"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

“Tua lembrança” (21/02/2011)

Há um sonho que não me deixa
Ele não se limita as madrugadas
Segue como sombra meus passos
Disfarça-se silenciosamente nos meus suspiros
Tua imagem é mais real que gostaria
O sentimento mais forte que imaginava
Ele me descreve em teus braços
Concede o beijo que me nega
São inúmeras variáveis favoráveis
Nenhuma aceita pela realidade
Mesmo de posse do impossível
Traio minha razão com você
Sem me importar com o sorriso ilusório
Sempre haverá um pedaço de mim
Incapaz de lhe negar o sim
O pedaço que você levou

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

“Unilateral” (16/02/2011)

Cansei de ser a voz que chama
O único corpo que quer
O olhar que sente
Cansei de ser a ponta vazia da história
O poema jogado no lixo
Como se meu gostar fosse menor
Sem merecer um não
Cansei da palavra muda sem respostas
Tenho o meu coração e meu caminho
Tenho meu horizonte e uma verdade
O teu nunca me fez parte
Tudo bem se a campainha não toca
O que nos une não é mais presença
É preocupação de ter que esquecer
Mas até ela, parece somente minha

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

“Viés” (15/02/2011)

Tenho medo
De que o beijo aprisione
A lembrança fique viva
Que só enxergue um futuro

Quando escolhi o nós
Preguei a liberdade
Só esqueci do meu abraço
Poderia não te deixar

Desejo tua felicidade
Longe da minha presença
Não é justo alimentar distâncias
Negando o agora por um encontro

Desconheço nosso resumo
Pela incerteza é que peço
Não façamos pensando em nós
Vamos proteger o intangível

Tenho medo
De que o beijo esmaeça
Em sentimentos exacerbados
Nossa única verdade

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

“Tudo também” (03/02/2011)

Tudo que pensa, esquece
Tudo que sente, sofre
Tudo que diz, se despede
Tudo que ouve, cala
Tudo que cheira, fede
Tudo enxerga, cega
Tudo que sorri, lamenta
Tudo que deseja, mente
Tudo que abraça, parte
Tudo que faz, destrói
Tudo que promete, decepciona
Tudo que caminha, não volta

Tudo que pensa, sonha
Tudo que sente, ama
Tudo que diz, se entrega
Tudo que ouve, compreende
Tudo que cheira, instiga
Tudo que enxerga, salva
Tudo que sorri, acredita
Tudo que deseja, constrói
Tudo que abraça, não solta
Tudo que faz, tenta
Tudo que promete, alimenta
Tudo que caminha, se perde

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

“Poeta Desertor” (02/02/2011)

Um ar pesado me encontra
No fim de cada palavra
O sussurro negligenciado
Consumindo cada linha
Por mais que me desfaça
A sombra ainda permanece
Não há poema sem rastro
Que não carregue omissões
O poeta que aguarda
O revelar dos segredos
A morte da verdade
No respiro de cada verso
Meus pêsames a esperança
Senhora de todas as rimas
Teus filhos a abandonaram
Construindo uma mentira
Aqui onde toda voz é vã
Nascidas já em silêncio
Que também pode sufocar
Não me venda esse olhar
Como se tivesse salvação
Apertei o gatilho
Trouxe a caneta até a mão
Devassei um princípio
Como quem ama quem não quer
Ao esconder o coração
Assinei-te o exílio
Fiz de todo sentimento uma guerra
Entrincheirado neste sótão
Percebi tarde demais
Diante o papel em branco
Quantos corpos hei de enterrar?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

“Ansiedade” (30/01/2011)

A madrugada me antecipa
Imagens do que desejo
Acordo antes do alarme
Meus olhos querem te ver
É tarde para o coração
A expectativa pulsa
Só resta a realidade
Última instância dos sonhos
Juíza de nossas verdades
Luto para que não me desminta
O beijo cúmplice
O abraço incondicional
A certeza da presença
E sei que posso falhar
O sol já nasce
Trazendo o que não poderemos negar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

“Hoje não” (07/02/2011)

Embrulhou-me o estômago
As faces que se desfaziam
Olhares que já não pertenciam
De um dia para outro
De um momento para o próximo
A dor que parecia na minha pele
O mundo que caia a nossos pés
O corpo que se sente injusto ao ficar
A alma que não sabe o que dizer ao partir
O dia pesa sobre as cabeças sem exceção
Corações em um mundo que os desconsidera

O sol já podia se pôr
Não restou nem sombra de vida
Somos olhos sem direção e propósito
Perplexos pela realidade que se repete
Sufocados pela fala amarga
Ninguém devia sentir isso
Nem mesmo uma segunda-feira
E se é que podemos pensar em algo
É o amanhã

Ass: Danilo Mendonça Martinho

Hoje, infelizmente grandes profissionais e colegas da Rádio e Tv Cultura(SP) foram dispensados. Ninguém ganha nessa história e a dor é geral. Minha mais profunda sorte para eles.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

“Antes do chão”(27/01/2011)

Descobri que é muito fácil ficar nesta beira, construir-se como mártir. É fácil olhar essa paisagem de belezas poéticas e ideais românticos. Que este momento não passa de uma promessa que ninguém está disposto a cumprir. A vida é maravilhosa quando sonho e apavorante como realidade. Queremos que alguém nos convença de que não é necessário o sacrifício, queremos posar como algum último cavalheiro. Paramos a beira do precipício pelos motivos errados. Usamos nobres sentimentos sem o menor escrúpulo. Defendemos valores pelos quais jamais lutaríamos. A idéia aqui nesta beira é maravilhosa, mas ninguém sabe o que é sobreviver uma queda. O salto é solitário e pessoal. Uma escolha egoísta que se faz para se mostrar como algo melhor. Mas há verdades demais pelo caminho e uma grande realidade final. Não há altruísmo, ninguém se joga por outro, e só teu corpo que cai. Tua alma que sente as lembranças, as distâncias e o que abandonou. O discurso pode ser lindo envolvido no romance de outro século, mas os gestos dessa humanidade falha são em falso. Não conheço ninguém que tenha ido até o fim. Há muita diferença entre o que se vê daqui, e o que se sente.

Ass: Danilo Mendonça Martinho