Coletânea "Crônicas de um Amor crônico" / Coletânea "Retratos da Alma" (ambas como autor convidado) / Coletânea "Versos de um Novo Tempo" (poesia selecionada) / Prêmio 1º Concurso de Crônicas do Museu Paulista. Obrigado sempre pelo incentivo. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 10 de dezembro de 2016

“Descarrego” (08/08/2016)

Estou precisando chorar
Minhas frustrações
Minhas mágoas
Minha incompetência
Minha inferioridade
Minha incapacidade
Meu vício
Minha solidão
Minha falta de vontade
Minha inércia
Meus pesos
Minha profunda, mas sincera, tristeza

A paz é uma mentira
O sorriso um desgastante disfarce

Eu só quero chorar
Encharcar a fronha
Vermelhar os olhos
Soluçar
Assoar o nariz
E não parar
Quero chorar até ter um fim

Não me pergunte razões
Não gaste teus consolos

Quero sofrer em silêncio
Mapear o caminho das lágrimas até o chão
Sentir meu rosto escorrido
Tomar espaço da escuridão
Despir minha alma
Envergonhar o sonho
Socar as paredes
Perder a voz
Em um segundo de liberdade....
Desistir do corpo, esquecer meu nome

Eu prometo voltar
Só me deixe chorar

Ass: Danilo Mendonça Martinho



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

15/11/2016

O tempo não tem janelas nem portas para o passado
Parar e olhar para trás para quê?
Nem saiamos debaixo das cobertas
Costuramos mais uma emenda
Como se todo dia já não fosse
Sem folga sairei quase sem rumo
Na cidade de pedra que revela seus vazios
Solidão a gente acha até debaixo do asfalto

O mormaço da cidade não substitui o aconchego do lar
Nem 100% equilibra essa balança
Fica só na esperança de um dia o tempo levar
Só enquanto ser feliz não paga conta

Minha própria rotina me pegou de surpresa
Até meu descanso é programado
Antes de acordar se conta as horas para dormir
Tem contas que a gente sempre sai perdendo
Feriado se conta vantagem e nenhuma história
Amanhã é dia de levantar na realidade
Mas....de que lado ficou a ilusão?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

14/11/2016

"Acordei debaixo de um véu branco
Sobre a proteção da garoa
Ventos de alguma outra direção
Mudo a vela para evitar contradições
Passa pelo horizonte o mesmo filme
Penso no final do que não teve começo
Acredito neste norte, vivo por este destino
Só receio as mortes nas praias
Por isso remo, desistir é a ilusão de tentar...

...O frio é gentil na medida que permite mais abraços
Mas para aqueles que tem de partir é um lembrete
A vida é andar por curvas onde se perde totalmente do sonho
Por isso na minha língua fé se chama passo
Levam tempo, levam força
Tem realidade de sobra
O homem sem camisa pede no farol
Nos falta a mesma gentileza da natureza
Esgotados adiamos mais uma vez
O solidário, a verdade e até mesmo desistir."

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

“Passa(n)do” (22/06/2016)

Hoje o tempo me alcançou
Veio me passando uma rasteira
Querendo jogar tudo pro alto
Fazendo do suspiro ventania
Não sei se é culpa ou silêncio
A alma precisa que tudo pare
As tarefas que não se apagam
A vontade de ser depois
A procura da felicidade
A cobrança de ser melhor
Pensar leva tempo
Sentir o preenche
O que passa, nem sei se é vida
Tudo me parece indiferente
A lista do supermercado
É meu elo com a realidade
Riscado as bananas
O que exatamente me sobra?

Ass: Danilo Mendonça Martinho



segunda-feira, 29 de agosto de 2016

“O silêncio da noite” (01/08/2016)

Ó céus,
Quando voltará a estar sobre minha cabeça?
Quando essa personificação de Atlas terá fim?
Pelos caminhos que me arrasto há saídas?

A esperança que me enviou não me distraí
O sonho que me acordou sempre se desfaz
A vontade.....desapareceu e não volta mais

Ó céus, como me cansa!
Esses dias que só empilham promessas
Os desprazeres dessa cobrança
Essa angústia que não tem pressa

A verdade que me contam é crua
É meu próprio corpo que é inércia pura
A felicidade está perto, mas está muda

Ass: Danilo Mendonça Martinho



sábado, 20 de agosto de 2016

“Dúvida” (26/07/2016)

Hoje estou as avessas com a esperança
O peso do corpo não compensa o da alma
Ignorei o alarme e o vazio da cama
Olhei bem meu sonho, sem saber o que era verdade
De olhos fechados arquitetei bobagens
Trocar o canal dá impressão de controle
A vida poderia se reduzir em um único ato
Mas tem conta em cima da mesa
A culpa debaixo do travesseiro
O tempo que te arrasta pelos deveres
O mundo segue, mesmo sem vontade
Posso fechar a porta mas o coração continua aqui dentro
Contando mil histórias de um amanhã
Nesse eterno talvez que ou me mata ou me abandona

Ass: Danilo Mendonça Martinho


segunda-feira, 25 de julho de 2016

“Perdão” (20/07/2016)

Pelas tuas costas vi meu sonho
Era tarde para o perdão
Não soube te alcançar
E agora sou eu que fico perdido

A humanidade é um conceito
A verdade é a distância
Nossa caridade tem limite
Nosso amor tem fronteiras

Minha reza não mudará tua vida
Minha penitência só resolve minha culpa
Mas tua partida carregou minha alma
E atrás dela poderei mudar um dia

Obrigado e que protejam teu caminho
Que não te falte a força e coragem
Que me falta todos os dias
Ao encarar a miséria e julgar não ser minha

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 14 de julho de 2016

“Trocado” (29/06/2016)

Moeda no bolso não faz ninguém solidário
Não tem valor que compra coração
Geralmente é na falta do tostão que se divide o pão
A distância é gigantesca do que sobra, do que nada tem
É preciso ímpeto, vontade, oportunidade
Mas acima de tudo é preciso despretensão
Pois o que carregamos no bolso não é para troca
Doar a alma é o único jeito de mover outra vida

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 7 de julho de 2016

“Alívio”(28/06/2016)

A gente se esquece até o tamanho de um nada
Enterra o que sobra no sofá
Chama o amanhã de nunca mais
E faz tudo isso com gosto
O prazer transbordado de culpa
Como me cansa a consciência
A certeza de ser senhor do próprio destino
E se for menos da possibilidade?
Se abandonar as ambições
Posso ficar mais com o que me faz feliz?
No fim a vida não é sobre trocas
Muito menos sobre essas escolhas
É no meio do próprio julgamento de valores
Encontrar o que possa chamar de liberdade

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 4 de julho de 2016

“Anti-Spam”(13/06/2016)

Não sou um robô
O que mais o clicar de um botão define?
Sei diferenciar pizzas e montanhas
Isso me faz mais humano?

Há muito mais que não sou
Mas a internet dá voz sem atenção
Cabe-me responder o desnecessário
Na desconstrução eletrônica do ser

O humano sempre foi wireless
O raciocínio é de enganar sentimentos
A palavra é a ilusão de multidões
O sublime é programar o que poderia ser livre

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 30 de junho de 2016

“Encharcado” (06/06/2016)

A chuva começa
Vem o medo da poça
Do guarda-chuva virar
Entre quem corre e quem desiste
A natureza não faz distinção
Cai em cima para depois perguntar
Disfarcei-me de árvore
Imóvel e braços abertos
Aproximei dela como se fossemos um só
Mas minha parceira estava anoréxica
“Ainda é outono meu caro poeta
E não tem mais folhas para segurar”

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 27 de junho de 2016

“Miopia” (05/06/2016)

