"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

quarta-feira, 30 de junho de 2010

“Todo mundo um dia:” (22/06/2010)




Forma uma banda
Escreve um poema
Rasga uma carta
Desaparece por um dia
Desespera-se sem motivo
Parte sem um abraço
Permanece esperando
Vive um sonho
Diz um impropério
Pede perdão
Perde a razão
Cede a loucura
Derrama uma lágrima
Deseja o fim
Descobre o recomeço
Ama incondicionalmente
Enfrenta a solidão
Sofre por outros
Sobrevive uma decepção
Grita de raiva
Exagera no drama
Sente uma saudade
Cria uma fronteira
Vira a página
Ignora uma verdade
Declara uma infâmia
Omiti um coração
Cura uma decepção
Abandona um princípio
Esquece uma inocência
Altera o caminho
Declama um adeus
Desvia um olhar
Sonha sem limites
Enxerga um horizonte
Chega a um final
Respira-se fundo
E sobrevive

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 27 de junho de 2010

“À Deriva” (15/06/2010)




Passei por rigorosos invernos
Guardei as flores na gaveta
Mantive a chama acesa
Deixei a porta aberta
Parti

Andei pelo meu imaginário
Levantei uma bandeira
Defendi um princípio
Agarrei-me a uma estrela
Encontrei-me

Apossei-me da liberdade
Assisti fronteiras caírem
Percorri imensos vazios
Descobri-me em solidão
Apaixonei-me

Investi no meu desejo
Acalmei os meus passos
Desviei meu caminho
Negligenciei outros olhares
Perdi-te

Sonhava com outros lábios
Desfazia-me em ilusões
Desmoronavam minhas verdades
Estabeleci minha loucura
Fugi

Apaguei a imagem no espelho
Rasguei uma carta
Omiti alguns versos
Joguei meu coração ao mar
Salvei-te?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 21 de junho de 2010

“Completos” (11/06/2010)




Tua presença foi ostensiva
Busquei insistentemente teus olhos
Teus suaves lábios ensaiaram um sorriso
Era um encontro de sensações
Denso, intenso, real, utópico
Tentei desvendar teus traços
Nosso tempo foi escasso
Nem enamorarmos as possibilidades
Desejamos algo além do silêncio
Nossos corpos se procuravam
Mas existem fronteiras
Impostas sobre nossas palavras
Uma desculpa para nossa distância
Apaixonamos pelo mistério
Diante tua delicada alma
Não podia perturbar o instante
Só havia espaço para nós dois

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 13 de junho de 2010

“Sinestesia” (08/06/2010)




O vento que sopra pela janela
O cascalho na porta da frente
O sol entre os eucaliptos
A chuva que molha o asfalto
O colorido marcando o horizonte
A névoa que invade as manhãs
Os pequenos fachos de luz
Um céu perfeitamente azul
Ou mesmo vestido todo de branco
A velha chaminé que permanece
Antigas casas que resistem
Um rio que corre despercebido
As folhas que caem pelo chão
As flores que brotam do concreto
O canto que anuncia o dia
O manto que traz a noite
Com algumas raras estrelas
E uma única rainha
São sutilezas em minha alma
Que amanhecerão novamente

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 10 de junho de 2010

“Hoje não, meu bem” (31/05/2010)




Não tenho nada a dizer
Descobri-me falando sobre nada
Meus sonhos estão acordados
Fui corroído pelos desejos
No final de cada gesto
Sobrou apenas minha própria mão
Mantenho valores baratos
Superestimo o meu coração
Sou uma propaganda enganosa
Estou repleto de um vazio.

Hoje me dói um sorriso
Como me rasga o romance
Quero chorar sem motivos
Quero aliviar do meu peito
A tristeza que hoje me venceu
Entreguei a ela as palavras
Nem tente me procurar
Deixei-me antes do amanhecer
Desculpe, mas ao menos hoje...preciso morrer

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 6 de junho de 2010

“Me Perdoa” (26/05/2010)




Fui descuidado com as palavras
Logo eu, que se diz poeta
Não coloquei os sentimentos na balança
Como que sem escrúpulos
Como um outro qualquer
Atirei um coração ao papel
Nunca imaginei poder ferir
O que só aumenta minha culpa
Transgredi uma inocência
Não quero mais salvação

Mas se de algo servem meus versos
Que ao menos teus olhos
Que ao menos a tua alma
Possa me desculpar antes de partir
As nossas verdades que omiti
As ilusões que alimentei
A liberdade que nos tirei
Prendi nosso amor em um papel
E nossas rimas ficaram aquém

Neste último momento
Enquanto a chama se extingue
Enquanto a porta permanece aberta
Peço uma gentileza final
Não me veja partir
Perdoa teu coração
Pela alegria de ter amado
Um poeta sem métrica
Uma rima sem razão

Ass: Danilo Mendonça Martinho