"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

“Longe, tudo, já não será”

Você está pensando no agora
Cercado de memórias
Inundado pelo próprio pranto
Ainda com o calor do aconchego no rosto
Não vai enxergar o horizonte
Não vai enxergar o próprio nariz
O passado tomou conta
No minuto que decidiu partir
Tudo que achou que ia levar
Terá agora de ter fim
Mais uma caixa no maleiro
A vida passa pelos olhos
Não é preciso morrer
Basta o amor
Serão reveladas as feridas e o vazio
O infinito é maior que a alma
Como queremos caber?
É que o sentimento não tem fim

Espere pelo depois
Cada palavra é um vazio a menos
Cada passo é uma imensidão
Descobrirá o espaço dentro de si
Tudo que deixa de crescer
Um dia cabe na palma da mão
Aquele amor que era envolto em dor
Vira uma pequena felicidade
Destas que se pega de lembrança
Para tudo que acaba nesta vida
Existe uma distância

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

“Pesadelo”

As pupilas dilatadas procuram saída
Mas o corpo é inerte diante a palavra
O amargo envolve a língua
Goela abaixo a notícia do adeus

A tempestade cai junto com a noite
Sem chance de pedir a nenhuma estrela
Nosso desencontro é completo
Desejo, destino e alma

O silêncio aguarda meu consentimento
Que direito tenho sobre sua escolha?
Que suplica poderia mudar o fim?
Anulaste o que sou e o que sinto

Deito na cama que me sobrou
Meus olhos não sabem para onde ir
Sabem que estão em um pesadelo
Também sabem que já estão acordados

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

“Ideal” (17/11/2013)

Minha descrição, minhas adivinhações sempre estiveram erradas. A única coisa que sabia é que a vida me mostraria muito mais. Ela não deixou por menos. O que sinto ainda é indiscritível. Curioso algo que vive dentro de nós ser tão desconhecido. Só poderia descobrir isso contigo, minha alma jamais revelaria esse gosto se não fosse diante do amor verdadeiro, se não fosse na presença do que jamais a deixará. Quando coloco este sentimento nesta medida de eterno é que já não ligo ele necessariamente aos nossos corpos, muito menos a esse tempo. A impressão de já estar aqui antes de nós talvez não seja tão distante da realidade. Hoje ele toma partido em todos os meus planos de futuro. Não é invasão, eu não saberia o que fazer sem ele, não saberia o que sonhar. Vivi sem este sentimento e poderia seguir sem ele, mas é escancarado que não quero. Cada dia olho em frente e antecipo em meu coração todas as coisas que ainda passaremos nesta vida e a perspectiva deste amanhã faz este agora tão mais feliz. Desvendo mais de mim quando estou com você e sinto que sou melhor quando somos dois. Sem somar, apenas completando. Não sei o que a vida trará diante outros desejos, mas sei com quem enfrentarei todos os desafios. O que sinto ainda é só meu, mas é o mais próximo que já pude definir o amor, completo e atemporal. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

“Sobre o amor” (17/11/2013)

Não é preciso pedir a ninguém para falar sobre o amor. Ele é um imaginário coletivo, um silêncio, uma reza de todos olhares. O corpo que hesita e espera a vez do próximo, o abraço que dura aquele segundo a mais, o sorriso da piada alheia na rua, a empatia quando se vê um segurar de mão. Os amigos a bater e gritar na mesa, as festas de fundo de quintal. O beijo de pai, de irmão, de mãe, de namorados, de casados, ou simplesmente de felizes. O grito da torcida, o choro no final do filme. O degradê do Sol, o balanço das árvores, o tilintar da chuva, a imensidão do céu azul. E cada vez que olho pela janela de casa poderia identificar mais inúmeras formas de amor. 

A tristeza traz suas lágrimas, a saudade seus suspiros, a felicidade sua plenitude...já o amor não precisa nem de palavra, vive de qualquer silêncio até qualquer infinito. Ninguém fala sobre o amor, a gente sente e ele vive. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

“Olho de Vidro” (13/11/2013)

O vidro rachado range
Remendos não alteram sua natureza
A cada estalo um grito de liberdade
Foi-lhe negado o fim

Ele esta exposto ao tempo
Em uma fileira que parece infinita
Se repetem as marcas da chuva
Impregna os sabores das cinzas

O sol não é o mesmo deste lado
O mundo quase não gira
Um tom envelhecido e cansado
Os pesos de uma eternidade

Tudo que assustava lá fora
Hoje vive nas fissuras
Um dia não vai mais aguentar
Esperança também quebra

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

“Depois das Estrelas” (30/10/2013)

Nos jogos de sombras da madrugada ficamos a completar os espaços vazios e fugir dos nossos medos mais sinceros. Daqui tudo nasce, de cada penumbra e cada esquina um horizonte aparece por mais que as vezes nos pareça improvável. E eu que acordei meu corpo aguardo para também levantar minha alma. Ninguém nunca está só, mas por mais conhecidos que sejam os rostos eles são paisagem. A véspera da manhã é sempre a hora mais fria. Contra todo o bom senso é no meio de toda escuridão que a gente se encontra. A chuva que cai no chão quase sem vontade é a única coisa que quebra o silêncio da espera, logo a gente repara nas folhas levadas pelo vento e em um suspiro longo e profundo traz para dentro um pedaço da natureza. Sinto o gosto da estação e relembro como se fosse agora todas sensações que me esperam. As pessoas definitivamente mudam, o mundo talvez mude, mas a essência permanece. Não há segredo que é esse princípio conquistado há muito tempo que me desperta todo dia. É o que chamo de vida. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

“O não cumprimento” (23/10/2013)

Por um momento quis desdenhar sua figura muito menos confiante, certa e soberba. Quis independente de conhecer sua realidade esbanjar meu bem estar, minha felicidade, meu sucesso. Vi em seus olhos a oportunidade de uma vingança, ou de simplesmente dizer que meu caminho era o certo e você foi uma das primeiras a recusar me seguir. Juro que tudo isso passou pela minha cabeça naquela fração de segundo. Usei todo resto de tempo para te observar. Sobretudo, caderno envolvido em um abraço, uma bolsa preta, olhos incrivelmente humildes, talvez pelo tom cansados. Parecia sair de um escritório estafada por mais um dia. Parecia que tuas pálpebras também guardavam o choro do dia anterior. Pareceu-me mais justa com as lições aprendidas. Talvez sua aparição tenha sido algum recado para o meu rancor, o que preciso melhorar em mim. Talvez um pouco mais de ousadia e coragem de minha parte tivessem te colocado no meu caminho. Todos enxergavam meu coração, menos meu espelho. Ainda sim penso que terminaria e hoje sei que minha história reside bem longe desta outra estrada. Acho que nosso encontro foi mais uma questão de paz, não que isso nos incomode hoje em dia, mas é rara a chance de saber que uma escolha sua foi boa. Meio que nos agradecemos neste reconhecimento sem palavras. Sabíamos muito bem quem éramos e resolvemos deixar passar, pois não somos mais. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

“O dilema de um bom dia”

A senhora que me disse bom dia o fez por costume, por educação, simpatia, tradição. Mas creio que na verdade o fez por ser natural, por acreditar ser a maneira correta de agir. O dia ainda era penumbra e chovia, ela estava acompanhada de uma ajudante e uma bengala, certamente gostaria de dispensar uma das duas, e disse bom dia a dois jovens desconhecidos que aguardavam algo no caminho, que tenho a impressão que refizera mais vezes que eu. Acenou e sorriu àqueles que frequentavam sua vila que hoje só é assim no nome, tudo é cidade concreta e são muitos os desconhecidos para que um bom dia seja distribuído sem critério. Mas à ela valia. O mundo podia tomar o rumo que fosse, era seu lar, seu caminho. Não desviou-se, não hesitou, não parou para admirar. A senhora era lúcida de seu destino e pura em suas intenções de desejar um belo dia aos outros. Ela não queria meu nome, nem atenção, talvez nem mesmo minha resposta. Admirei sua atitude e claro que pairou sobre minha cabeça a dúvida: Será que ela está certa nessa sociedade contemporânea? Será que a modernidade na verdade nos atrasou? Deu-me vontade de ter liberdade para um bom dia sem obrigação. Pareceu-me mais saudável o jeito daquela senhora sorridente para o mundo, e ele para ela. Receptiva ao perceber os que a rodeiam não como amigos, nem mesmo conhecidos, mas semelhantes. Somos, não é mesmo? Fiquei feliz com aquela perspectiva, aquela lembrança e não precisarei de armas, nem pedras, nem discursos, nem política. Minha revolução será um bom dia até que todos percebam que somos um só. 

À senhora que me disse bom dia....disse bom dia, sem alterar minha espera, virar meu rosto, ou repelir sua presença. O fiz naturalmente, reconhecendo-nos como parte do todo. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

“Preserve seus sonhos”

Nossos desejos mudam
Se transformam, crescem,
Se desviam
Mas que permaneçam nossos
Até mesmo secretos

Os atos mudam com cada verdade
Com cada conhecimento
Com cada informação
As vezes nem precisa ser verdadeira

O mundo é complicado lá fora
Causas são vencidas por interesses
Vontades são vencidas pela rotina
Sonhos são massacrados pela necessidade do dinheiro

Mas sua vontade de ser feliz
Pode mover o mundo em uma nova direção
Sejam quais forem seus planos, se forem justos,
Eles merecem uma chance
Os sonhos serão a diferença entre sobreviver e viver.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

“A força desconhecida”

Eu mais do que ninguém tenho que tomar cuidado com as palavras. Sei que são armas, instrumentos, mensageiras, poços de possibilidades e interpretações. Ardilosamente dúbia a palavra pode lhe entregar por inteiro, ou pode carregar uma mentira a pessoas suficientes para ser irreversível. A palavra entra em qualquer alma, basta ser a certa. Somos rodeados por essas entrelinhas de desejos e verdades. Alguém aplicado o suficiente, atento, curioso e dedicado não deixará nada passar como comum e para estas seremos sempre um livro aberto. A nossa sorte ou azar é que essas pessoas são raras. Não acho que é preciso esconder sentimentos. Mas sei que tenho muitos planos que precisam ser maduros o suficiente para sobreviver neste mundo. Universo de vaidades, de olhares que tanto prestam atenção a ponto de atrapalhar nossos passos. Há muita força contrária, até mesmo dos que querem ajudar. Um sonho precisa ser forte, um desejo precisa ser completo, uma vontade precisa ir até o fim. Por isso há muito segredo em nossas palavras, é preciso olhar a quem. O conhecimento superficial do mundo moderno transforma todo nosso redor em uma frágil conexão de pessoas, de agenda escusa e própria. Mesmo sabendo disso o perigo ainda reside, pois há muitos os quais não definimos lado, nem opinião. Há certas coisas que devem permanecer no menor círculo de pessoas possíveis. As vezes é preciso se manter trivial. O coração precisa de segurança para falar, caso contrário faça de cada batida um silêncio, de cada pulso um olhar. Não entregue os pontos antes do necessário, antes de saber do que se fala. A conversa geralmente ajuda, mas não necessariamente porque te ouvem ou te aconselham, mas sim porque você se ouve, porque você alivia o peito. E já que é preciso falar, faça a quem te dê mais que ouvidos, faça a quem entenda. Seja breve nas palavras, a força do seu sonho está no inesperado, no desconhecido, no único, no que é só seu. Para qualquer outra pessoa escolhida sem a devida cautela, seu desejo será apenas uma informação privilegiada. Tome cuidado com a palavra. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

“Deixe Estar” (05/10/2013)

A vida precisa de uma fresta
Construa você suas muralhas
Vista suas armaduras
Ou aprisione as palavras

O coração precisa de uma migalha
O abraço que rejeita
O sorriso indireto
Até mesmo a promessa falsa

A alma precisa de um respiro
A lágrima que escapa a multidão
A verdade omissa
Declarar-se sem ser interrompido

Nos dias que são dor
Deixo minha janela aberta
Por lá tudo escapa
Enxergo um pedaço do horizonte
Misturam-se todos meus suspiros

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

“Permanente”

Sinto falta da vontade
Será que ela sempre me faltou?
Hoje o mundo está de portas abertas
E os braços são curtos para alcançar

Sonho muito mais que já sonhei
Quero muito mais do que já quis
Em algum lugar sei que posso
Mas a cobrança lembra e machuca

Pensamos que é tudo para amanhã
Mas na verdade é tudo para vida
É preciso passar pelo meio do caminho
Mesmo sabendo que podemos mais

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

“Hoje a chuva só cai”

A chuva sempre me fez companhia
Mas sinto que algo mudou
O cheiro no asfalto,
O sentir da pele,
O sussurro no ouvido...
Tudo parece artificial

É que nem sempre chove para gente
Tem muita melancolia,
Muita lágrima precisando de disfarce
Penso que hoje ela cai
Só para me lembrar que está por perto

A chuva tem muita terra para cobrir
E faz uma coisa de cada vez
Então abri meu guarda chuva
Fiz companhia como bom amigo
Tentando apenas retribuir
Talvez ao tempo ela volte
Com as palavras preciso ouvir

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

“Carta para um fim de tarde”

A natureza humana me atingiu como um raio
A ideia de um mundo tão perdido
E apenas tua lembrança me salva
Minha vida faz sentido ao teu lado
Tudo que sou hoje também é parte de você
Só eu sei o quanto te quero agora
Todos dias que você me salva
Sei que fazer planos não será em vão
As vezes o mundo assusta
E eu tenho sua mão para segurar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

“Aprendiz” (21/08/2013)

O que mudou?
Será que repito erros?
Um dia fui aluno
Escutei tudo que podia
Um dia deixei de ser
Continuei a escutar
Crescer é para sempre

Hoje me ignoram
Como se fosse fatalidade
As palavras que digo
Mero acaso do gosto
Sinto-me vazio
Conhecimento sem vazão

A experiência é pouca
Quero ser mestre um dia
Ainda sou mistura
Dos meus desejos
E do que conquistei
Isso ninguém me tira

Estou apenas tentando
Passar adiante minha cultura
O seu desdém faz parte
A platéia tem seus direitos
Mas não desqualifique
Se me arrisco no discurso
Falo daquilo que sei

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

“Um Lugar Melhor”

Eu sempre abdiquei o porquê das palavras. Sentia e me parecia tudo. Também sempre soube ser um dom, um encontro permitido aos meus ouvidos. Talvez somente agora posso aceitar, entender e assumir a grandiosidade da poesia. Posso fazer do mundo um lugar melhor. Pode ser um canto, uma vírgula, um quase nada, mas posso. Não é algo que se abdica sem consequências para alma. Nosso talento é o sinal mais claro da nossa busca nessa vida. Ele tem que permear todas nossas atitudes, toda nossa essência. Viver significa ser tudo que se pode, sem restrições a nossa alma. Tantas vezes somos conformados a nossa realidade que o potencial vira segundo plano. Permanecemos a caminhar incompletos. Não, a vida é mais. Não sei quais são minhas chances, jamais saberei ao certo os resultados, mas tenho a palavra e farei dela o melhor que puder, eu apenas te peço que me ouça. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

“Aparências”

Parecer pode ser muita coisa
Imagens sem controle
Uma frase sem pensar
Uma palavra sem contexto
Até gestos despretensiosos
Há um código secreto
Que liga símbolos e significados
Que é individual

Logo é fácil parecer
Eu não vou te impedir
O que sou não é momento
Mas pode ser tudo que temos
Então dê o seu melhor
Crie suas verdades
É provável que se iluda
Mas é possível que me conheça

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

“O invisível”

Há muito menos destino
E muito mais ações
Dando as cartas nessa vida
Mas não posso ignorar
Os impulsos da alma

Caminhar se torna tão banal
A paisagem quase nem afeta
Nem mesmo as transgressões
Tantas vezes queria levantar a voz
Motivos não nos faltam
Mas a palavra sim

Há remorso em certos silêncios
A frase nunca dita fica
Enraizada se repete
A vontade cega de ter mais uma chance
Responder à altura
A troco de quê?

Do mesmo jeito que calo
Outras vezes falei
Algumas exatamente o que queria
Não há diferenças
A revolta é a mesma
Há uma dose do desconhecido

A palavra hesitou
Salvou minha vida
A fraca resposta
Serviu de aviso
E as vezes a verdade nua
Se fez necessária

Algo sobrepõe nossos atos
É raro, mas acontece
Talvez demore a consciência
Devemos muito a este “improvável”
Consequência é mais que retrucar
É tudo que se leva para alma

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

“Acuso”

Eu sinto que meu sonhar é extremamente perigoso. Sonhar não é acreditar, ele lhe dá o futuro como certo. A conquista pode se afastar da realidade em mais maneiras que a palavra pode se tornar silêncio. Aqui, do outro lado do sonho frustrado, nosso coração até se une com a razão para enxergar além da dor. O motivo da queda pode parecer obscuro, mas geralmente remete ao espírito com que entrou na batalha. É difícil dizer, mas os ceticismos me levaram mais longe, o cru, o inegável, os olhos sempre abertos. Não nego o sorriso que vem com o idealizado mundo de amanhã, mas que não passe disso. O vício da esperança pode se tornar uma expectativa real demais. Incapaz de permanecer no agora, fiquei desarmado na luta. Todo mundo sente o golpe. Nada é insignificante para alma. Não posso olhar para o lado, fui eu. Desvirtuei a fé, o desejo e a realidade sem encontrar saída e a última me trouxe de volta em uma única palavra. E o mesmo sonho te faz se sentir pouco, ínfimo, aquém. É perigoso sonhar longe do travesseiro. Colocar sentimentos antes dos fatos. Todo sentimento pode virar dor. Fui ridículo ao imaginar acima, melhor do que a chance, e essa me fechou a porta. Pois agora é meu sonho que vai aguardar, a realidade é feita de pedras sobre pedras e eu ainda tenho muito o que levantar aqui dentro.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

“A última estação” (25/07/2013)

Que frio é esse que chega até os ossos. Logo eu que me armei contra as injúrias, levantei muralhas contra as mágoas, usei as palavras como escudo da alma serei acometido pela precariedade do corpo? Estarei a mercê de um bruto inverno que desconsidera minha existência e vem sobrepor o mundo com outro destino, outra realidade? E todo caminho para enobrecer a vida, todos cavalheirismos, toda educação, conquistas, imagem social, onde ficarão se não apenas isoladas neste sótão olhando pela janela em dúvida se pedem ajuda ou perdão. Se o tempo é assim escasso que valor poderia inserir neste contexto que ainda valesse a procura. Divago talvez tarde demais para fazer qualquer bem, mas sempre há tempo de revoltar-se. Já que de nada adiantou manter o espírito puro da tradicional selvageria dos sentimentos humanos, quero antes de tudo e do mais nada, renunciar-me. Há muito adio tal decisão, mas não mais preciso desta ilusão construída pelo seu olhar, muito menos de ideais que não me pertencem. Terminarei neste canto de cômodo como aqui cheguei, desnudo de princípios, de planos e de certezas. Sou natural como a estação que me bate a porta, com ciclo de vida, habitat e alimentação definida. Tudo que já pensei desconsidera essa minha essência. Fazer, construir, falar, rir, são passatempos capazes de nos distrair de nosso propósito. Não deixei filho algum, não perpetuarei nome, nem espécie. Agora me vejo indeciso se algumas dessas duas coisas me entristece. Todo animal tem um bando, todo bando tem seu inútil, por que não sê-lo? Inverno canalha me pondo contra a parede, vamos, apague minha lareira, encha de neve a minha porta, minha loucura está aposta para que possa levar tudo menos quem sou, a você não devo nada além do corpo, aos outros nem mesmo isso. Então vamos ficar neste acordo de cavalheiros, você leva o corpo que restou, sem custo, e eles levam tudo aquilo que já não sou, abdiquei ser, e me deixam a olhar o sol, a chuva e a neve nesta janela que escolhi para eternidade. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 25 de julho de 2013

“Dois”

O sol nasce por trás de outro corpo
O sorriso ainda é um resquício do ontem
A memória de ter deitado ao seu lado

O cheiro da casa se mistura
Um pão na chapa outro mergulhado no leite
As nossas desavenças são assim em detalhes

Meus quadros enfeitam a sala
Teus livros ganham a prateleira
Nós construímos este lar

É a escolha do programa de TV
Pensar no que fazer para janta
Rotinas que precisam da companhia certa

O silêncio que não desespera
O colo que sempre conforta
Somos portos de nossas almas

Tudo que faz disso mundano
Tudo que faz disso único
É tudo que quero para sempre

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 18 de julho de 2013

“Intransigente”

Não há apelo ao coração
Argumento, conselho, aviso
O próprio corpo desiste
Olhos cansados de lágrimas
A razão mergulhada na emoção
Ninguém pede, mas todos querem
E ele ama sem restrições

Sentir é natural
A questão são as possibilidades
Intensidade, desejo, caráter
Tudo precisa se encontrar
Ou ao menos a disposição para mudar
Todos tem seus limites
Quem pertence as suas fronteiras?

Ninguém precisa de pressa
Certezas são altamente voláteis
O orgulho é uma armadilha
É preciso saber abrir mão
Reconhecer um sorriso aberto
E não discutir com o coração

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 11 de julho de 2013

“Ensaio sobre o silêncio”

Há um grande desrespeito pelo silêncio. Por certas pessoas não passa nem um respiro. Existem presenças que só se justificam com a fala, não nego. Mas até estes pequenos incômodos merecem seu espaço. Uma conversa é tão boa quanto um suspiro. Fazemos do silêncio um estranho como se não bastasse uma companhia, olhares, sorrisos ou mesmo nada disso. O simples acaso de dois conhecidos que seguem para o mesmo destino ou dividem uma refeição. Sinto falta, sinto-me perturbado pelas constantes interrupções deste momento de reflexão. Até eu mesmo me vejo influenciado por essa tendência, que companhia precisa de palavras. Fujo do olhar, mexo a mão, olho para os céus como se precisasse urgentemente fugir dali. O que está ao nosso lado é assim tão diferente, tão amedrontador? Fico a pensar o que será que fez de nossa alma assim tão assustada. Somos tão precários, tão imaturos. Incapazes de lidar com o silêncio, imagina cuidar de um mundo. O mais breve som da natureza ou respiro da vida passa simplesmente despercebido. Há tanto ao nosso redor para conhecer, tanto, que qualquer dia desses você deveria não falar e ouvir também. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 4 de julho de 2013

“Descalço”

É difícil andar a pé. Tem concreto, tem terra, tem cascalho, tem espinho. A ferida sempre aberta de quem insiste que o melhor passo ainda é o próximo. Ser feliz é completar-se a cada dia. Mas para isso é preciso deixar o rastro. As marcas de uma sobrevivência muitas vezes questionável. Em busca de um horizonte muitas vezes utópico. Não vejo ninguém diminuir a velocidade, nem mesmo desviar do caminho. Todos querem suas promessas. O sentimento nasce de uma forma tão natural que é impossível demovê-lo por fora. Tudo que nasce dentro, lá perece, ao seu próprio momento. A razão é apenas um conselho. É admirável o ser humano, mais do que pela sua capacidade de pensar, mas pela escolha de abandono do mesmo. Sofre e sorri. Apanha e abre os braços. Magoa e ama. A alma tem bem menos extremos do que parece. Na convergência de ser um, a mistura nunca sai igual. Só permanece o desejo, o sonho, este gosto de vida que todos queremos encontrar. Vamos longe, vamos fundo até o dia de não precisar mais voltar. O enfim descanso para nossos pés. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 27 de junho de 2013

“Não será amanhã”

A fumaça abaixa e fico no aguardo do nascer da aurora dos nossos tempos. Meus olhos já há muito tempo céticos talvez não reconheçam um raio de esperança. Não sofremos por um governo. Não sofremos pelo conservadorismo religioso. Não sofremos por uma economia precária. Não sofremos por um estado de miséria. Não sofremos por uma guerra. Somos mais livres do que poderíamos imaginar pedir. Mas sofremos por causa de um sistema social falido, corrupto, profundo e centenário. Da mais baixa classe social, do rincão mais perdido de terra neste país até a maior metrópole e o mais alto escalão do governo, estamos impregnados com este gene maldito do “jeitinho”, do deixa quieto, do lave minha mão que eu lavo a sua, da vista grossa, do interesse próprio, do procurar vantagem, do malandro, do passar a mão na cabeça, do passar todo mundo para trás. O DNA brasileiro não mudou em uma noite. Mas há uma chance, que nas frestas deste mundo, esta nação tenha encontrado outros pares para criar seus filhos. Quem sabe se daqui em diante possamos começar a apagar este traço contínuo da nossa história. A mudança é muito mais que interna. Sei que na verdade não verei nascer esta aurora. Nosso tempo será de quebra, choque, saturação e muito cansaço. Descobriremos o limite de todos os nossos erros e negligências. Uma época de decepções, amarguras e duras verdades. É preciso desfazer este brasileiro que criamos. Um a um se for o caso. Acredito em um dia onde todo ceticismo ficará para trás e poderemos ver um verdadeiro novo país. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 22 de junho de 2013

“Um dia de Cão”

Dizem que a maioria dos animais enxergam preto e branco. Começo a pensar que isso não é assim de todo ruim. Eles não enxergam a poluição no horizonte, por exemplo. Lama, terra, asfalto, pedregulho, é tudo chão. Tratam os dias de Sol e de Chuva da mesma maneira. Talvez percam a beleza das flores, mas assim não criam diferenças com a beleza da grama e da copa das árvores. Tudo pode ser belo em um mundo preto e branco. As cores dos olhos não causam intrigas e os tons da pele preconceito. O urbano se mistura de tal forma que é provável, infelizmente não certo, que as pessoas se enxergassem como parte do mesmo todo. Poderíamos chamar aqui de sociedade, enfim. Num mundo sem cores desvalorizaríamos roupas, estética e imagem pelo conteúdo. O tucano, a televisão, o pôr-do-sol e o futebol perderiam um pouco da graça. Mas há outras coisas que valem nossa atenção nesse mundo. Tais como o gesto, o olhar e a palavra. Acredito que lágrimas e sorrisos continuariam iguais. Aguçaríamos nossos outros sentidos. Coisa que anda necessária, principalmente o tato. Talvez nos tornaríamos seres humanos mais na essência e menos fantasiados. No fim há prós, há contras e meu cachorro segue a me olhar sem revelar o que é melhor. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 15 de junho de 2013

“Resenha”

Um coração que bate
A razão que se perde
Uma mente que se entrega
O âmago que contrai

Uma lágrima que cai
A falta que faz presença
Um todo que se torna sozinho
A certeza que não vai embora

Um corpo que parte
A saudade que se cria
Um abraço que volta
A alma que se conforta

Um sorriso que nos encontra
O olhar que não se distrai
Um vislumbre de felicidade
A esperança que não volta atrás

Uma verdade que se omite
Uma imagem que suspira
Um vazio que nos martirize
Até mesmo um silêncio que nos invada

O sentir sempre vale uma palavra
Mesmo que seja apenas amor.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 8 de junho de 2013

“Sobrevivência”

Faz tempo que não se respira
Nem mesmo o silêncio
O outono me parece sensato
Encolhido ao tronco de uma árvore
Que já não faz sombra, nem dá frutos
Sua solidão é completa, quase humana
A palavra eventualmente se desgasta
O gesto invariavelmente se repete
É entendiante essa vida sem vontade
Mas infinitamente segura

A ciência diz o que pode soar como crendice
Um ser humano sem companhia se desfaz
Parte mais cedo, atrasa todas suas realizações
Como se apenas o outro comprovasse a si
Pensar já não é sinônimo de existir

Ontem voltou a chover, devagarinho
Evaporou-se a poeira do horizonte
O frio ocupou as frestas das casas
E por trás das tulipas desmaiadas
O suspiro errante foi ouvido
Apesar de contra toda a natureza
O sozinho segue caminhando
Respirar talvez seja um vício

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 22 de maio de 2013

“Cara Limpa”

Pela máscara do sorriso a lágrima também cai
Quantas são as nossas carapuças?
Quem realmente enxerga nossa alma?
Podemos culpar a indiferença alheia
Mas não foram os outros que levantaram a muralha

Somos frágeis, ridiculamente frágeis
Não bastasse, nossos sentimentos são alvos mais fáceis
A dor de um âmago prolifera da razão ao coração
Mas não me venha com copiosos afagos
A vida também foi feita para sangrar
O amargo é preciso como o entardecer

A lua cheia vem e a melancolia que sobe
Deixe tocar meus pés na tristeza
Abraçar a solidão de outros dias
Voltar a encontrar em mim a verdade
Ser feliz com um rosto livre de fantasias

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 15 de maio de 2013

“Pazes”

Hoje posso perdoar
Entendo que foi tudo passagem
O olhar que chamei de Amor
Ora foi reflexo, ora foi vazio
Aprendeu a ser passado
Eu cresci ao seguir em frente
Na época um passo na solidão
Agora já é um entre tantos
Todos me levaram ao encontro

A dor é um bom termômetro
Não há como evitar o choro
Restará sim o rancor do que não foi
Só a alma completa nos liberta
Não hesite em se magoar
O mundo inteiro pode ser doce
Apenas seguimos a provar

Tudo cai em desuso
Até mesmo a melancolia
Coração que encontra companhia
Não sabe mais voltar atrás
A palavra do amante
Não tem crédito com os solitários
Mas não lhes desejo meu hoje
Quero sim que tenham um amanhã

Hoje também me perdôo
Amar nunca foi demais
Abrir o peito nunca foi em vão
Sei que fui seco, fui duro
Em desespero abracei um coração
Só que sentir não se constrói
O que precisamos é de um depois

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 8 de maio de 2013

“Travesseiro de Pedra”

No calor o concreto esquenta que nem fogo
No frio parece um grande bloco de gelo
Em que temperatura fica a alma
Que por hora descansa o corpo sobre ele?
Já quase arde o Sol do meio-dia
Sei que o redor não lhe passa despercebido
Mas sua presença é alheia a realidade
A cama em meio a ladeira traz silêncio
Aqui não se divide a miséria
Nem com o gesto, nem com a palavra
Subimos como quem tem fome e sede
Subimos porque podemos saciá-las
E aquele sem nome fica com o frio do nosso olhar
A sociedade só nos cobra indignação
Ele é apenas resto da conta que não fecha
Somos todos denominadores desta equação
O mendigo na rua de casa...
É nosso resultado

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 1 de maio de 2013

“Rochas”

Será que o amor é caça nesses tempos?
Há tanta dor espalhada pelos olhares
Penso que só pode ser causa de predadores
Técnicas ultrapassadas ou talvez ausência delas
O coração é um infeliz perdido no fogo cruzado

Ninguém nasce sabendo estender a mão ao próximo
Mas também já não se faz questão das gentilezas
Ao agarrar o sentimento...sufoca, arranha, maltrata
O rastro na terra é de lágrimas
Os corações que ressecam, viram pedra

Doer é tanto da vida quanto amar
Mas não façamos disso nossa regra
Não vamos ficar atirando flechas ao deus-dará
A errar, sim, nobremente continuaremos
Mas com a tristeza sendo um velar que valha a pena

O amor não é caça, nem caçador
Ele não tem papel nessa peça, é apenas paisagem
Somos protagonistas das palavras
Somos coadjuvantes do sentimentos
Tolos a procurar pedras preciosas
Escondidas dentro do peito

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 24 de abril de 2013

“Deriva”

O dia nasce para todos, mas com certeza não nos diz as mesmas coisas. A luz aqui atravessa a janela, ali reflete contra os vitrais e também bate na madeira apodrecida que permanece em pé somente até os próximos temporais. Há muita realidade em um espaço cada vez menor. As linhas que definem o ser humano estão mais tênues, frágeis e (como sempre) prontas para se cruzar. O que faz de um olhar, um olhar de bandido? O que faz de um corpo e alma sofrida, desejar por paz? Se trilhamos um caminho de respeito e honestidade, venho a me convencer que é por sorte. Pessoas do mesmo passado tiram conclusões totalmente diferentes de suas experiências. Somos abismos profundos e distantes. Neste hiato muita coisa perde valor, como a vida. Desmerecendo a si, o outro vale menos ainda. O problema é sempre o próximo. Dói saber que a educação não é desrespeito a cidadania. Dói saber que a política não é desrespeito a sociedade. Dói ignorar que o presente desrespeito ao passado. Dói perceber que não verá mudança. Dói não saber o que deixaremos para trás. Dói perceber que tratamos a existência neste mundo como se não fosse desrespeito a nós. Dói, ao olhar para o lado, encontrar algo ou alguém tão abandonado socialmente como você. Dói não ter o que comer ou algo porque lutar. Dói entregar este futuro nas mãos de pessoas que quase sem amparo algum de nós decidirá entre o “bem” e o “mal” , entre querer ou desistir, entre acreditar ou apenas adaptar-se. Se chegamos até aqui é por sorte, o que faz da dúvida sobre um amanhã nossa única certeza. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 17 de abril de 2013

“Meu bem – me quer”

Meu amor não me arranca pétalas
Nem me guarda em uma cúpula de vidro
Estou exposto ao enlace de seus dedos
A mercê do sopro de seu lábios
Vivo onde posso lhe sentir da pele à alma
Sei que aqui fora, chove, ou o sol que não descansa
Só que aqui meu respirar não pesa sobre o tempo
Ser livre é poder escolher seus limites
Minhas fronteiras se confundiram com as suas
Não dependemos do acaso, nem da sorte
É teu carinho suave sobre a pele
Teu abraço gentil e protetor pela manhã
E um olhar que sei que não divide
...Moro em um coração onde só floresço

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 10 de abril de 2013

“Não me morra de saudades”

A saudade não quer fazer da falta uma rotina
Por isso te sinto cada dia que parto
Sou outro, pois me deixo completo contigo
Prefiro-me incompleto a te ocultar na alma
Tudo periga escapar entre as horas
Então não me importo que o amor vire agulha
Não pense que a distância me faz doente
Ela me faz crescer para suprimir qualquer espaço
Tenho a certeza que não precisava
Que te quero ao lado pro resto da vida

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 3 de abril de 2013

“Precipitação”

Há quem não sinta teu cheiro no asfalto
Quem não reconheça que vence qualquer superfície
E vive a embrenhar-se em busca de almas
Como podem não escutar teus suspiros?

O humano é mais fechado que pedras
O mundo algumas vezes é muito frio
Talvez esse nosso encontro seja raridade
Sabemos que uma paixão pode enganar os sentidos

Tua chegada a noite as vezes me assusta
Contra quem guarda tanta violência?
Acredito que apenas não abandona tua essência
A emoção te leva a todo lugar

Confesso, te amo mais quando sem pressa
Te faz mais companhia que passagem
Sorrio quando você observa a vida
Querendo saber se tudo segue a sua espera

O ar por aqui mudou muito
Mas vejo que isso não te incomoda
Tem fé nos teus desejos
Por mais que eles desaguem

A minha janela permanece aberta
Já acomodei meus braços no parapeito
Minha alma as vezes seca
Saudades de você chuva, saudades de você

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 27 de março de 2013

“O sentir não tem nome”

Desenhar o amor é muito fácil. Todo mundo já deve tê-lo feito, provavelmente mais de uma vez. É que se descobre que diferente coisas lhe cabem, talvez até mesmo tudo, mas nem tudo te serve. Seus traços podem reproduzir conceitos, pessoas, memórias, e (acredite) dores. São formas que experimentamos, nem sempre voluntariamente. Fico pensado nos moldes que não se encaixam. Será que arrastamos o amor, ou mesmo o deformamos para nos servir? Há muito na conta dele. O romance segue de uma maneira particular, obedecendo escolhas e essências. Sabemos, o humano erra, e também muda. O amor não esmaece, nem se dissipa, são os quereres que são outros, são os limites da alma que se atingem. O amor segue, só amor. Viver tem variáveis tão infinitas. Talvez o correto seja deixar esse desenho em aberto, não é preciso ter pressa, há muitos enganos quando só se precisa de um acerto. Não falemos dele, que apenas sente. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 20 de março de 2013

“Marasmo”

Lua encheu-se e se apagou
Não mais levantou as marés
Nem sobrepôs a luz da rua
As estrelas órfãs despencavam
Nenhum desejo seria suficiente

O sol não sabia quando se por
Navegar já não era preciso
O romance perdido no breu
A dama partiu sem companhia
Fechou os olhos para nossa vida

A cada sete dias ela chora
A cada sete dias ela cresce
A cada sete dias ela brilha
A cada sete dias ela desaparece
Tudo por aqui permanece

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 13 de março de 2013

“Apenas, um ensaio”

O apenas reduz tudo a sua mais ínfima parte. Simplifica e menospreza. Desmorona argumentos, apressa o tempo e faz até um sentimento caber em menos que um suspiro. É uma palavra que se reduz a um único e mais nada, uma palavra, poderiam dizer, que fez uma escolha. Ela é. Ao se deparar com algo tão irredutível muitas questões são levantadas e nos vemos desafiados. Nada pode ser apenas. Tudo precisa de inúmeras razões, tudo está sujeito a um ponto de vista, tudo por menor que seja é uma chance entre várias. Mas tudo apenas aponta direções, alcança o mundo em um único abraço, te dá a visão sem o caminho. A ideia que algo seja apenas é plausível, pois ele também é completo. Apenas não é limitar, é desenhar os contornos do que somos. Não é ser tudo, é ser todo, quantos podem dizer isso? Talvez este seja o motivo desta palavra ser tão inquieta, ela carrega um pouco de nossos sonhos. Pode parecer desconsideração, mas ela, como nós, que ser simples. Simplesmente viver, simplesmente querer, simplesmente amar. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 6 de março de 2013

“Energia de Ativação”

O agora é provisório
Nada quer ser inerte
As paredes buscam frestas
Os vidros vibram
O assoalho estala
Um movimento sólido
Transformando a vida
Só a ilusão permanece

O querer é uma intenção
Jamais um controle
O natural é o incerto
Tudo que nos escapa
É o caos que nos persegue
A organização garante a sanidade
Ninguém está pronto para ser livre
O humano é provisório

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

“Enclausurado”

Dentro de casa o mundo vira sonho
As paredes não tem imaginação
A vida é uma questão de reciprocidade
Ao trancar a porta aprisionamos a chance
Tudo é possível mas apenas isso
O sorriso da esperança não é falso
É uma sombra como na caverna
A alma se torna projeção do pensamento
Um corpo que se completa sem ser
O homem criou o que fazer
A ilusão consome a realidade
O concreto é tão abstrato quanto a ideia
Todos temos que dar este passo
Para o conforto de nossos sonhos
Para incerteza de realizá-los

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

“Previsão de Sentimento” (13/02/2013)

Comprei um pedacinho de céu azul. Pareceu-me prudente garantir um espaço em meio a imensidão do horizonte. Uma janela onde sempre pudesse olhar adiante, algum tipo de certeza sobre os amanhãs. Eu escolhi entre nuvens muito bem localizadas. Daqui ainda dá para ver os pássaros da árvore do vizinho, o arco-íris que se forma por cima do muro toda vez que chove. Se eu inclinar a cabeça eu vejo uma pequena casa, que daria para alcançar com os braços, mas é apenas uma ilusão de ótica. Ela permanece distante, em construção, com potencial para uma beleza única. Se olho para cima o Sol nasce e me franze o rosto, esquenta a pele, me abraça e me envolve. Sinto-me mais perto da vida, em contato com o mundo. É bom lembrar-se também como natureza. O vento bate na ponta do nariz e não importa muito a direção. Despeço-me com um sorriso sincero e saio com a certeza que no coração permanecerá tempo bom. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

“Completos” (29/01/2013)

O vazio da perda jamais se completa
Os olhares que virão a sorrir tristes
Fiel a ideia que a vida virou um fardo
Há quem faça sua paz com a dor
Mas e a dor que não é anunciada?

“Por que“ pode ser uma busca para vida toda
Perder-se é uma escolha, mas não uma troca
Punir-se é ser dor para sempre
A morte dos nossos próximos
Parece não deixar saída para quem fica

Agora, o mundo a nossa volta não nos deixa
A existência não perde sentido
Sabemos que jamais cessaremos o choro
A alma não foi feita para andar vazia
Mas podemos enchê-la de vida mais uma vez

Há tantos sonhos, alegrias e desejos
Para serem feitos no nome de quem se foi
Há ainda uma vida que pulsa em nós
A qual não nos deixariam abandonar
Há dor, mas há todo amor da vida que aqui esteve

Ninguém merece uma perda
Mas todos merecem ficar em paz

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

“Próximo” (28/01/2013)

Talvez o mundo lhe pareça um lugar cheio de estradas erradas. Nossa percepção da vida é influenciada por muitas variáveis, todas plausíveis. O reparo de nossa alma parece um trabalho eterno, sempre algo está fora do lugar. Mas não acredito que seja defeito de fabricação nascer assim “sem lugar”. Não falo de casa, cidade ou país. Falo de um lar para nossos sentimentos, desejos, sonhos, enfim, nosso ser. Ser é uma responsabilidade muito grande, mas não além da capacidade humana. Ser envolve escolhas, princípios e uma reconstrução constante de si perante a vida. Essa busca leva muitos ao desespero, mas esta busca leva. Fluir e fruir por este mundo é fundamental e as aflições de nossa alma é o que nos move. Algo que te mantém vivo, te mantém ansioso do futuro, não pode ser de todo mal. É que dói, eu sei, dói. Precisamos de um lugar que abrigue este nosso ser. Para alguns é a liberdade, para outros ainda que não pareça é a solidão, mas para todos em algum momento é a companhia. 

Zilhões de variáveis e eu venho repetir-me sobre a necessidade de se encontrar em outro. Mas não confunda com Amor, pois este é peça. A verdade é que em meio a essa lapidação do que se é, precisamos de descanso. Acredite, não há férias dentro do seu próprio corpo. Há muitas ruas sem saída, muitos sentimentos sem resposta, muita melancolia se misturando com os sonhos, muita mesmice no horizonte. Precisamos de outro que enxergue alguma vírgula diferente, algum alívio para todo universo que carregamos em nós. Precisamos renovar as forças de nossos ideais e rearranjar a harmonia da nossa paz. A construção desse lar é muito gratificante para se deixar pelos caminhos. Plenamente ser é incrível. Tudo que se precisa para continuar é um outro, é um corpo para descansar a alma. 

Talvez o mundo lhe pareça um lugar possível, todos os dias. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

“Avós” (22/01/2013)

Não é que a vida deixe de se criar
Ou que nós abandonamos nossos passos
Mas um dia a lembrança simplesmente invade
E todo agora se completa com uma história

Aquela estrada que ainda não existia
A noite mais fria da vida
Diversão tinha outras cores
Que os jovens de hoje não enxergam

Não há lugar que o passado não entre
A nostalgia vira companhia da rotina
Não sei se para suportar a realidade
Ou para adornar os dias

Perdido nas palavras eu sorrio
Há uma alma cheia de lugares na minha frente
A esperança de preencher a minha
Que amanhã eu tenha o que contar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

“Descanso” (16/01/2013)

O sol sempre nasce
A natureza sempre respira
Mas nosso olhar divaga
Se perde na distração da rotina
O tempo nos pede outras coisas
Contemplar a vida permanece na lista
Mais esquecido do que lembrado

Tem uma cadeira vazia na beira da praia
Tem um banco esperando na varanda
Tem uma rede balançando em ócio
Há tanta paz nas frestas do mundo
Nós aqui sem ao menos desviar o caminho
Ninguém precisa de permissão para parar
Faça sempre que precisar
É a alma que sustenta o corpo
É a imensidão da vida que alimenta a alma

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

“Forças” (08/01/2012)

Há quem viva na beira do caminho
O mar carregou, mas insistiu
Ninguém volta sem marcas
A cicatriz nos diferencia tanto
É difícil aceitar sem reconhecer
Mas não há mão estendida
O estranho deve saber seu lugar
Toda essa luta para voltar
Não há espaço para pedir socorro

Existe caminho sem volta
A escolha será sempre do outro
Isso não nos faz isentos
Expulsamos tudo que é diferente
Evitamos o desconhecido
Como se um fosse fazer tudo ruim
Mas o todo não pudesse fazer desse um, bom

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

“Fortaleza” (07/01/2012)

É estranho defender a si
Parecemos utópicos
Contrariando por simples despeito
O diferente, o alternativo
Amaldiçoado a se arrepender
Segregado por uma escolha
Como é difícil perseguir um sonho

Ninguém quer se ver só
Se preciso destrói horizontes
Tudo por sua causa mesmo que perdida
O querer não sobrevive fora da alma
Precisa do coração certo
E de uma força desconhecida
Pois a oposição pode ser todo resto

Caminhos não faltam
A felicidade reside com nossa escolha
Cada vida tem o que a completa
A maré sempre levará alguns
Meu norte só faz sentido para mim
Por isso defendê-lo
Não há quem vá lutar por você

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

“Rumo ao Futuro” (02/01/2013)

Todo desconhecido vive entre medos, ainda sim beira novos sonhos. O passo nunca se parece com o desejo, mas é exatamente a descoberta que o mantém vivo. Ao nosso lado temos a escolha e o coração. Não se engane, a razão não está em nenhum dos lados. Confiar em si jamais foi garantia de sorrisos. Ao decidir fazer a curva, muito pode doer, muitas coisas podem se perder e o destino se embaralhar. Só que no fim dela permanecerá seu espírito. Nenhum outro horizonte além daquele que você desenhou te trará paz. É o que nos mantém derrapando nessa estrada ajustando a direção. Os sonhos e os fracassos vão continuar beirando o possível, mas a escolha e o coração estão do nosso lado. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho