segunda-feira, 27 de agosto de 2012

“Amanheceres” (14/08/2012)

A madrugada ainda não nos deixou os olhos, mas os pássaros cantam anunciando o dia. A aurora parece nos perseguir ao longe e ficamos espremidos entre a manhã e a noite. O tempo nos é tão escasso que escapa enquanto precipitamos nossas mãos até a janela. Um gesto ainda meio sonhado que ao término já encontra as nuvens brancas do seco inverno. Sábios são os pássaros. 

O humano acostumou-se a construir-se e viver sobre a natureza. Mas a conformidade não faz das coisas uma verdade. Não conheço flor que seja pano de fundo. Se pudesse dormiria de fronte ao horizonte para que o raiar viesse me lembrar da vida, e o encontro entre o sonho e a realidade não fosse tão súbito.

Penso que talvez se não invadisse a madrugada, o Sol me revelaria meus desejos e seria então só dar bom dia para a felicidade. Mas é provável que tudo permaneça na penumbra do amanhecer. Uma chance, como todo dia o é.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

2 comentários:

  1. A madrugada apaga a via anterior, cada amanhecer, novo caminho.

    Abraços poeta!

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