"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

“Enclausurado”

Dentro de casa o mundo vira sonho
As paredes não tem imaginação
A vida é uma questão de reciprocidade
Ao trancar a porta aprisionamos a chance
Tudo é possível mas apenas isso
O sorriso da esperança não é falso
É uma sombra como na caverna
A alma se torna projeção do pensamento
Um corpo que se completa sem ser
O homem criou o que fazer
A ilusão consome a realidade
O concreto é tão abstrato quanto a ideia
Todos temos que dar este passo
Para o conforto de nossos sonhos
Para incerteza de realizá-los

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

“Previsão de Sentimento” (13/02/2013)

Comprei um pedacinho de céu azul. Pareceu-me prudente garantir um espaço em meio a imensidão do horizonte. Uma janela onde sempre pudesse olhar adiante, algum tipo de certeza sobre os amanhãs. Eu escolhi entre nuvens muito bem localizadas. Daqui ainda dá para ver os pássaros da árvore do vizinho, o arco-íris que se forma por cima do muro toda vez que chove. Se eu inclinar a cabeça eu vejo uma pequena casa, que daria para alcançar com os braços, mas é apenas uma ilusão de ótica. Ela permanece distante, em construção, com potencial para uma beleza única. Se olho para cima o Sol nasce e me franze o rosto, esquenta a pele, me abraça e me envolve. Sinto-me mais perto da vida, em contato com o mundo. É bom lembrar-se também como natureza. O vento bate na ponta do nariz e não importa muito a direção. Despeço-me com um sorriso sincero e saio com a certeza que no coração permanecerá tempo bom. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

“Completos” (29/01/2013)

O vazio da perda jamais se completa
Os olhares que virão a sorrir tristes
Fiel a ideia que a vida virou um fardo
Há quem faça sua paz com a dor
Mas e a dor que não é anunciada?

“Por que“ pode ser uma busca para vida toda
Perder-se é uma escolha, mas não uma troca
Punir-se é ser dor para sempre
A morte dos nossos próximos
Parece não deixar saída para quem fica

Agora, o mundo a nossa volta não nos deixa
A existência não perde sentido
Sabemos que jamais cessaremos o choro
A alma não foi feita para andar vazia
Mas podemos enchê-la de vida mais uma vez

Há tantos sonhos, alegrias e desejos
Para serem feitos no nome de quem se foi
Há ainda uma vida que pulsa em nós
A qual não nos deixariam abandonar
Há dor, mas há todo amor da vida que aqui esteve

Ninguém merece uma perda
Mas todos merecem ficar em paz

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

“Próximo” (28/01/2013)

Talvez o mundo lhe pareça um lugar cheio de estradas erradas. Nossa percepção da vida é influenciada por muitas variáveis, todas plausíveis. O reparo de nossa alma parece um trabalho eterno, sempre algo está fora do lugar. Mas não acredito que seja defeito de fabricação nascer assim “sem lugar”. Não falo de casa, cidade ou país. Falo de um lar para nossos sentimentos, desejos, sonhos, enfim, nosso ser. Ser é uma responsabilidade muito grande, mas não além da capacidade humana. Ser envolve escolhas, princípios e uma reconstrução constante de si perante a vida. Essa busca leva muitos ao desespero, mas esta busca leva. Fluir e fruir por este mundo é fundamental e as aflições de nossa alma é o que nos move. Algo que te mantém vivo, te mantém ansioso do futuro, não pode ser de todo mal. É que dói, eu sei, dói. Precisamos de um lugar que abrigue este nosso ser. Para alguns é a liberdade, para outros ainda que não pareça é a solidão, mas para todos em algum momento é a companhia. 

Zilhões de variáveis e eu venho repetir-me sobre a necessidade de se encontrar em outro. Mas não confunda com Amor, pois este é peça. A verdade é que em meio a essa lapidação do que se é, precisamos de descanso. Acredite, não há férias dentro do seu próprio corpo. Há muitas ruas sem saída, muitos sentimentos sem resposta, muita melancolia se misturando com os sonhos, muita mesmice no horizonte. Precisamos de outro que enxergue alguma vírgula diferente, algum alívio para todo universo que carregamos em nós. Precisamos renovar as forças de nossos ideais e rearranjar a harmonia da nossa paz. A construção desse lar é muito gratificante para se deixar pelos caminhos. Plenamente ser é incrível. Tudo que se precisa para continuar é um outro, é um corpo para descansar a alma. 

Talvez o mundo lhe pareça um lugar possível, todos os dias. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho