"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

segunda-feira, 28 de maio de 2012

“Subterrâneo” (28/05/2012)


Aqui a vida passa
Não carrega nem leva
Passa
Comboios de destino
Sugados de vontade
Ausente no espaço
Presença não é só corpo
Murmúrios de lamentação
Mas nenhuma voz se levanta
Passivos do que os guiam
A luz não ilumina o horizonte
Todos satisfeitos com esse agora
Histórias nos reflexos dos vidros
Namoros de olhos desencontrados
A investigação sobre o outro
A surpresa de ser, também, observado
Cabeças a meia altura
Fogem do resto como de si
Ombros arqueados pelo tempo
O verdadeiro cansaço te acorda
Venceu teus sonhos
Como é difícil nascer nesse concreto
Mas se não há alma que tente
A vida passa sem desembarcar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 24 de maio de 2012

“Confiança” (20/05/2012)


A manhã nasce
O sol deita sobre nosso rosto
E antes que os olhos precipitem
A mente imagina
Na efemeridade do segundo
Somos somente esperança
Desfeita a fantasia
Somos o cru do que tocamos

Um dia insisti
Voltei a fechar os olhos
Abri os braços e caminhei
Mas o mundo tinha se perdido
Os passos eram incertos
A alma não podia partir

Presos a realidade
Os corações ficam inertes
Os sonhos suspensos
Se coubesse nossa vida
Naquele milésimo de promessa

Pois foi em um desaviso
Que meu corpo recostou no próximo
Ancorou-se pelos dedos
E se viu livre para acreditar
Desenhou universos inteiros
E ao abrir os olhos
O sorriso ainda estava lá

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 21 de maio de 2012

“No limite da mágoa” (17/05/2012)


Pereceu hoje pela manhã a última gota de lágrima. Seca contra o vidro. Sua marca virá a esmaecer em tons de bege ao lado de outras memórias. Sujeiras que se limpam como o canto de um olho. O corpo que foi levado na maré da tristeza repousa sobre a areia, devolvido a mercê dos próprios passos. O sol não o acorda, o vento não o incomoda, a chuva lhe é indiferente. O sentimento perdido aleijou-lhe de vontade. Assim diariamente nega o horizonte que nasce. Ninguém é cego de paixão, apenas depois dela. Pela janela passaram prazeres, atrás da porta do quarto ficaram os desejos e a casa permaneceu fechada. Guardado no fundo da cama o humano por trás da vida.

Tudo que se sente está do outro lado. Fechando os olhos para o mundo, passam também as alegrias.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 17 de maio de 2012

“Expirando-se” (14/05/2012)


A carapuça serviu
Como máscara de baile
Acostumou-se com a fantasia
As paixões que ardem
Os contos que acordam
Veste-se esse sorriso barato
Despe da realidade vigente
As verdades e a razão
O lógico e o possível
O só se tornou todo
Como se não pudesse ser mais nada
Abandonou a si no espelho
Saia com a roupa de outro
Abria jornais os quais não lia
Dormia sobre sonhos desconhecidos
Passos sem caminho
Mandava cartas para si
Nunca chegaram
Mudou-se de alma
A existência lhe ficou vacante
A insensatez é humana
Que ao sentir abdica do “eu”
Mesmo fazendo parte do “nós”

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 14 de maio de 2012

“Despetalando Nuvens” (07/05/2011)


Rasgam entre as sombras do outono sorrisos amornados. Invejam aqueles que passam perenes sem proposta de destino. O inverno será uma prova, mas não o fim dos solitários. O sentimento é o tronco da árvore que por hora se desfaz, resistindo ao vento, encolhendo-se diante o mundo. Ninguém duvida que se manterá viva. Pois os rostos sem felicidade guardam na alma forças inconscientes. Essas se farão presentes quando faltar o abraço. A verdade é que contamos muitos invernos até começar a contar primaveras. A vida é um céu entre nuvens. As vezes plena, outras ausente. Quando olho para estes sorrisos a meia luz, passo a pertencer a uma esperança de que muito em breve eles amanhecerão plenos. 

Deixe o outono passar. Deixe o inverno ser. Os nasceres ainda hão de nos levar até as flores.


Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 10 de maio de 2012

“Sentimento Inerte” (03/05/2012)

Faz frio
Ainda não é madrugada
O que seremos noite adentro...
As estrelas são escassas
O concreto deixa tudo mais preso
Entre paredes escondemos a face
Deixamos para trás vazios
O vento gelado sopra
Sussurros de uma solidão
Não haverá cobertor que a cubra
Mas a alma sobreviverá ao inverno

Há um lugar em nós
Guarda um sentimento improvável
O desenho de nossa felicidade
O abraço mais profundo
Um sorriso para toda brecha
Vive no corpo uma chama
Seja ainda sonho ou realidade
Que faz do mundo aconchego
Todos plantamos amor a vida
Que engrandece quando nos encolhemos.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 7 de maio de 2012

“Virada no Tempo” (28/04/2012)


Tem dias que são assim. Enrolamos o corpo no cobertor, escolhemos o melhor lugar em frente a janela e deixamos chover. A vida ganha outra perspectiva no prisma das gotas que irremediavelmente tentam se agarrar no vidro. Eu prefiro recostar contra o parapeito, ficar à beira de tudo, sabendo que não farei nada. Podemos ser apenas retrato. Esses dias de frio deixam tudo na ponta do nariz. Um íntimo que te faz acreditar no resto, um aconchego que te traz paz. O asfalto se veste de natureza refletindo as árvores das calçadas. Tudo respira, se aproxima, aperta-se, como se fossemos só inteiros. Gosto de pensar assim. Largar esse papel de peça. O viver é tão moldável quanto os sonhos, a diferença é que um deles está nas nossas mãos. Ao olhar para fora o que está por dentro, ficamos mais possíveis. É encolhido na existência que descobrimos o total de nosso ser. É assustador, tanto que o dia deságua sem nem percebemos. Precisamos de um tempo para olhar para dentro e assumir os nossos sonhos. De tempos em tempos crescemos, enrolados no mesmo velho cobertor.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 3 de maio de 2012

“Imperfeições” (25/04/2012)

Vivemos a procurar os nuances de um amor, as suas delicadezas idealizadas que o fará nosso e único. Pois cabelos encaracolados todo mundo tem, mas só o seu cai pro lado direito, arrepia de pertinho e me deslumbra andando na rua. Olhos bonitos todo mundo tem, mas amendoados recheados de chocolate e grandes para caber uma alma, só você. Teu sorriso é centralizado, discreto, tímido e sincero, meio que pede mais. O rosto tem outras miudezas como lábios finos e o nariz todo perfeitinho. Tua nuca tem um rabo de cabelos lisos como de bebês. Já teus braços levam as mãos firmes de dedos compridos com um dedão um pouco desviado. A silhueta não é igual das outras. Tem um corpo proporcional, vistoso que você sabe valorizar. Tuas pernas arrepiam e teus pés são pequenos como de um anjo. Abraço todo mundo tem, mas só o seu me fez ficar. 

Talvez não ser o outro, seja o melhor que possamos ser. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho