"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

domingo, 26 de outubro de 2014

“Desapego do Destino”

As coisas não são como deveriam ser
O dever é um atributo altamente humano
A necessidade de se manter a ordem
Um plano traça sonhos, não crava pedras
A vida reinventa-se na menor das distrações
Por que não mudar também?

As vezes se adia tanto encontrar um amigo
Ele nos encontra no meio de uma rua
Que ninguém deveria estar
Estar em algum lugar é muito mundano
Todo lugar é para se estar
Todo dia foi feito para se encontrar

Tenho a total impressão que não sei do que preciso
Uma leve ideia para onde ir, a certeza de querer
Para não me sentir perdido fiz acordos
Um sorriso sincero a qualquer hora
Imaginar por alguns minutos meu futuro
Lembrar de alguém sem distâncias
Saber que as coisas são independente de dever
E por fim, se faltar uma companhia
Que o vento possa ser nosso abraço

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 19 de outubro de 2014

“Sobre o que não passa II” (14/10/2014)

Sinto ser eu a lhe dizer, mas o tempo não vai esquecer a sua dor. A marca debaixo da pele é perfeitamente visível no espelho. Não há como apagar o que faz parte de quem você é. O sentimento tem intensidade, tem gosto e algumas vezes até mesmo forma, mas não tem cura. O tempo só pode te dar distância e por mais que possa ficar longe daquele momento não há como separar de si. Somos profundamente entrelaçados as nossas escolhas e somos, em maior ou menor quantidade, os seus resultados. A dor é um componente da alma humana que só podemos equilibrar. E aqui, antes que desista de ouvir as minhas palavras eu te aviso: há sim uma escolha. Você pode deixar a cicatriz te guiar por completo ou fazer dela apenas uma parte. A lembrança pode ser um tormento ou apenas um suspiro lamentando o que já não é mais. Saber que não há nada que te preencha por completo, não importa o tamanho do que sinta, a vida tem espaço para tudo. Sinto em te dizer que sempre terá essa dor, mas me apresso em te dizer que lhe cabe uma felicidade ainda maior. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 14 de outubro de 2014

“Perspectiva” (10/10/2014)

Tua esperança é genuína
Muitos só esperam por esperar
Porque é certo sonhar com algo melhor
Revoltar-se pareceu um sinal de consciência
Mas as pessoas só querem mudar os outros

Só que você, mesmo vendo nos olhos do futuro
Acredita que tudo ainda vale a pena
Uma alma que se eduque é um bem para vida
O valor de si você vê no sucesso do outro
Pessoas que na medida certa podem mudar o mundo

Na tua paisagem há um Sol nascendo
Sob um povo de posse de um novo ideal
O sorriso de uma inocência renovada
A esperança que só nasce nas grandes almas
O mundo podia ser mais vezes pelos teus olhos

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

“Na falta de rima” (29/09/2014)

Os poetas contemporâneos escrevem seus sonetos
Milhares de sílabas poéticas calculadas
Rimas de um vasto vocabulário
Jogos de significados em meias palavras
O poder de sintetizar nas entrelinhas de um verso
Dizer mais através do silêncio

Eu sigo sem algum limite determinado
Algumas vezes prosa e outras, poesia
Fazendo uso de toda e qualquer palavra
Talvez sendo o mais comum delas todas
O alívio do peito não me pede métrica
E talvez por isso não tenha espaço no mundo

Somos aquilo do que não podemos fugir, não é mesmo?
O sentimento ganha formas estranhas
Só que no final do dia, depois de cada verso
O que importa se é inspiração ou desabafo
O coração só não que ficar calado
Com sorte encontrar uma alma que responda

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

“Despedida” (16/09/2014)

Me apaixonei pelas entranhas do sentimento
Pela diferente perspectiva dos seus olhos
Da entrega plena as mazelas de querer
Do tempo indeterminado dos amores e das dores
O mergulho pelos pesares em suas profundidades
A distância do mundo em minhas particularidades
Há uma parte de nós que sempre será extremamente só

Querer estar sozinho não é um problema
Mas encontro muita coisa fora do lugar
Coisas que chegam até a flor da pele
Percepções fora de qualquer proporção
Uma correnteza que não leva, puxa sem cessar
Encontro-me com inúmeros cenários familiares
O mundo onde tudo ficava aquém

Chorei neste chão, me apoiei nessas paredes
Tudo me parece muito tempo atrás
Aqui aprendi a ser livre para poder ser feliz
Meus cantos mais escuros me ensinaram a paz
Minhas recorrentes lamentações deram lugar a fé
Alguém acreditou em mim antes que eu pudesse
Então depositei a esperança em mim e nos meus desejos
Com o tempo, fiel à minha alma, a felicidade me encontrou

O caminho para fora de si não se esquece
Também não é fácil deixar o que sempre fomos
Deixo-me abalar pelos incômodos da rotina
Martirizo minha insuficiência nas conquistas
Dramatizo o cotidiano com novos enredos
Até hoje descobrir que não preciso mais ser
A palavra não precisa de dor para existir

Melancolia, companheira de longa data
Sei que ainda venho te visitar
Mas jamais novamente para ficar
Preciso muito mais da minha paz
Preciso caminhar com meu peito leve
Aproveitar todo sorriso que posso
Sinalizar para que a felicidade saiba para onde voltar
Entender que não preciso mais estar aqui

Ass: Danilo Mendonça Martinho