"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

segunda-feira, 28 de julho de 2014

“Crer, sentir, viver” (25/07/2014)

Sou feliz
Crer foi meu primeiro sinal
Palavras não me faltam
Mas sim a coragem de dizer ao mundo
O temor do olhar alheio
Sobre tudo que nos faz bem
Nos vestimos de problemas
Para proteger a alegria
Passamos a vida a buscar
E disfarçamos quando podemos sentir
O que a felicidade ofende....
Por que o sorriso não contagia....
O melhor de nós fica entre paredes
Deixamos de brilhar para o mundo
Não irrita querer ser feliz
Incomoda chegar lá
Mas a existência deste lá
Não deveria ser motivação para seguir?

Sou feliz
Sentir foi meu segundo passo
Uma espécie de liberdade
Remar contra a corrente
Descobrir-se no impossível
Ignorar o senso comum
Abraçar quando me disseram para fugir
A perda de fé também quer adeptos
Eu sei porque também não acreditei
Apenas a tentativa de ser feliz
É uma ameaça a todos que ainda não conseguiram
Nos dividimos entre os que tentam
E os que se irritam com o sucesso destes primeiros

Sou feliz
Viver foi meu melhor gesto
Minha palavra não pareceu mais solidária
Somos vítimas de uma matemática improvável
Há muito mais dores atrás dos olhos
Boa parte é mais costume que realidade
Mesmo assim eu apelo para que não se conforme
Todos podem e tem o direito de ser feliz
Não queira, não seja menos do que isso
Eu gostaria que a alegria fosse tratada melhor
Sem inveja ou sem tanto descrédito
Não omitir seus meandros mais lindos
Mas eu sei, o choro só quer um semelhante
Não quero trazer apenas uma promessa
Então trago duas palavras
Encontrei-as no meio de minha melancolia
As primeiras indicações de uma saída
Não acreditei em mim, acredite em você

Sou feliz

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 21 de julho de 2014

“Guardados” (16/07/2014)

Cada palavra marcada
No papel envelhecido
Tem nome e sobrenome
Não sei se foram raras paixões
Sei que foram as minhas
Sei que sou produto delas

Meu passado está escondido
Até mesmo de minha memória
Não sei o que encontrar na cômoda
Num canto discreto de minha alegria
Não sei o que guardar de minhas tristezas
Parte de mim está numa caixa de sapatos

Ali jaz muito do meu romantismo
O mesmo que não preciso mais esconder
Amei mais palavras do que pessoas
Mas elas acabaram mudas
Uma solidão que não se calava
Não sabia ser o que sentia

Amei na proporção de vidas inteiras
Reconstruí nítido ao toque meu futuro
O tempo consolidou as fronteiras da minha dor
Tirava do coração pedaços completos
Vi a perfeição em tudo que beirava a realidade
Findaram como folhas de outono meus romances

Lá no fundo dessa bacia de almas
Me reconheço sem querer voltar
O que aprendi me faz feliz
O que senti me faz inteiro
Do que ficou apenas a certeza
Minha gaveta amou mais do que eu

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 14 de julho de 2014

“A idade” (10/07/2014)

Ônibus sobe a Lins
Nenhum ônibus sobe mais a Lins
Assim se fecharam as portas do passado
A senhora permaneceria na espera
Pelo ônibus que não viria

Subimos a Lacerda, não serve, vou embora
Decidiu o motorista sem explicar
Mas também não entende a senhora
Ele não sabe como o tempo passa diferente
Como é difícil mudar quando se foi a vida toda

Faz tempo que mudou
Impossível ela não saber
Indagações e comentários tardios
Tínhamos partido sem dar chances
Nenhum tempo faz mais do que ela
É um desrespeito que passe sem lhe dar atenção
É insano a pressa que deixamos tudo para trás

Tenho pouco tempo aqui
Penso que também não sabia
Envelhecer não são as nossas mudanças
São as mudanças que desconhecemos
Tudo que nos deixa parados no ponto

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 8 de julho de 2014

“De um dia pro outro” (24/06/2014)

Meu rosto vai desaparecer
Eu mesmo vou esquecer
As companhias silenciosas
Que hoje me despeço
Só eu sei que vou partir
Reparo em todos os detalhes
Quando uma rotina muda
É provável que não vamos mais voltar

Então caminho sem pressa
Não evito mais olhares
O mais gentil que posso, sorrio
Quantas palavras nasceram aqui
Quantas vidas cruzei sem tocar
Observei mundos distantes
Que sentaram-se ao meu lado

Há uma nostalgia do presente
Tudo isso já é passado
Amanhã tudo se perderá
Já foram muitos caminhos
Distâncias se constroem rapidamente
Como se uma rotação da terra
Deixasse tudo do outro lado do mundo
O tempo é muito frágil

Nesta efemeridade dos dias
Digo adeus ao que não dura
As faces que não marcaram a minha
Ao caminho que permanecerá
Mas onde serei desconhecido
Basta dormir e a rotina será outra
Como se sempre tivesse sido assim

Ass: Danilo Mendonça Martinho