segunda-feira, 24 de setembro de 2012

“O Coração e O Amor” (18/09/2012)

Há muito tempo atrás, aqui nessa mesma palavra, viviam muitas outras. Declarações, loucuras e tragédias. Nunca pareciam ser o bastante, partiam sem chegada, tinham uma pesada bagagem, creio que jamais foram livres. Eram alguns gritos, outros quase apenas pensamento, que rodeavam o mundo sem sucesso de lhe chamar a atenção. Pobre palavras frustradas, queriam apenas servir seu destino. Eram abismo sem resposta, não importa onde tentassem chegar. Até onde vai uma palavra? O mais fundo que já haviam ido era no mergulho de uma lágrima e desta conquista não podiam sorrir. Pois as palavras tinham um plano. 

Rima por rima desmontaram-se os versos e pelo silêncio perdiam a formalidade das métricas. Elas que já tinham pulado de precipícios, foram caladas sem motivo, desconsideradas como se fossem ilusão; Agora se retiravam, sem protestos ou vinganças, mas por escolha. Sabiam de alguma forma que não precisavam encontrar o caderno apenas nas tristezas, pois afinal tudo que vive respira, nem que seja um pouco, de alegria. Já passava da meia-noite quando o encontraram de braços abertos. Foi uma verdadeira festa. Cada palavra lançava um verso que rimava com felicidade e tinham para si, em suas certezas, que haviam encontrado seus propósitos, e assim descreviam vidas maravilhosas. E mesmo assim o Amor andava cabisbaixo. 

Sentia falta do Coração e todas suas loucuras, todas as suas emoções, até mesmo a tristeza tinha deixado saudade. Ele não se incomodava com o eterno sonho, ou com os desejos que não se completavam. Sentir era suficiente. Mas quem lhe daria ouvidos? As palavras estavam alegres, livres, falando de borboletas e nasceres do sol. Sem melancolias, entrelinhas, ou coisas do tipo. Eram claras, objetivas, uma só. Ninguém queria voltar. O Amor tinha consigo a esperança, que as outras palavras tinham deixado para trás. Esperança que essa felicidade também existia por lá. Mas não havia argumentos, foram anos de procura, agora elas queriam a vida. 

Foi no fim de um inverno, depois de muito falatório, avisos e das palavras se repetirem em suas histórias, que o Amor partiu. Levou consigo a esperança e mais nada, era só silêncio. O caminho era longo, mas ele não olhava para trás, seu destino era sentir e para isso não precisava das palavras. Depois de dias e noites com a esperança que não lhe deixava nem nas intempéries, ele ouviu e reconheceu de imediato aquele ritmo, quase que como uma música que o estava chamando. Abriu os braços, beijou o chão, fez juras e uma única promessa: de jamais voltar a partir. 

Hoje não há palavra que encontre o Amor e olha que muitas delas tentam. Todas sabem onde ele mora, lhe mandam recados, mas não saberiam descrever o seu caminho. Hoje o amor vive de olhares e esperança, e também dizem que volta e meia, a felicidade visita seu abrigo. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

9 comentários:

  1. Perfeito...sensacional,incrível..palavras deveras escassas para transmitir a emoção proporcionada por suas palavras,parabéns!!
    Lailson Dias

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  2. Linda esta prosa poética!
    E que o Amor, se partir, não deixe de voltar.

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  3. Maravilha de texto.

    Que as palavras aprendam a encontrar o amor.


    Beijos

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  4. ´Para mim, o amor está no armário, brincando de pique esconde, as palavras tentam encontrá-lo, a esperança abrigá-lo, mas ele só quer brincar!bjos

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Lindo o pensamento que você deixou no meu blog, obrigada!bjos

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  8. É viver com o que sobrou ou com o que não conseguiu partir entre tantas partidas?


    Beijo-te.

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