Caeiro falava sobre o que via
Falava das cousas sem mistério
Desconheceu o intransponível do concreto
As paisagens dos seus olhos
Se escondem do arranha-céu...
Opa! Onde já se viu palavra pregando o impossível
Aliás hoje tem mais significado que palavra
E sem dúvida muito mais ilusão
Não conseguiria falar o que vejo nem se abrisse os olhos
O homem construiu sobre as verdades
Mudou geneticamente as nossas manhãs
E o Sol que nasce hoje sobre seu rebanho
Tem a cor dos filósofos
Cheio de possibilidades e nenhuma definição

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 23 de junho de 2016

“Origens” (02/06/2016)

Ando pensando demais no que não ando fazendo
Ando fazendo menos coisas ainda
Deve estar sobrando poesia em algum lugar
Tantos são os pensamentos que evito
A verdade se esconde num fechar de olhos
A dor por outro lado não conhece saída
Alguma hora deixo tudo para trás para sobrar eu
E independente de qualquer felicidade
Confundir o silêncio com um pouco de paz
Depois que me ausento o mundo escurece
O chão está molhado e a noite fria
Foi num dia desses que não estava onde me deixei
Toda água da chuva volta para o céu
Quem sabe num dia de calor minha alma volte para casa
Cada verso que esqueço, me esqueço num canto da vida
Que da terra ao menos floresça o que faça sentido
Minha raiz sempre foi essa caneta
E mesmo o mais alto fruto, aqui há de voltar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 16 de junho de 2016

“Fra(n)quezas” (15/05/2016)

Um dia uma garota que conheci, e digo garota pois isto era o quão jovem era meu coração nos romances, me disse não, me disse como tantas outras em um silêncio e distância dos quais me escapou de qualquer palavra em um ato covarde de ver uma paixão passar como se fosse uma tempestade lá fora, esperando algum tempo bom. Foi neste silêncio que te conheci, foi na esperança desmedida de ser feliz que te encontrei, não foi a ideia de permanência, mas de me desentrelaçar dos meus conceitos, de liberdade, que abracei o teu beijo e teus braços. Foi a ideia de me permitir, sem procurar as consequências. Confesso que fui ingênuo. Como meu garoto coração ainda o era. Você partiu e com medo que ficasse alimentando nosso momento como algo contínuo, tentei evitar as palavras, tentei me desviar do compromisso, tentei da mesma forma covarde me esconder de um coração que conquistara. Ciente do pecado, ou envolvido na solidão, mergulhei. Pois se alguém que vivia ao meu lado, aos meus abraços, as minhas palavras e sorrisos não me queria.....existia alguém que a milhares de quilômetros, depois de poucos dias, sem saber muito mais do que meu nome e poesia, estava disposta para uma paixão. Mergulhei, e mergulharia de novo. O meu erro foi manter meu plano só para mim. Eu estava ali tentando viver aquela paixão, tentando ser feliz em vez de apenas me lamentar. Existia alguém que me queria e por que não tentar viver o romance? Eu vim a descobrir, que o amor de um lado só não sustenta duas pessoas. Eu juro que quis que fosse minha saída da melancolia, que fosse o caminho para felicidade, para o amor idealizado. Mas não era, simples como foi te encontrar, também te perdia, e me cabia a árdua missão de trazer a tona e a consciência o final daquela história que mergulhei de cabeça, e te levei junto, mas só eu sabia que poderíamos atingir as pedras e não o mar. Terminei de uma maneira que contornasse essa verdade e a falta desta sinceridade veio a me perseguir meses depois quando apareceu na porta de casa, ainda tentando, ainda ligada aquela ilusão que inadvertidamente criei. Fui cruel, fui pequeno, fui vil, como todo dia alguém já foi, mas jamais vão querer admitir. Fui um qualquer, fui um clichê, fui uma emoção arrependida transformada em uma raiva cega e no desespero de encontrar um ponto final. Não espero te encontrar. Não estou pedindo desculpas. Pois hoje meu homem coração está amadurecido, mas foi porque um dia o garoto cometeu os seus erros. Erraria contigo de novo, pois foi bom, embora tudo que tenha feito de ruim, embora toda mágoa, eu aprendi, eu cresci e vivi aquela paixão. Não quero te tirar a tristeza, nem te causar nenhum perdão. Quero na verdade até que me odeie, que me seja indiferente, que trate ao desgosto. Mas que faça pelos motivos certos. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 14 de junho de 2016

“Entre nós” (03/05/2016)

A paz, sem dúvida, está com quem partiu. Consciente da tarefa cumprida, da felicidade deixada, do aprendizado da alma. Ficamos satisfeitos de saber, o coração fica mais tranquilo, mas o âmago se contorce na saudade. É inquietante a ausência instalada de tudo que não vai mais voltar. Um quarto vazio, a porta que não abre, o doce que não se faz mais. Mas será a saudade apenas essa imensidão de outras vidas que ficaremos a carregar? Penso que ela não tem nada de falta. Sentimos, pois foi deixado dentro de nós as marcas das palavras e dos abraços. Os sinais daquelas pessoas que de coração aberto deixaram um pedaço de si para levarmos conosco. E não é qualquer pedaço, é o melhor que elas poderiam oferecer para nossas vidas. A saudade é esta constante presença desses sentimentos. Ela não está aqui para abrir um buraco no coração, mas lembrar as coisas que o une. Ela é a valorização dos presentes que foram dados para nossa alma. Ela quer manter vivo o que guardamos de mais importante. É verdade que ela não tem o calor do corpo, o carinho do gesto, o cheiro da roupa, ela não substitui, mas ela protege aquilo que as pessoas que partiram não gostariam que viéssemos a perder. É conforto saber que seguiram em paz, já a nossa paz de espírito depende em perceber que estarão para sempre em nós. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 13 de junho de 2016

“As baratinhas do 8600” (22/04/2016)

No meio daquele suor que te escorre nas costas
O vento parece se desviar das janelas
Os corpos grudados nos bancos estofados
As peles que se roçam enojadas pelo contato
Seguramos firme a cada freada
Procuramos um canto que nos esconda e dê saída
Se o concreto racha, o metal se contorce
E as baratinhas rondam as frestas
Saindo e entrando pelas lâmpadas
Sem chamar atenção do público
Tento não fazer dos meus olhos algum espelho
As mulheres que conheço estariam desesperadas
Mas também começa um coça-coça
Ao perceber que também estou encostado na porta
Quantas delas vivem nessa carcaça?
Este calor as espanta ou atrai?
E reparo toda descostura da sanfona que não toca
Ali deve ter um país inteiro
Agora já estou nas pontas dos dedos
Elas passeiam perto das mãos do vendedor de balas
Dá sinal meu amigo antes que seja tarde
Antes que enxergue o que a rotina distraí
Fico surpreso que o terror não tenha se instalado
Acho que as baratinhas até são discretas
Se escondem antes de qualquer medo
Mas uma vez que a consciência embarca
Essa viagem não vai ter volta

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 1 de junho de 2016

“Veranico n°2” (12/04/2016)

Outono!!!
Sai de baixo do Sol e vem almoçar!
Vem logo menino que passou da hora
Vai pegar insolação
Vai me deixar doente de preocupação

Outono, tá quente demais!!
Daqui a pouco vai precisar chover
Vai acabar com toda tua brincadeira
Vai ficar só você na choradeira
Agora me larga do teu irmão

Ouutooonooo, eu não vou repetir
Ai, se você não entrar neste mundo agora
Eu vou dar pro inverno teus brinquedos
Te tiro do próximo bissexto
E você pode esquecer do jantar
 
Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 3 de maio de 2016

“Veranico” (08/04/2016)

Mas que calor!
Ah, mas que outoninho vagabundo!
Mas o que fui dizer
Ele veio me cobrar de manhãzinha
Os amores que já vivemos
As verdades que ele me esconde
Perdão pelo impensado
Mas você vem pregando peças
Vem me ofuscando os olhos
Deixou-me com suor e sem lágrimas
Cadê toda tua melancolia?
O Sol sem força e o céu sem graça?
Quero garoa em tarde eterna
Um vento para usar moletom
Um chocolate quente enterrado no sofá
Uma tristeza leve para equilibrar o dia
Tua data já é longa passada
O que irá me inspirar visita tão curta
Logo agora que preciso da palavra
Cresceu em ti a adolescência
Ser veranico para ficar na moda
Ah, seu outoninho sem vergonha
Não se faça de besta
Que te faço poesia!

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 25 de abril de 2016

“Paraíso digital” (04/04/2016)

O amigo no trabalho mandou avisar
Hoje é só ele e Deus
Perguntei se era melhor cópia oculta
E se o endereço é arroba gmail

Será que mudaram o paraíso?
Pois sem wi-fi e cinema 3D ninguém fica
E se formos depender de valores
Nelson Rodrigues por lá não se estica

Acredito que sejam progressistas
Não nesta área de tecnologia
Mas com um pouco mais de paz

No fim mandei a cópia por educação
Deus não tem cara de videografista
Prefere as coisas feitas a mão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 18 de abril de 2016

“Hora Marcada” (28/03/2016)

Se a cinco minutos tivesse escolhido
Aquilo que não existia tempo para escolher
Teria dado tempo já que se passaram dez
Mas estou perdido sem saber quanto me falta
O tempo sem ser previsto pode acabar ou ser infinito
Agora me culpo por não ter priorizado a vontade
Mas que tempo é esse que posso contar agora
Já que antes nada disso existia
É injusto julgar meu passado pelo tempo
Principalmente por aquele que não era meu
O meu depois era mais pra lá deste agora
O que fazer com todas as sobras?
Quantos pedaços de vida não são meus?
Quantas escolhas não faço pelo tempo limitado?
Se agora eu passo sede
Pelo refrigerante não comprado
Será que meu sonho não chega
Pela hora que acordo?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 12 de abril de 2016

“Admito” (18/03/2016)

Deus, eu tenho um sonho
Talvez não seja muita coisa
Se bem que nunca soube o que seria demais
É quase para ser feliz
É quase para ser para sempre
Mas tenho medo de sonhar acordado
Do desejo estar vestido de fantasia
Da vontade ser apenas uma questão de proximidade

Deus, eu sonho demais
Com sorrisos fáceis
Com dinheiro no bolso
Com família e esperança
Numa vida que é uma só
Mas não sei o que me cabe
O propósito do meu sentir
A verdade da minha alma

Deus, eu sei que tenho um sonho
Eu sei que ele é grandioso
Eu sei que ele me trará paz
Eu sei que ele fará sentido
O que serei daqui para frente
Apenas não consigo vê-lo claramente
Não consigo fazer dele uma escolha
Pois quero ser levado por ele

Deus,
eu espero pelo sonho
Qualquer um que avance
Qualquer um que me liberte
Uma ideia para abraçar
Uma dúvida para esquecer
Mas somos apenas um paradoxo
Eu preciso que ele venha para embarcar
Ele precisa que eu embarque para existir

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 4 de abril de 2016

“Pressa” (11/03/2016)

Ligereza sim
Pois a língua é viva
E a vida curta demais
Falta em mim a destreza
De complicar a palavra
Para fazer versos tais
Vivo num tempo de avareza
No espírito da poesia
Na cabeça formada de intelectuais
Não me sobram muitas certezas
O mundo mudou de muitas maneiras
E o romance vai chegar tarde demais

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 28 de março de 2016

“Mapa” (10/03/2016)

Minha esposa estava com dificuldade
De encontrar o endereço do céu
Sugeri a ela que ligasse para felicidade
Também pegasse emprestado aquela receita de mel
A vida pode ser uma fantasia vestida de realidade

Fiquei imaginando o GPS recalculando a rota
Pedindo para voltar duas vidas passadas
São 10 anos até o próximo caminho de volta
E a vida toda congestionada

Ela me disse que é para lá de São Mateus
Se tem santo no nome deve estar perto
Meu amor me jure por deus
Chegando por lá me vai garantir um teto
Que fique tudo pronto para aquele adeus

Não vai ter jeito
Vamos ter que pedir por direção
Alguém me disse para seguir dentro do peito
Foi a paz que me encontrou no coração

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 21 de março de 2016

“Os olhos gentis” (04/03/2016)

O olhar gentil levantou e esfregou-se o máximo que pode para enxergar o dia. Embora tarde permanecia escuro, era uma grande chuva cinzenta que o acordava. Então o olhar gentil estendeu a mão, sentiu seu gosto, sentiu seu cheiro, recebeu a chuva de braços abertos como fosse um dia de Sol. Com paciência ferveram a água e um pouco perdido no tempo assistiram a bolacha se desfazer em mil pedaços no fundo da xícara. Os olhos gentis não trataram nada naquela da manhã como um desastre, era muito cedo para desistir, e no fundo do chá encontraram a possibilidade do novo, do improvável e deram um gole na esperança. Saíram de casa sem o sufixo e ficaram na espera......do sonho, do amigo, do abraço, do desejo, da mudança, da vontade, do destino e do ônibus. Tudo que se espera demora um pouco mais e os carros começaram a jogar água para calçada. Com os pés molhados o olhar gentil titubeou, mas escondia preocupações mais profundas e não havia espaço para rancores. Deu sinal, a vida parou, subiu e seguiu. Toda vez que se caminha pode ser para qualquer lugar, mas invariavelmente só partimos com lugar certo, que com muita sorte pode coincidir com o que queremos. O solhos gentis pairavam sobre aquele mesmo lugar que viram milhares de vezes antes sem jamais pesar a rotina, a nostalgia de tudo que já não era, a alegria esmaecida em paredes sem cor, memórias de um corredor vazio, um agora tão inerte quanto o passado. Não fosse a lágrima iluminar o caminho, desfocar e colorir a realidade, os olhos gentis não teriam seguido mais nenhum passo. Encontrou um sorriso para abrir a porta, cumprimentar os amigos e até mesmo acreditar que poderia ser diferente. Como antes o cansaço se abateu sobre o olhar gentil, corpo e alma entraram em um acordo, e ele por um momento se fechou imaginando ser a última vez que deixava aquilo para trás. Na volta para casa observou inúmeras vidas na falsa percepção de felicidade. Tudo por aqui somente parece até realmente abrir os olhos. Por isso aquele par era gentil com a ilusão, era melhor enquanto durasse. Na casa vazia, no silêncio da mente, o olhar guardou um último esforço, no fundo do espelho enxergou a chama, gravou na memória e descansou. Consigo a certeza de que o sonho poderia acordá-lo novamente. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 14 de março de 2016

“A distância deste agora” (17/02/2016)

Há mais tempo do que realmente possa lembrar me perguntaram sobre um depois que ainda me é distante.A imagem que escolhi estava esquecida, não saberia dizer a última vez que pensei nela, mas está intacta. O mesmo sabor, os mesmos tons de felicidade. Quando eu lhe contar vai te parecer uma das coisas mais comuns do mundo. Agora disso eu me lembro bem, foi impossível achar uma foto que representasse este momento. O desejo era mais real do que a verdade. 

Quando a vida cansar do tempo e eu aceitar minha passagem por aqui, penso em uma paz soprando contra o rosto em um final de tarde azul cristal. Uma varanda branca de uma casa, uma cadeira de balanço feita com madeira escura e costas vazadas em um desenho igual à do sítio de minha avó. Lá descansarei meus pensamentos, observando o chão costurar o horizonte como as histórias que conhecem seu fim. Com os olhos cheios de lembrança me sobraria no ar uma sensação plena de dever cumprido e a felicidade seria minha redenção. 

Não achei imagem.
Não sei cheguei lá.
Mas o que importa?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 7 de março de 2016

“O bocado de tristeza” (17/02/2016)

Ando às avessas com a vontade. Nada me conquista como o ócio e penso se é tudo que sou. Seria mais fácil aceitar o natural do que imaginar lutar em ser uma esperança ou ideal. Como quero evitar a culpa vou me sentar neste canto, vou suspirar, fazer da melancolia meu encontro já que felicidade não dá para disfarçar. Peço, pois curiosamente o silêncio não nos revela, qualquer coisa que pode ser confundida com algo bom. Eu já estive no melhor de mim, em menos dúvidas, mais coragem, mais fé.....não sei explicar, mas é como eu tivesse mais sentido. Não me leve para sua tristeza, pois não o sou. Estou apenas perdido, talvez a ilusão tenha sido ter direção. Viver é navegar entre estrelas apagadas e bússola quebrada na escuridão. Sem essa bobagem de ir contra a corrente, a gente precisa de vento na vela, vergonha na cara, destino no coração. Na ausência dos três eu espero, quem sabe noutra maré eu me levo, por enquanto serve qualquer lugar. Hoje é tudo que sou. Enganar-se é o primeiro passo para se perder. Sentir tem que ser o tempo todo, até o fim. Chora espelho, desaba corpo, entrega consciente, vocês não precisam mais tentar. Liberdade é não esconder. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

“Estagnado” (20/01/2016)

O que será que não enxergo agora?
O que devo fazer com todos esses sonhos?
O que me falta adicionar ao espelho?
Eu queria saber mais de tudo isso
Mas sei sobre o que é possível

Nada que acontece é o fim do mundo
Mas onde é o começo?
Qual lugar exatamente eu me encontro?
Será que eu quero mesmo mudar o que sou?
Só se segue em frente caminhando?

Eu esperava limpar as minhas dúvidas
Chorar as alegrias mais escondidas
Meu medo é não ter saída
Não existir nada além do medíocre
Que grandeza é essa que eu tenho sem respostas?

O vazio da alma é algo estranho
É ter um espaço sem ter o que preencher
É olhar o horizonte e seu rosto sem saber o que procurar
É não saber onde apoiar o coração
Não questiono a esperança, mas existe o que acredito?

O mundo gira sem nós
Eu preciso desatar o meu
Por enquanto permaneço cego
Corpo torto sem caminho certo
O amanhã é um pergunta que ainda não me faço.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

“Corrente de Fé” (11/01/2016)

É difícil não se envolver com a esperança. Tentamos ficar deste lado sóbrios, serenos, justos e lógicos. Só que lá daquele lado é que vive nosso sonho, nossa saída, nossa felicidade, nosso futuro. Por mais que aqui seja um confluente de tudo que já conquistamos, uma seleção do melhor de nós até aqui. O outro lado vai sempre reservar o que ainda podemos e queremos ser, a nova felicidade, diferentes objetivos, voos ainda mais altos. Mudamos e nem sempre o mundo acompanha. Crescemos e nem sempre a cabeça acompanha. Fazemos de nossos esforços uma questão de equilíbrio. É bem verdade que demora e tem muita coisa que se acaba tomando por verdade antes da hora.....as decepções, sem dúvida, são as grandes desvantagens de lá. É preciso muita força de vontade para continuar tentando, é preciso perceber o quanto podemos ser mais felizes para arriscar, é preciso a sinceridade de uma alma nua, que o medo supere a inércia. Devo confessar ainda que a nossa chance é quase um engano. Parece um descuido no universo, um momento que as coisas apontam na sua direção e te abrem o caminho. É tão surreal que muitos de nós deixamos passar pensando ser tudo mentira, mais aterrorizante do que algo que jamais poderá acontecer é o que acontece da maneira que você sempre imaginou. Eis o grande conflito entre o entusiasmo do que está na sua frente e a experiência na pele que te faz sempre ficar com um passo atrás. Mas como, como não mergulhar no rio da esperança e pedir com todas as forças para que finalmente deságue tudo isso que não tem palavra, não tem voz, nem explicação? Como não abraçar e torcer para dar certo? Como depois de conhecer dor, insatisfação, amargura não vamos embarcar nessa correnteza novamente para sermos felizes? 

A esperança não pode te dar a certeza de que essa é a saída, mas isso não impede de desejar que seja. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho