"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

quarta-feira, 9 de março de 2011

“Entre a dor e alegria” (07/03/2010)

A noite se aproxima como quem se aproxima do sonho. A gente veste a máscara, constrói a fantasia. A festa começa por dentro. A luz acesa no olhar multiplica em outros rostos, reflete pelas ruas onde brotam esperanças. É tudo que o corpo precisa para abrir os braços, negar os medos, cegar as incertezas. A multidão não pede identidade. Tudo é supérfluo, efêmero e intenso. Não há nada do que se precise, mas muito do que se quer. A vida tem um lapso de infância, gosta e desgosta, usa e já não quer mais, esperneia e faz birra se não consegue. Mas logo esquece, quer voltar a brincar. E no jogo infantil se jogam desejos maduros. O beijo vira romance e o abraço história de amor. Celebra-se o encontro como se fosse único e promete-se liberdade para o amanhã. A festa segue sempre com novos passos e nunca com destino. Se a madrugada te perder será melhor, quando não há tempo não é necessário julgamentos. Se valer a pena seremos memórias, se não basta acordar. A noite não precisa de estrela e a manhã de raiar do sol. O coração serpentina desfeito e o corpo mundano satisfeito, tudo pode acabar.

A dor começa como o amanhecer em cada feixe de luz que vence a fresta. A inevitabilidade do fim. Um conjunto de suspiros lamentam um sonho coletivo particular. Alguns enxergam o martírio das desventuras das fantasias, das máscaras que vem a cair. Outros se prendem aos desenganos e transformam na sua verdade a ilusão. Por um momento parece que sempre que acordarmos será esta quarta-feira. O que fica, o que marca, o que faz disto algo tão especial é esse sentimento, a consciência de que acabou. Há poucas coisas na vida que já se planeja o choro e o luto. A realidade é que o carnaval é feliz por completo, dói por completo e chora até a última lágrima. Há tantos amores inacabados, amizades mal resolvidas, mas o carnaval é o equilíbrio da dor e da alegria. Quem dera a vida fosse sempre assim: um sorriso para cada lágrima.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

11 comentários:

  1. resumo com um samba:

    "tristeza não tem fim, fecidade sim"

    Lindo o teu texto.

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  2. Tudo o que você escreve é lindo poeta! Lindo e intenso!

    ^^

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  3. E será que não é sempre assim? Acho que a gente as vezes se prende a detalhes que se olhados por fora seriam menos importantes do que parecem ser. rs
    Enfim, somos humanos. bacio

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  4. Entre a dor e alegria estamos nós, humanos. Demasiadamente humanos!

    Bjos Dan.

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  5. Tristezas intensas que permitem nem que seja por um momento que a alegria se faça presente...
    são as máscaras da vida...
    bjs adoro te ler...

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  6. Carnaval... tempo bom para mergulharmos em nossos anseios e pensamentos, a fim de entender coisas que a correria do dia a dia não nos deixa pensar!

    Belo texto!

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  7. Belissima a sua cronica. Interessante e de boa reflexão. Parabens

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  8. Já te contei um segredo? Vou revelar: sou apaixonada pelas suas palavras !!!

    Carnaval...
    Ah se os dissabores tivessem esse gosto intenso que se finda numa quarta cinza com memórias coloridas...
    Poderíamos ser eternos. Mas nossa lembrança não é?

    Bom fds !

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  9. Além da mensagem, verdade maior desta vida, a sua prosa está intensamente linda!
    Me recobri,vi e descobri ali.

    Um abraço!

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  10. "Alguns enxergam o martírio das desventuras das fantasias, das máscaras que vem a cair. Outros se prendem aos desenganos e transformam na sua verdade a ilusão".

    No mais, fico introspectiva depois do que li.
    Agradeço sempre suas visitas.

    Um grande abraço,

    Ana M.

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  11. Olá meu querido!
    Passando para lhe desejar uma semana linda!
    Beijos meus

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