"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

domingo, 28 de março de 2010

“Bem Estar” (22/03/2010)




Não conto mais pétalas de rosas
Não arquiteto mais nenhum verso
Tudo acabou-se dentro de mim
Os últimos já levantaram acampamento
A grama verde já volta a nascer
E não demora a você esquecer também

Fui réu confesso de meus erros
Fui sem saber para onde
Defini então todos meus limites
Cansado de tentar demais
Fui encontrar em mim um lar
Onde sempre quis estar

Perdoe minha sinceridade
Perdoe minha falta de jeito
Mas o amor é alguma outra coisa
Aquém de qualquer explicação
E já não posso mais me importar
Nem imaginas do que abri mão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 24 de março de 2010

“Nome e endereço” (19/03/2010)




A solidão e a tristeza não se conhecem.
A bondade e a beleza não moram na mesma rua.
A verdade tirou férias e a mentira morreu antes da hora
O medo é primogênito e a coragem filho do meio
A felicidade não tem lar e o amor argumentos
A ansiedade às vezes dorme com a saudade
O ódio é visitante sem aviso e o rancor inquilino
A angústia e a melancolia desejam opostos
A virtude talvez não esteja entre nós

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 21 de março de 2010

“Quem está perdido só pode aceitar direções” (18/03/2010)




Por tempos estive em suas mãos
Orientações cegamente seguidas
Seu olhar não sobreviveu no meu mundo
Agora tenho minha própria janela
E você quer apagar meu horizonte
Lhe incomoda minhas resoluções
Como se abandonasse minha essência
Ao mudar o âmago de lugar
Como se agora você estivesse só
Mas você já desconhece a própria bandeira
Jogou fora tudo de único e particular
Vestiu todas as máscaras possíveis
Hoje já não se reconhece
Acredita estar me salvando
Mas foi incapaz de salvar a si

Este é meu bem estar
Nesta casa que visita a contra gosto
Foi-se o tempo em que partia
Entrava na estrada sem direções
Hoje não me importo com as certezas
Ou com sua inevitável falta
Meus passos me levam no caminho
E não há palavra para me contrariar
Os conselhos são baratos
Mas viver é de graça
E disto não abro mão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 18 de março de 2010

“Para não dizer...” (08/03/2010)




As flores que entreguei já devem estar mortas
Sei que com elas deixei algo a mais
Morreram também algumas inocências e princípios
Foi o primeiro voto de descrédito ao meu coração
Foi a última poesia que escrevi para alguém
As pétalas se desfizeram em solidão
Sem respostas, carinhos, avisos de seu destino
Apenas uma permanente esperança que se esvaziava
Duvido que tenha durado a primeira semana
Gostaria que tivesse rasgado aquela carta
Nunca as palavras valeram tão pouco
Nem angústias, nem sorrisos, nada lhe fizeram
Sua cara lavada hoje ainda clama
Que não há, nem houve, quem te amou

Não martirizo mais meus versos
Eles não merecem tais companhias
Faces que desejam os romantismos
Corpos que fogem na outra direção
Custou-me um vaso de flores para perceber
Que toda poesia presente em você
Era invisível diante do espelho
Quando pintei então teu retrato
Não reconheceu uma rima se quer
Apaixonei-me por quem enxerguei em você
Um alguém que não se permite ser

Deste mal minhas estrofes já não sofrem
Os poemas não chegam a nenhum endereço
As rosas não merecem fins tão trágicos
Jamais entenderão o que vejo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 10 de março de 2010

“?” (06/03/2009)




O que será então
Quando for tarde demais
Quando o fim chegar
Quando o raio cair
O romance morrer
E a verdade mentir
As forças acabarem
Os muros cederem
Os sonhos morrerem
As palavras perderem a voz
E quadro, a cor.

Quem seremos então
Quando sem limites
Quando sem regras
Quando sem alma
Sem escrúpulos ou pudores
Preocupação ou solidariedade
Sem aliados ou fronteiras
Diálogos e acordos
Coração e humanidade
Quando apenas animais

O que será do mundo
Diante nossos medos
O que será de nós
Sem nossos sonhos

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 7 de março de 2010

“O gosto da manhã” (27/02/2010)




O sol ilumina a cortina
E logo envolve a sala
O calor avança sobre nossa pele
Não ousamos nos mover

Não lembro quando a noite começou
Algumas rodadas depois
Entregamos nossos inconscientes
No desejo que escapou pela boca

Sei que a lua entrava pela janela
Abençoando nosso encontro
Enquanto nos envolvíamos
Sem vergonha do nosso pecado

Dormimos em um abraço
Que agora o dia quer separar
Mas vamos fazer disso eternidade
Não importa o que é preciso

Meu bem,
Como é delicioso
Poder lhe dizer bom dia
Sem nunca ter dito boa noite.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 3 de março de 2010

“Abençoado” (25/02/2010)




Só havia uma estrela no céu
Quando a liberdade me visitou
Me tirou amarras e conceitos
Desnudo finalmente adormeci
Na paz sem adjetivos
Cheguei aos meus sonhos
Olhei em volta para ter certeza
Respirava, enfim, respirava
Esqueci do meu corpo
Descontrolei minhas feições
Fui intensamente feliz
Nem sei por quanto tempo
E já não importava mais
Tinha encontrado meu melhor
Pude simplesmente ser
E agora não quero mais partir
Agarrado a única estrela no céu.

Ass: Danilo Mendonça Martinho