quinta-feira, 8 de setembro de 2011

“O Amor que Desconheço” (01/04/2007)

Passo pelo amor da minha vida todos os dias
Ela fica para trás na busca por chegar lá
Lá onde nenhuma promessa me foi garantida
Lá onde os sonhos também não estão
Lá onde encontrarei o puro e real
Ali na próxima rua, virando a esquina
O incerto, o dúbio, o abstrato

Todos os dias meu amor espera na porta da igreja
Eu estou com meu smoking, mas nunca chego
Saio para outras festas, danço com outros pares
Encontro sorrisos em outros abraços e pernas
Tenho mil namoradas e nenhum amor
Termino aqui mesmo por este chão
Frio, concreto e intransponível

Meu amor, todos os dias, me compra flores
E eu sempre insensível as deixo secar
Eu não passo por nosso apartamento
A geladeira está vazia, falta carinho e atenção
Uma foto de uma chuva que pegamos
Uma cama desfeita guardando memórias
Paixão, voracidade e ilusão

O amor da minha vida gasta horas ao telefone
Fico com som de ocupado em vez de sua voz
Quando vai me ligar é no momento que não estou
Eu, por mania, não retorno minhas ligações
Ela não gosta de insistir e se repetir nas mesmas
Eu e ela somos totais desencontros
Despreocupados, desavisados, distraídos

Eu faço constantes juras ao meu amor
Falando a verdade, ela nunca me ouviu
Nunca parou para ler minhas poesias
Teria inúmeros motivos para odiá-la
Mas por apenas um motivo não o faço
Estou naquele momento de ficar
Atordoado, escuso e complicado

Meu amor insiste em me desmentir
Conta aos amigos que está sozinha
Mas não posso culpá-la por isso
Todas minhas cartas ficaram em gavetas
Todas minhas palavras ficaram entre paredes
Assim nós dois permanecemos
Alheios, estranhos, distantes

Ass: Danilo Mendonça Martinho

Você pode ouvir este poema no próximo dia 22 de Setembro na "Noite de Autógrafos+ Sarau" do livro "Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI". Para ganhar o seu autógrafo basta levar o seu exemplar. (Compre aqui)

Conto com vocês.

7 comentários:

  1. O amor é um eterno desconhecido e uma eterna descoberta.

    ResponderExcluir
  2. Poeta!

    Jeito lindo de traduzir uma espera. Sabe, às vezes, amor é desencontro. Vidas que seguem paralelas, mas nunca se cruzam... Outras, é só uma porta que esquecemos de abrir.

    Amo seus comentários: Uma única frase com conteúdo imenso.

    Beijos,

    ResponderExcluir
  3. O poeta ensaia a vida que vai levar no sonho.

    ResponderExcluir
  4. Encontro com eles todos os dias, mas não me faz-se presente. Exatamente o que passo todos os dia.

    ResponderExcluir
  5. As vezes não o vemos, mesmo sentindo-o ao largo e ouvindo-o chamar.

    Abraços

    ResponderExcluir
  6. O AMOR..TEMA ETERNO. O AMOR É O MAR..É O MAR...QUE LEVA E TRAZ OS SONHOS DE UM BEM QUERER.UM DIA O AMOR BATE NO PORTO E NÓS...POR ACASO(!)LÁ ESTAMOS.O POETA SOFRE E CANTA SUAS DORES DE AMAR.

    ADOREI TUDO AQUI.ABRAÇO

    ResponderExcluir
  7. Coisa linda, singela e cheia de esperança, como deveria ser todo amor! Leio e suspiro...e sorrio feliz, por saber que a espera não é só minha, mas, de muitos. parabéns, poeta querido! :)

    ResponderExcluir