"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

“Um caminho”

Quantas vezes diante meus olhos passaram oportunidades que conscientemente disse não? Fui julgado e condenado mais de uma vez por não viver a vida. Criticado por não ir nos lugares onde só se pode ir uma vez. Não fazer as viagens que todo mundo naquela idade também fez. Infelizmente nesta época eu só sentia e não sabia dizer. Não sou bom na briga rápida por palavras, mas se pudesse diria do fundo do meu peito que escolhia aquilo que me faria feliz. Talvez o que muita gente não percebe é que existe vida deste lado da escolha também. A vida não é um caminho que as vezes andamos juntos e quando decidimos algo diferente nos afastamos do que nos foi planejado. Diria diante todos aqueles olhos cheios de certeza que o caminho que seguia ao menos era minha escolha, era o que queria para minha vida e vivi muito do lado de cá. Para falar a verdade, este outro lado da escolha cheio de aventuras e todo colorido é tão incerto como qualquer coisa na vida e não existe pessoa que possa te garantir que teria sido um caminho melhor. A questão toda é essa, não há dois caminhos. Bom e ruim, melhor ou pior, certo e errado. Há o caminho que escolhemos e nele depositamos toda nossa vida. Não venham falar de arrependimentos pois você não sabe onde outra decisão teria te levado para poder comparar com este agora. Parem de viver dos fantasmas de um lugar que não existe. Abrace suas escolhas, é o que te mantém real, é o que te mantém vivo. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

“Desabafo Tardio” (29/08/2014)

Será que seríamos felizes se fôssemos mais simples
Sem a consciência de tudo que podemos
Sem a consciência de nossa liberdade
Sem consciência do nosso fadado fim

Será que seríamos mais livres
Se saíssemos sem ambição
Todo dia até o mesmo trabalho burocrático
Que sustentasse nossa vida fora dele
Nosso marasmo em frente a televisão 
Nossos suspiros levados pela correnteza
Nossa casa sem saídas

Por que essa ideia de grandiosidade?
Por que não podemos deixar os dias passarem naturalmente?
Deixar a vida a cada noite apaziguar um pouco mais nossa alma
Deixar o tempo ser mestre do destino
Ir e vir nesse mundo sem escalas e sem sinais
Operário da humanidade, uma estagnação da evolução
Poder sentar a mesa e sentir-se inteiro sem nada que lhe falte
Sem nada lá fora que precise para se sentir bem

Uma vida humilde sem muitas regalias
Com um canto para dormir e outro para rezar
Com um dia para sair e muitos para ficar
Que possa respirar sem culpa de algo que esqueci 
Uma vida não para marcar, apenas para viver

Divido-me entre a dádiva e o cansaço que a palavra me traz
Toda essa percepção sensível do mundo
Toda essa percepção do que sou e não gosto
Todos os sonhos que construo e não vivo
Todas ideias que não tenho coragem de ir atras
Todo potencial mal aproveitado
Essa vontade de se perder no supérfluo, no cotidiano, no banal

Vejo tanta felicidade em meus desejos
Mas em algumas madrugadas me pergunto
Será que seria mais feliz se desistisse

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 9 de setembro de 2014

“Meu jeito” (24/08/2014)

Machuca o que está por fora
Arranha, magoa, maltrata
Que o tempo enrugue
Que o tapa arda
Que a palavra chore
O que importa o que apenas parece?

O que é de dentro eu mesmo bagunço
Tenho direito de dobrar meu coração
E amarrotar toda minha alma
Fazer daqui minha eterna aventura
Sem limites sociais
Sem regras de convivência
Uma simples liberdade
Que não aparece, mas existe.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 2 de setembro de 2014

“Questões de Gênero” (18/08/2014)

Todo homem é igual
Não importa o tamanho do coração
Barba, cabelo ou bigode
Tenha a inteligência que for
Vira a cabeça para mini saia
E calça branca até no varal

Todo homem é igual
Ataca quando se sente acuado
Vulnerável despeja atrocidades
Diminui os sentimentos do outro
Magoa antes que o atinjam
Sem se preocupar com o final

Homem é tudo igual
Diz amar antes de entender
Atropela corações pelo caminho
Abandona alma sem saber que ocupou
Faz uso das palavras, não dos significados
Aprende a não olhar para trás

No mundo onde tudo é igual
Sentir também vira estatística
Muitos sofrem pelos votos de alguns
O indivíduo se dilui no todo
Sem chance de defesa
Os erros falam mais que qualquer acerto

Toda unanimidade é burra
Só posso defender a causa
Dos que reparam no olhar e no sorriso
Dos que oferecem conversa e não romance
Dos que não prometem felicidade,
Mas também não chamam atenção

Ass: Danilo Mendonça Martinho