"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

quarta-feira, 24 de abril de 2013

“Deriva”

O dia nasce para todos, mas com certeza não nos diz as mesmas coisas. A luz aqui atravessa a janela, ali reflete contra os vitrais e também bate na madeira apodrecida que permanece em pé somente até os próximos temporais. Há muita realidade em um espaço cada vez menor. As linhas que definem o ser humano estão mais tênues, frágeis e (como sempre) prontas para se cruzar. O que faz de um olhar, um olhar de bandido? O que faz de um corpo e alma sofrida, desejar por paz? Se trilhamos um caminho de respeito e honestidade, venho a me convencer que é por sorte. Pessoas do mesmo passado tiram conclusões totalmente diferentes de suas experiências. Somos abismos profundos e distantes. Neste hiato muita coisa perde valor, como a vida. Desmerecendo a si, o outro vale menos ainda. O problema é sempre o próximo. Dói saber que a educação não é desrespeito a cidadania. Dói saber que a política não é desrespeito a sociedade. Dói ignorar que o presente desrespeito ao passado. Dói perceber que não verá mudança. Dói não saber o que deixaremos para trás. Dói perceber que tratamos a existência neste mundo como se não fosse desrespeito a nós. Dói, ao olhar para o lado, encontrar algo ou alguém tão abandonado socialmente como você. Dói não ter o que comer ou algo porque lutar. Dói entregar este futuro nas mãos de pessoas que quase sem amparo algum de nós decidirá entre o “bem” e o “mal” , entre querer ou desistir, entre acreditar ou apenas adaptar-se. Se chegamos até aqui é por sorte, o que faz da dúvida sobre um amanhã nossa única certeza. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

4 comentários:

  1. A coragem de manter as dúvidas não é só dos céticos, mas de quem quer acreditar apesar de.

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  2. Há um angústia que se agiganta, e pesa, nas pálpebras.

    Abraços poeta!



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  3. Dúvida nos dá a liberdade para irmos e explorarmos o amanhã que bem entendemos. Entretanto, "dói perceber que tratamos a existência neste mundo como se não fosse desrespeito a nós."

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  4. Um dos melhores textos seu poeta.

    Abraço.

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