"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

“Sobre o amor” (17/11/2013)

Não é preciso pedir a ninguém para falar sobre o amor. Ele é um imaginário coletivo, um silêncio, uma reza de todos olhares. O corpo que hesita e espera a vez do próximo, o abraço que dura aquele segundo a mais, o sorriso da piada alheia na rua, a empatia quando se vê um segurar de mão. Os amigos a bater e gritar na mesa, as festas de fundo de quintal. O beijo de pai, de irmão, de mãe, de namorados, de casados, ou simplesmente de felizes. O grito da torcida, o choro no final do filme. O degradê do Sol, o balanço das árvores, o tilintar da chuva, a imensidão do céu azul. E cada vez que olho pela janela de casa poderia identificar mais inúmeras formas de amor. 

A tristeza traz suas lágrimas, a saudade seus suspiros, a felicidade sua plenitude...já o amor não precisa nem de palavra, vive de qualquer silêncio até qualquer infinito. Ninguém fala sobre o amor, a gente sente e ele vive. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

“Olho de Vidro” (13/11/2013)

O vidro rachado range
Remendos não alteram sua natureza
A cada estalo um grito de liberdade
Foi-lhe negado o fim

Ele esta exposto ao tempo
Em uma fileira que parece infinita
Se repetem as marcas da chuva
Impregna os sabores das cinzas

O sol não é o mesmo deste lado
O mundo quase não gira
Um tom envelhecido e cansado
Os pesos de uma eternidade

Tudo que assustava lá fora
Hoje vive nas fissuras
Um dia não vai mais aguentar
Esperança também quebra

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

“Depois das Estrelas” (30/10/2013)

Nos jogos de sombras da madrugada ficamos a completar os espaços vazios e fugir dos nossos medos mais sinceros. Daqui tudo nasce, de cada penumbra e cada esquina um horizonte aparece por mais que as vezes nos pareça improvável. E eu que acordei meu corpo aguardo para também levantar minha alma. Ninguém nunca está só, mas por mais conhecidos que sejam os rostos eles são paisagem. A véspera da manhã é sempre a hora mais fria. Contra todo o bom senso é no meio de toda escuridão que a gente se encontra. A chuva que cai no chão quase sem vontade é a única coisa que quebra o silêncio da espera, logo a gente repara nas folhas levadas pelo vento e em um suspiro longo e profundo traz para dentro um pedaço da natureza. Sinto o gosto da estação e relembro como se fosse agora todas sensações que me esperam. As pessoas definitivamente mudam, o mundo talvez mude, mas a essência permanece. Não há segredo que é esse princípio conquistado há muito tempo que me desperta todo dia. É o que chamo de vida. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

“O não cumprimento” (23/10/2013)

Por um momento quis desdenhar sua figura muito menos confiante, certa e soberba. Quis independente de conhecer sua realidade esbanjar meu bem estar, minha felicidade, meu sucesso. Vi em seus olhos a oportunidade de uma vingança, ou de simplesmente dizer que meu caminho era o certo e você foi uma das primeiras a recusar me seguir. Juro que tudo isso passou pela minha cabeça naquela fração de segundo. Usei todo resto de tempo para te observar. Sobretudo, caderno envolvido em um abraço, uma bolsa preta, olhos incrivelmente humildes, talvez pelo tom cansados. Parecia sair de um escritório estafada por mais um dia. Parecia que tuas pálpebras também guardavam o choro do dia anterior. Pareceu-me mais justa com as lições aprendidas. Talvez sua aparição tenha sido algum recado para o meu rancor, o que preciso melhorar em mim. Talvez um pouco mais de ousadia e coragem de minha parte tivessem te colocado no meu caminho. Todos enxergavam meu coração, menos meu espelho. Ainda sim penso que terminaria e hoje sei que minha história reside bem longe desta outra estrada. Acho que nosso encontro foi mais uma questão de paz, não que isso nos incomode hoje em dia, mas é rara a chance de saber que uma escolha sua foi boa. Meio que nos agradecemos neste reconhecimento sem palavras. Sabíamos muito bem quem éramos e resolvemos deixar passar, pois não somos mais. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho