"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

“Resolução de fim de ano” (06/11/2012)

Vida se divide? Não digo compartilhar, mas dividir, como um bolo, como férias, como dinheiro até. A diferença é que sabemos nestes casos o quanto temos e assim podemos ser justos. Para contar a vida precisamos de uma medida. Segundos, horas, dias, anos? Isso tudo mede o tempo, mas a vida se mede em tempo? Mesmo se esse fosse o caso, não há tempo determinado para nossa vida. Aliás, de ninguém, talvez das moscas que dizem sobreviver 48 horas, mesmo assim é arriscado afirmar algo desse tipo. Então se a vida não está dividida entre o ontem, o hoje e o amanhã, devemos ter a medida errada. 

Se fosse então os sentimentos que determinassem essa divisão. O primeiro amor, a primeira dor, as viagens inesquecíveis, as pessoas que partiram, o encontro com a nossa felicidade... Seria bom que fosse assim, dividiríamos a vida livre do tempo, pelas intensidades. Mas no mundo de hoje, efêmero e individualista, não posso garantir que certas alegrias cheguem a todos. Diante uma sociedade desigual seria menosprezo de minha parte desconsiderar as vidas que passam ao meu lado com suas particularidades tão belas, com dificuldades tão mais profundas. Cada vida conta. 

Estaria então a vida a medir o ser humano? Mas a vida é feita de unidade única, singular, exclusiva. Tem diferentes formas e tamanhos. É muito mais do que idosos adultos e crianças. São classificações que seguem sem dividir a vida. Não posso fazer ela esperar as festas de fim de ano para mudar as coisas. Ou que eu só encontre meu grande amor carnaval. Termina-se um ano e pensamos em tudo que queremos para nossa vida no próximo. Mas a vida não é um ano, nem precisa esperar. Eu então resolvi que divido a vida em tudo que ela é, e tudo que ela ainda pode ser. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

4 comentários:

  1. Pura sabedoria, dentro da linha tênue entre o agora e o depois.

    Abraços poeta!

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  2. Boa reflexão, Danilo.
    Pra mim, a vida é esse intervalo entre o nascimento e a morte. Indefinível, eu diria, e sempre por ser feita.
    Abraço.

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  3. O que divide o tempo é a nossa memória.
    O que divide a vida são nossos olhos.

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  4. Vida é mistura
    que ousar puxar
    a linha do horizonte
    talvez perceba que somos partes
    de um inteiro.

    Um beijo de poesia.

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