"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

“Quadro Urbano” (19/12/2010)

Paisagem corriqueira
Cheia de aliterações no horizonte
Parecem se encontrar com meu nariz
Um infinito incerto
Meus sonhos que insistem
Sorrir de olhos abertos
Querer além do óbvio
Entender o que não me diz

Talvez caia a noite
Ultrapasse-me a idade
Mas voltarei ao parapeito
Para mergulhar na tua alma
Descobrir no teu silêncio
O que perco na palavra

O sol voltará a nascer
Por trás de toda tempestade
Desafiando tudo que é concreto
Então deixarei minha janela
A procura de quem sente
Almas que ainda derretem
Corações que ainda abrem
Poesias que precisem de fim

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

“Distância” (16/12/2010)

Hoje a palavra aperta
Como se quisesse machucar
Deixei-te um pedaço
Mas continuo incompleto
Criei fortes raízes
Que não acham terra
Ao resto me despertenço
Na incerteza estabeleci um lar
Tudo aquilo que posso lembrar
São memórias de onde não estou
A poesia se torna uma angústia
Anseio por tudo que é teu
Acordo com diferentes horizontes
Desejando sempre a mesma manhã
Ensinaram-me ser um par
Meus olhos encontram companhia
Aquilo que chamava de amor
Posso chamar de você
E é isso que me falta

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

“Título” (09/12/2010)

Não quero estar sozinho
Quero afagos
Mão, beijos e abraços
Um corpo
A estrofe completa
Preciso de rima
Do teu enredo
A companhia pro verso
Um segundo de compreensão
Uma compaixão pela solidão
Teu pé do ouvido
E o entrelaçar dos dedos
São mais do que as aspas
É o teu coração
Saber sem dúvidas
Que serei teu único

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

“Não há” (04/12/2010)

São os vazios nos olhos
Os anéis nos dedos
As friezas dos corpos
A palavra que se perde

Na falta da poesia
Na impossibilidade do contato
No vácuo das almas
O verso não rima

A canção silencia
Uma disritmia sentimental
Uma mente que não pertence
Ao poema que me desfaço

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

“P.B.” (26/11/2010)

Hoje acordou tudo cinza
Lágrimas sem sal
Debutavam em meu jardim
Parti em meio ao lamento
Nos caminhos da solidão
Visitei as lembranças
Sobras das presenças
Debrucei sobre o amor
Em uma melancolia a dois
Desisti do nascer da flor
E naquela verdade
Padecia toda cor
Quando voltei à janela
Compartilhava a dor do mundo
Chovia em um inverno
Desejando nascer na primavera

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

“Calado” (21/11/2010)

Não me atreveria
Repetir tais pesares
Não passariam a garganta
Arranharia minha alma

Reservo meu silêncio
Garantindo esta inércia
Construindo um vazio
Abandonando a verdade

Preservo a muralha
Fronteiras do que sei
Sentimento que vou omitir

Conhecerei a dor da partida
Assistirei nascer a solidão
Quem sabe...conseguir esquecer

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

“A voz do coração” (19/11/2010)



Quero tirar algo de mim
Uma substância sem nome
Uma vida impaciente
Alguma aflição solidária

Quero desmanchar a imagem no espelho
Desconstruir minhas verdades
Apagar meus rascunhos
Restaurar nosso universo

Quero arrancar cada verso
Como se impresso na alma
Abrir mão da palavra
Para que encontre sentido

Quero me desfazer
Definhar pelos dedos
Sofrer pelo grito
Chorar pelos teus olhos

Quero me encontrar em ti
Devolver-te as sensibilidades
Que embriagaram meus deveres
Que apagaram os rastros do caminho

Quero transferir tua morada
Para um coração corriqueiro
Um olhar apaixonado
Disposto a assumir tua falta

Quero deixar-te
Em uma palavra que ecoe
Abandonando meu corpo
Nos suspiros que te confesso

Quero tirar algo de mim
Não me importam estruturas
Clássicas ou românticas
Só não posso mais calar-te

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

“Soneto Alugado” (18/11/2010)

Vendi a preço barato
Um coração em retalhos
Um amor com dívidas

Cedi parte da vida
Um latifúndio de solidão
Uma terra sem perspectiva

Inundaram-me de esperanças
Ancoraram meus sonhos
Já inexisto na tua distância
Sou sombra dos teus olhos

Fui proprietário do nosso romance
Morador de um ideal
Mas hoje sou teu pertence
Inquilino de uma paixão sem igual

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

“Inconstitucional” (16/11/2010)

São sinais por toda parte
Placas nos impondo as direções
Palavras de consenso ditando ordens
Pessoas profetizando escolhas

E o prejuízo de quem fica sem aviso
Como um cego à procura da faixa de pedestres?
Por que parar apenas onde é permitido
Se o cansaço do caminho vem da contramão?

Eu não sigo qualquer direção
Caminho através, provoco-me a mais
Tenho como limite a liberdade
Por isso não acato sua opinião

Certo que traí o destino programado
Abandono as fronteiras sem aviso prévio
Demito meu algoz e subtraio os valores
Da Constituição que não me prevê

Ass: Danilo Mendonça Martinho / Diogo Canhadas

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

“Edifício” (28/10/2010)

Arranha, céu
Como arame farpado
Como cair da bicicleta
Sangra
Toda fragilidade da vida
Toda ingenuidade infantil
Cresce
A inevitável revolta
A perda da alergia
Sobrado
Não há o que recupere
Marcas na carne viva
Pulsa
Uma veia de esperança
Uma resistência abandonada
Suspira
Vozes sem eco
Palavras sem par
Sem teto
Desconstruímos a morada
Somos um por andar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

“Âmago” (25/10/2010)

Sou todo coração
Pulso lágrimas
Pulso sangue
Involuntário, não inocente
Ataco se for preciso
Ameaço desistir
Dores agudas
Angústias incuráveis
Exijo respeito
Não venha magoar
Não queira me negar
Saio pela boca
Reivindico meu amor
Sem ele, sou nada

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 16 de novembro de 2010

“Inferno Astral” (19/10/2010)

Cansei dos olhares
As alegrias já se foram
Tudo é efêmero
A começar pelas dores
Incisivas e pontuais
Nem sei por onde sofro
Entranhas ou coração
As felicidades que passam
O corpo que permanece
O peso constante
O olhar inerte
Pela janela crescem
As melancolias de outra estação
Logo escorrem pelo rosto
Se não puderem regar as flores
Ao menos escondam todo resto
Suspiro junto as manhãs
Também cansadas das promessas
No mínimo foi a esperança
Que deixou a porta aberta
Mas o que há lá fora
Que já não tenha me tomado por dentro.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

“Livre” (07/10/2010)

A liberdade pede desapego
Eu lhe esqueço
Dissipo em palavras
Meus últimos apelos
Lhe deixo

A liberdade é recomeço
Abandono os conceitos
Palavras de outrora
Rancores do meu peito
Me despeço

A liberdade é permissão
Almejar uma nuvem
Derramar no horizonte
Uma felicidade cadente
Nos encontramos

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

“15 minutos” (07/10/2010)

Em 10 segundos faço um extrato
Impressos na paisagem cotidiana
Simples códigos binários
Um par, dois quaisquer
Mas na verdade somos nós
Na minha ausência pode ser vós
Mas caso seja apenas tu
Deixo então um recado
Mas preciso de um minuto

Guardo duas frases clichês
Comigo uma saudade de você
A distância que cria o só
A solidão que nos faz vivos
No caso de faltar estrelas
Concedo alguns pedidos
Só não me peça o tempo

Não sei dizer adeus
Pouparei os últimos instantes
Eles merecem o improvável
O impulso de um abraço
Seguro neste momento
Toda verdade entre nós
Quem precisa de 15 minutos?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

"Meu Vazio" (15/10/2010)

Não há memória no verso
Não há história na fala
Não há passado no olhar
Não há romances nos silêncios
Não há estrelas cadentes no céu
Não há praias desertas
Não há companhia ao pôr-do-sol
Não há beijos memoráveis
Não há abraços de despedida
Não há por quem chorar
Não há saudade para sentir
Não há palavras de amor
Não há para quem ligar
Não há para onde fugir
Não há como não sentir
Não há uma realidade sequer
Não há música
Não há paisagem
Não há momento
Não há...você.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

“Imperativo” (15/10/2010)

Exijo, porque não?
Quero flores e estrelas
Quero mais tempo
Beijos e abraços
Sonhos acordados
Pôr-do-sol
Chuvas melancólicas
Um reflexo do meu universo
Outros românticos
Amigos solitários
Pessoas fora do século
Compreensão
Quero rir sem parar
Quero sentir
Sofrer e chorar
Um novo amanhã
Esquecer
Que chegue no horário
Que jamais me deixe
Uma noite sem dormir
Uma verdade para sonhar
Uma solidão
A felicidade no armário
O romance no travesseiro
A poesia no horizonte
O infinito na palma da mão
Exijo, porque não?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

“Contra Ponto” (30/09/2010)

Teu reflexo é meu todo
Assim que devo te julgar
Pela transparência da realidade
Bastaria um olhar direto
Seríamos corpos artificiais
Vamos manter as inocências
Puros seremos mais sinceros
Essências isoladas

Eu temo a palavra
Qualquer uma delas
O começo de nossos conceitos
Minutos até destruir o encanto
Satisfaço-me com o mistério
Na impossibilidade do encontro
Enamorar teu reflexo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

“Entre mistérios” (27/09/2010)

Desculpe esta transgressão
Quebrar a intimidade dos nossos olhos
Mas tua presença transborda minha curiosidade
A vida insiste em nossos encontros
Nunca me passa despercebida
Será que deveria lhe dizer algo?
Será que guarda um segredo para mim?
Mesmo assim permaneceremos de passagem
Efêmeros como a cidade que nos cerca

Já reparei o compromisso na sua mão
E que seus olhos esboçam um sorriso
Somos imagens recíprocas em nossas vidas
Sem nomes, destinos e propósitos
Não somos nada além disso?

Você é um sinal
Eu preciso descobrir do que.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

“Uma Escolha”

Se você olha para alguém sem romance
Sobra só o corpo
Se você olha o horizonte sem romance
Sobra só poluição
Se você olha a cidade sem romance
Sobra só cansaço
Se você trabalha sem romance
Sobra só burocracia
Se você discursa sem romance
Sobra só frieza
Sem sentimentos, tudo é descartável
A começar por si próprio

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

“Logo Será Amanhã” (21/09/2010)

Fico aqui imaginando
Quando nos tornaremos rotina
Um par de essências corriqueiras
Nomes gastos pela convivência
Sombras do primeiro encontro

Talvez a semana ajude
Os compromissos nos separem
O risco é perdemos palavras
Mas podemos ganhar tempo
O necessário para não esquecer

Pensei que poderia me acostumar
Hoje não quero mais
Quero que tudo seja incômodo
Bagunçar nossos princípios
Um rascunho...meio ontem e amanhã

No fim vou me conformar com a paisagem
Vou decorar todos os seus caminhos
Meu desconhecido será familiar
Faltará espaço para o perdão
Até mesmo isso soará comum

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

“Tesão” (17/09/2010)

Tenho um breve rascunho de ti
Terei de sonhar com teu rosto
O resto tua silueta me entrega
Desculpe a invasão física
Mas o pecado se faz necessário
Sei que não sou o original
Tuas pernas envolveram outros
Tuas formas enlouqueceram tantos
Quero te consumir a chama
Com as mãos contra a parede
Não quero parar em uma noite
Contigo crio um expediente
Não me venha com ares de dama
Falo de dois corpos inconseqüentes
Nega esse calor na espinha
Nega tua boca salivante
O sinal para lhe rasgar a roupa
Mas fique com teus pudores
Te faz mais excitante ainda
Quero sentir teu corpo nu
Quero teu prazer mais vulgar
Arranhando-me toda pele
Tua carne viva em suor
Meu Deus!Que orgasmo!

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

“Uma Eternidade” (17/09/2010)

Quero tirar poesia desta calçada
Algumas palavras épicas
Logo seremos passado remoto
Pois um dia perdemos o controle

Não quero um nome na história
Quero um propósito para vida
Guardar em um caderno envelhecido
As essências de um mundo extinto

Sou pretensioso nos sonhos
Seria condenado sem tentar
Perdoe todos meus erros
Preciso de um único clássico

Quem sabe então
Serei as frestas do concreto
O reflexo do Sol nos prédios
A vida e morte de um tempo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

“Um Lugar Imaginário” (11/09/2010)

Nunca fui de poesia natural
Mas posso me acostumar
O canto dos pássaros matinais
O tom da primavera chegando
O sol ainda na estação passada
A vida se espalha pelo gramado
Também o queria como cama
Fechar os olhos em outro universo
Driblar meu inconsciente
Sei que terei de voltar
Preciso apenas de mais um minuto
Para acreditar em toda essa paz
Sei que posso acordar em outro lugar
Sei que posso aprender a viver aqui

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

“Nota na Madrugada” (12/09/2010)

Como escrever poesia
Quando a vida se acabou?
Como descrever a dor
Que não pode mais ser sentida?
Receei tanto este telefonema
Veio em mais uma madrugada
Palavras que perturbam o sono
Momentos que tiram o rumo
Encontrarei o sorriso depois
Na memória envelhecida
Daquele corredor avermelhado
Onde poderemos estar juntos
A vida invariavelmente se completa
A de vocês foi maravilhosa

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

“Alegria” (10/09/2010)

Há um céu azul
Abençoando minha alegria
Não há uma palavra de dor
Um verso de revolta se quer

O porém é que a alegria é individual
Não posso compartilhar um sorriso
Você entende a minha dor
Mas não minha felicidade

A dor é universal
A amizade feita para vários
O amor é para dois
A felicidade para solidão

Há um céu azul imenso
Jamais poderei descrevê-lo
Minha alegria é um quadro
Que não posso vender

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

“Lamento” (03/09/2010)

Desculpe-me a melancolia
Mas a dor é solidária
O sofrer uma atitude
Quando a palavra machuca
Teu corpo reage

A tristeza é apenas um meio
Quero movimentar as almas
Quem sabe despertar romances
Quando cai uma lágrima
Teu coração se abre

Entenda caso venha a partir
Também é necessário nostalgia
A sensação breve da finitude
Quando vem a lembrança
Tua razão retrocede

Por fim me perdoe
Talvez me falte alegria
De resto tudo me transborda
Quando a poesia se completa
A felicidade é possível

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

“Te quero, Te amo” (02/09/2010)



Não me culpe
Se as palavras perderam sentido
Não me ligue
Se for para aumentar o vazio

Se te amo
Já não importa
Se te quero
É da boca pra fora

Não te escreverei
Rasguei teus poemas
Não te esquecerei
Eterna cicatriz no coração

Te amo
Mas não te importa
Te quero
Mas me deixou de fora

Não sei o que dizer
Meu silêncio é minha arma
Não me olhe
Teu descaso é minha dor

Amar
Não faz mais diferença
Querer
É pouco para nós dois

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

“Basta-me” (31/08/2010)




É preciso preservar o silêncio
A vocalização é ponto comum
Quero mais do meu olhar
Quero muito mais do teu sorriso
As palavras podem ficar aquém
O que fazer quando se perde o fôlego?
Há uma fotografia de um amanhã
Um abajur repousa na estante
Tua luz incide na cadeira vazia
Na penumbra deita uma rosa
Não é preciso mais nenhum verso
A poesia tomou forma de um abraço
Daqui em diante lhe peço cuidado
Duas almas conversam em silêncio

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

“Essencialmente” (23/08/2010)




Venho através das palavras
Nobres e também banais
Defender algumas utopias
Existente apenas nelas

São versos sem rimas
Nunca aprendi métrica
Mas que fazem mais sentido
Sem os ornamentos usuais

A verdade dispensa eufemismos
São necessárias vísceras
Suavidades passam despercebidas
Precisa-se de tapas na cara

Perdoe-me se lhe pareço simples
Não faço questão do erudito
Seja poesia, prosa, desabafo
Bastam os sentimentos serem reais

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 14 de setembro de 2010

“Carta Final” (22/08/2010)




Meus amores, meus amigos
É uma tarde quente de domingo
Um agosto sem precedentes
Uma vida saturada
Um sufocante peso no peito
Poucas são as soluções
Pensei em telefonemas
Mas voltei-me ao papel
Onde espero arrancar os aparelhos
Cansei de estender as palavras
O apito intermitente me irrita
Não há mais ninguém no quarto
Tranquei a esperança lá fora
Agora é apenas uma questão de tempo
As estrofes vão começar a encurtar
Me faltará uma palavra no verso
O âmago se esvazia
A alma se encolhe
E a lágrima marca o ponto final
O sentimento acabou

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 12 de setembro de 2010

“Uma memória em sépia” (12/09/2010)

Lembro de um corredor cheio de plantas
Lá meus avôs me seguravam pelos braços
Lá dei alguns dos primeiros passos
Lá andava de triciclo

Naquela casa também vivi
Dividi sopas no fim de tarde
Domingos frente a televisão
Ouvindo um jogo no rádio

Para mim era uma viagem longa
Que valia todos os momentos
O mais importante que me lembro
Era uma casa cheia de carinho

Sei para onde voltar
Vó, vô...
Guardem um espaço perto na mesa de centro
Que eu ainda chego com meus carrinhos para brincar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

Post em Homenagem a João Antonio Martinho

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

“Última Parada” (22/08/2010)




Queria que esse ônibus não tivesse destino
Queria que minha presença fosse esquecida
Diluir minha essência pelas paisagens
Virar um sonho bom em tua memória
Começar uma nova vida em outra cabeça
Será que alguém pode me imaginar de novo?
Tenho uma série de mudanças a pedir:
Ser um destes desavisados sobre o romance
Ter os olhos curtos no horizonte
Não perceber as palavras do silêncio
Não me sufocar de tanto sentir
É possível abandonar toda uma vida?
Queria descer em uma cidade distante
Só não sei quem gostaria de encontrar
A minha razão ou meu coração

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 4 de setembro de 2010

“Carpe Diem” (17/08/2010)




A vida é agora
Neste segundo que se perdeu
Neste minuto que está terminando
Nesta hora que você pode gastar
Neste dia imenso planejado

Para você
Deixo um beijo no segundo
Um sorriso a todo minuto
As lembranças pelas horas
O romance deste dia

Para mim
Inspira-me este segundo
Distribuo versos nos minutos
Poetizo nossas horas
Torno eternidade este dia

Por fim
Abraço este segundo
Rezo para este minuto
Possa durar por toda hora
Adiando a realidade do amanhã

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 31 de agosto de 2010

“Uma noite com você” (10/08/2010)




Meu sonho acorda cedo
Com o Sol contra a janela
O cheiro é de primavera
O dia é rotineiro

Entre meu sonho e eu
Há uma extrema cautela
Delicadezas nos encontros
Entrelinhas a perder de vista

O sonho é recorrente
Passeia depois desaparece
Sorri e desobedece
Mostra que não te pertence

Eu não desisto do sonho
Arrumo meus cobertores
Silencio meus pensamentos
Fecho os olhos em esperança

Quando finalmente sonho
Eu quero
Eu amo
Esqueço de acordar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 28 de agosto de 2010

“Ela Sabe” (09/08/2010)




Por onde você chegou?
Pediu alguma licença?
Armou acampamento e ficou
Sem razão social
Sem planos de partir
Agora ainda faz baderna
Grita por atenção

Quem te ensinou isso?
Ser deslumbrante e cativante?
Não é teu direito
Arrebatar todos os olhares
Fazer festa no meu âmago
Ainda bagunçar minha razão
Coisas de moleca

Como então te negar?
Seria eu o primeiro?
Tuas tolices me encantam
Teus abraços me desconcertam
Somos só sorrisos
Você habitante do meu coração
Eu procurando espaço no teu

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

“Uma verdade” (07/08/2010)




Por que a solidão dói tanto?
Quem abriu minha alma?
Por que não me esqueço?
Não sei se sangro ou se choro
Quero abandonar este corpo
O coração que de nada serve
Só eternamente sofre
Meu âmago grita e ecoa
Não agüento céus
Não agüento infernos
Não agüento...
Queria rasgar meu peito
Para que nunca mais o fizessem
Queria sumir desta vida
Mas carrego todo meu vazio
Não tenho igual, um breve reflexo
Não encontro outra mão no final da minha
Ardo em mil intensidades
Sobram-me somente ilusões
Estou no fim da angústia
Quero abandonar
Romances, relações, corações
Desisto de tudo
Quem sabe companheiro da solidão
Ela não me mate.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 21 de agosto de 2010

“Minhas Diferenças” (07/08/2010)




Não escrevo, eternizo
Não sinto, poetizo
Não penso, precipito
Não desejo, idealizo
Não olho, sonho
Não faço, me entrego
Não abraço, me envolvo
Não digo, declamo
Não vivo, romanceio
Não amo, ardo
Não enlouqueço, apaixono
Não venço, abdico
Não argumento, calo
Não parto, abro mão
Não arrependo, sofro
Não choro, alivio
Não sou nada,
E não há nada que não possa ser.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

“Teu Sim” (02/08/2010)




O que nos separa é pouco
São delicadezas
São instantes
São vírgulas
São suspiros
São sussurros
São olhares
São frestas
São chuvas de verão
São pequenos sorrisos
São distrações
São omissões
São sopros
São silêncios
São realidades
São direções
São desencontros
São...
Acabaram-me as desculpas
Ainda tenho você

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 15 de agosto de 2010

“Desconstrução” (31/07/2010)




Término
Limite
Final
Finito
Derradeiro
Transitório
Mortal
Efêmero
Morrer
Finar-se
Expirar
Esquecer
Desprezar
Descuidar
Acabar
Romper
Abandonar
Largar
Desamparar
Renunciar
Acordar
Avivar
Adeus
Separação
Partir
Ausentar-se
Não
Recusa
Calar
Emudecer
Desistir
Ceder
Sucumbir
Sujeitar-se
Ignorar
Censurar
Pontuar
Finalizar
Arrancar
Desenraizar
Extinguir
Erradicar
Saturar
Fartar
Exaurir
Extenuar-se
Cessar
Interromper
Assim sendo
Encerro-me

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

“Todo fim é um recomeço” (22/07/2010)




A chama apagou
Já não importa
Teus olhos
Nossas justificativas
Boas lembranças
Esquecidas no fim
O que serei além?
O horizonte é pálido
As manhãs são frias
Mas ainda caminho
Sobrevivo a este inverno
De céus puros
De sóis intensos
Dias longos
Vou me despindo
Proteções, cicatrizes
Algo me aquece
Tiro mágoas
Abri mão
Paguei a liberdade
Foi necessário
Foi imprescindível
Posso voltar a sorrir
Há flores no meu jardim
A primavera que desperta
Em um novo olhar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

“Ao pé da Janela” (22/07/2010)




Te peço um silêncio
Amigo de bom tempo
Te peço sem trapaças
Um breve momento
Preste atenção nos acordes
E principalmente nas vozes
Para depois entoar a canção
Para que não seja em vão
As rimas bem trabalhadas
Na mais doce inspiração

Não é hora de palhoças
Preciso de tua ajuda
Ela me faz pirraça
São ternuras e sorrisos
Que guarda em melodias
Preciso entrar nesse jogo
Encontrar finalmente a alegria

Consegue-me uma serenata?
Não me importa as condições
Faço em cima da escada
Mas preciso de um poeta
Que me descreva em atos
Que me deixe uma porta aberta
Uma estrofe sem rima
Que me chame nos olhos
E termine em desejo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

“Independência” (18/07/2010)




Não deixe minha solidão invadir tuas palavras
Não deixe meu coração pesar na tua consciência
Não deixe minha razão acordar teus sonhos
Não deixe meu abraço privar tua liberdade
Não deixe meus olhos fecharem teu horizonte
Não deixe minha poesia desarmonizar tua canção
Não deixe minha emoção transbordar tua sensatez
Não deixe minha tristeza roubar teu sorriso
Não deixe minha alegria impedir o teu choro
Não deixe meu futuro na frente do teu presente
Não deixe meu medo ser motivo do teu adeus
Não deixe meu silêncio calar tua verdade
Não deixe meus passos desviarem teu caminho
Não deixe minha essência ofuscar a tua estrela
Mas permita, apesar de todo amor e toda dor
Um “sim” qualquer

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

“Racionalidade” (16/07/2010)




Entristeci...
Em uma tarde longa demais
Abandonei a poesia
Desliguei o rádio
Abri a janela...
Não havia esperanças
O mesmo concreto
Uma árvore a favor do vento
Um infinito...
Que por mim atravessava
Deixei o mundo de lado
Deitei no chão do meu quarto
Encarei o teto como um espelho
Recalculei os meus passos
Despedacei palavra por palavra
Suspirei...
Sobrava-me o vazio
Desloquei tempo e espaço
Ainda incapaz de me encontrar
Abri mão dos sentimentos
Adormeci na realidade
Acordei sem horizontes
Preso as minhas verdades
Distante dos meus desejos
Libertei...
Enfim o meu amor
Dei-me a razão de quem
Ama...

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 30 de julho de 2010

“Na última instância do dia” (10/07/2010)




Há uma fresta na janela
Por onde desliza a luz da lua
Abre suavemente meus olhos
Mostra-me uma estrela

Há uma fresta de vida
Nas folhas secas das árvores
No colorido céu poluído
Que me provoca o sorriso

Há um verso de poesia
Escondido na névoa densa
Sussurrando pelos meus lábios
Perdendo-se na escuridão

Há uma silenciosa verdade
Escapando pelas grades
Cansada de minha negligência
Deixou-me com a ilusão

Há um resquício de lembrança
A cada lento suspiro
Revelando mais eminentemente
Um outro dia se esgotando

Há um último minuto
Vazio de possibilidades
Resta-me apenas uma escolha
Abdicar-te

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 25 de julho de 2010

“Nosso Tempo” (04/07/2010)




Nos encontramos em outro século
Exaustos desta realidade
Rindo das intempéries da vida
Lutando pela sobrevivência da alma
Planejando o que não temos certeza

No limite de tua razão
Teu olhar se perdia no infinito
Um âmago em fuga
Um corpo envolto no frio
Os passos presos a este concreto

Permaneci incapaz de uma boa palavra
Uma poesia diante teus olhos
Desviei por entre nossos assuntos
Distrai-te com algumas bobagens
Desistia das possibilidades

Dividimos uma caminhada
Alguns bons silêncios
Uma bela sobremesa
Algumas boas citações
Um despertencimento

No poema que segue construção
Registra-se mais uma vírgula
Um adeus envolto em um abraço
Na estrofe que ainda falta um verso

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 21 de julho de 2010

“Para voltar a sorrir” (04/07/2010)




Sigo por um caminho escuro
Uma noite de lua nova
Uma visita sem aviso
Uma surpresa em meu verso
Quero achar um sorriso perdido
Em um abraço incondicional
Em um segurar de mão
No horizonte desconhecido
Das escolhas certas
Os quartos que não visitei
Os braços que não se confundiram
O olhar misterioso
Fará desnecessária a palavra
No encontro eterno da alma
Livre dos medos e ansiedades
Saciado do mais profundo desejo
Embriagado pelo romance
Perdido de referências
De peito aberto e caneta na mão
Procurarei além do ponto final
A felicidade.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 18 de julho de 2010

“Nota de Falecimento” (26/06/2010)




Não foi envenenamento
Não foi de overdose
Tiro certeiro ou bala perdida
Atropelamento na via principal
Assassinato ou suicídio

Não tinha depressão
Não sofria de loucura
Nem inimigos com que se preocupar
Sua família o amava
Havia amigos por toda parte

Foi na casa onde sempre morou
Sem alertar os vizinhos
No completo silêncio
Com a luz da lua pela janela
No chão de seu quarto

Morreu de sofrimento e desgosto
Incapaz de conviver com o espelho
Desiludido de todos os amanhãs
Despiu-se dos últimos princípios

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 10 de julho de 2010

“Na sombra das palavras” (26/06/2010)




Sou um personagem sem rosto
Sou uma essência sem nome
Uma verdade inconveniente
Uma negligência unânime

Sou teu romance platônico
Sou tua admiração intelectual
Uma falsa aparência
Um ideal abandonado

Sou feito de sangue e lágrimas
Sou feito de versos e estrofes
Uma melancolia da tarde
Uma cicatriz do passado

Sou escritor do teu imaginário
Sou roteirista de teus sentimentos
Um diretor sem sucesso
Um protagonista sem papel

Sou dono de palavras comuns
Sou dono de conceitos absolutos
Um espírito de esperança
Um corpo em decadência

Sou mais ilusão que realidade
Sou mais parte do que todo
Um desejo inconsciente
Um sonho esquecido

Sou mais um poeta
Sou também real
Um coração que chora
Um âmago que sofre

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 4 de julho de 2010

“Aflição” (23/06/2010)




Vejo-me morrendo nesta trégua
Esta luta velada por desejos
Palavras de paz que escondem a guerra
Por mais que tente desviar os olhares
Há um peso no ar que me rodeia
A verdade quer ganhar vida
O grito afoga minhas entranhas
As entrelinhas envenenam o sentimento
Nego a intensidade do meu ser
Recuso versos e estrofes
Tudo para não cruzar as fronteiras
Tudo para preservar o momento
Para onde ir depois daqui?
Será um sofrimento retroceder
Será um suicídio continuar
As tensões transbordam a razão
Enquanto jogamos com as possibilidades
O mundo segue sua trajetória
O que sobreviverá a este deserto
Se não uma alma desacreditada
Abandonada de todos seus princípios
E ainda longe de tudo que deseja
Esta batalha secreta que mantemos
Pode trazer a vitória de uma felicidade
Pode também, matar o romance antes do fim

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 30 de junho de 2010

“Todo mundo um dia:” (22/06/2010)




Forma uma banda
Escreve um poema
Rasga uma carta
Desaparece por um dia
Desespera-se sem motivo
Parte sem um abraço
Permanece esperando
Vive um sonho
Diz um impropério
Pede perdão
Perde a razão
Cede a loucura
Derrama uma lágrima
Deseja o fim
Descobre o recomeço
Ama incondicionalmente
Enfrenta a solidão
Sofre por outros
Sobrevive uma decepção
Grita de raiva
Exagera no drama
Sente uma saudade
Cria uma fronteira
Vira a página
Ignora uma verdade
Declara uma infâmia
Omiti um coração
Cura uma decepção
Abandona um princípio
Esquece uma inocência
Altera o caminho
Declama um adeus
Desvia um olhar
Sonha sem limites
Enxerga um horizonte
Chega a um final
Respira-se fundo
E sobrevive

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 27 de junho de 2010

“À Deriva” (15/06/2010)




Passei por rigorosos invernos
Guardei as flores na gaveta
Mantive a chama acesa
Deixei a porta aberta
Parti

Andei pelo meu imaginário
Levantei uma bandeira
Defendi um princípio
Agarrei-me a uma estrela
Encontrei-me

Apossei-me da liberdade
Assisti fronteiras caírem
Percorri imensos vazios
Descobri-me em solidão
Apaixonei-me

Investi no meu desejo
Acalmei os meus passos
Desviei meu caminho
Negligenciei outros olhares
Perdi-te

Sonhava com outros lábios
Desfazia-me em ilusões
Desmoronavam minhas verdades
Estabeleci minha loucura
Fugi

Apaguei a imagem no espelho
Rasguei uma carta
Omiti alguns versos
Joguei meu coração ao mar
Salvei-te?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 21 de junho de 2010

“Completos” (11/06/2010)




Tua presença foi ostensiva
Busquei insistentemente teus olhos
Teus suaves lábios ensaiaram um sorriso
Era um encontro de sensações
Denso, intenso, real, utópico
Tentei desvendar teus traços
Nosso tempo foi escasso
Nem enamorarmos as possibilidades
Desejamos algo além do silêncio
Nossos corpos se procuravam
Mas existem fronteiras
Impostas sobre nossas palavras
Uma desculpa para nossa distância
Apaixonamos pelo mistério
Diante tua delicada alma
Não podia perturbar o instante
Só havia espaço para nós dois

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 13 de junho de 2010

“Sinestesia” (08/06/2010)




O vento que sopra pela janela
O cascalho na porta da frente
O sol entre os eucaliptos
A chuva que molha o asfalto
O colorido marcando o horizonte
A névoa que invade as manhãs
Os pequenos fachos de luz
Um céu perfeitamente azul
Ou mesmo vestido todo de branco
A velha chaminé que permanece
Antigas casas que resistem
Um rio que corre despercebido
As folhas que caem pelo chão
As flores que brotam do concreto
O canto que anuncia o dia
O manto que traz a noite
Com algumas raras estrelas
E uma única rainha
São sutilezas em minha alma
Que amanhecerão novamente

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 10 de junho de 2010

“Hoje não, meu bem” (31/05/2010)




Não tenho nada a dizer
Descobri-me falando sobre nada
Meus sonhos estão acordados
Fui corroído pelos desejos
No final de cada gesto
Sobrou apenas minha própria mão
Mantenho valores baratos
Superestimo o meu coração
Sou uma propaganda enganosa
Estou repleto de um vazio.

Hoje me dói um sorriso
Como me rasga o romance
Quero chorar sem motivos
Quero aliviar do meu peito
A tristeza que hoje me venceu
Entreguei a ela as palavras
Nem tente me procurar
Deixei-me antes do amanhecer
Desculpe, mas ao menos hoje...preciso morrer

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 6 de junho de 2010

“Me Perdoa” (26/05/2010)




Fui descuidado com as palavras
Logo eu, que se diz poeta
Não coloquei os sentimentos na balança
Como que sem escrúpulos
Como um outro qualquer
Atirei um coração ao papel
Nunca imaginei poder ferir
O que só aumenta minha culpa
Transgredi uma inocência
Não quero mais salvação

Mas se de algo servem meus versos
Que ao menos teus olhos
Que ao menos a tua alma
Possa me desculpar antes de partir
As nossas verdades que omiti
As ilusões que alimentei
A liberdade que nos tirei
Prendi nosso amor em um papel
E nossas rimas ficaram aquém

Neste último momento
Enquanto a chama se extingue
Enquanto a porta permanece aberta
Peço uma gentileza final
Não me veja partir
Perdoa teu coração
Pela alegria de ter amado
Um poeta sem métrica
Uma rima sem razão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 31 de maio de 2010

“Segredo” (25/05/2010)




Não posso me render
As palavras também são lágrimas
Meus versos podem ser mágoas
Não quero ser seu vilão
Brincar com teus sonhos
Descrever teus desejos

Eu temo o olhar
Que me fará culpado
Que revelará minhas falhas
Eu lhe quero
Mas o romance cobra caro
Resta pouca riqueza no meu coração

Preciso esconder
As entrelinhas do meu âmago
A verdade que não cabe na poesia
Apenas te imploro
Não me deixe te perder agora
Vamos permanecer poeta e inspiração

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 26 de maio de 2010

“O Romântico no século XXI” (24/05/2010)




Sem papiros e penas
Sem armaduras e espadas
Sem odes ou tragédias
Despido de contexto
Caminho entre as frestas
Visito os desavisados
Desapareço em versos
Distante dos olhares
Posso ser livre
Dançar a luz do dia
Sorrir ao pôr-do-sol
Esquecer-me em teu imaginário
Perturbar teus sonhos
Atiçar tuas vontades
Tocar teu âmago
Construir minha presença
Na rotina da alegria
No caminho dos abraços
No inconsciente dos romances
No reflexo dos olhares
Que tentam me desvendar
Que às vezes me esquecem
Outras me ignoram
Desisto dos jogos
Abro o coração
Ofereço minha essência
Mostro meu rosto
Desenho o ponto final

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 23 de maio de 2010

“Sangria” (16/05/2010)




Quero me despedaçar
Desconstruir meus versos
Abandonar meu corpo
Desistir do romance
Abdicar parte da vida

Quero me esquecer
Medos, erros e arrependimentos
Destruir meu imaginário
Matar expectativas
Desfazer-me em solidão

Não quero ser vítima
Causei minha tristeza
Instalei minha angústia
Maltratei minha alma
Quebrei meu espírito

Quero voltar a respirar
Longe deste amor
Longe desta incerteza
A salvo de tua essência
A salvo do meu inconsciente

Quero mudar
Apagar a imagem no espelho
Rasgar as folhas do passado
Superar meus limites
Deixar de sofrer

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 20 de maio de 2010

“Antes do Amanhecer” (15/05/2010)




Vou escrever antes que seja tarde
Antes que coloque tudo a perder
Enquanto tudo ainda é puro e inocente
Antes que o ar sufoque as palavras
Antes que se manchem as intenções

Minha paixão nasceu sorrateira
Agora me transborda a alma
Tentei buscar minha paz
Tentei fugir destes sonhos
Mas não posso mais negar ao coração

Meus versos são delicadas pétalas
Meus poemas são vívidos buquês
Foram todos para ti, meu bem
Sou destes românticos incuráveis
Não pude evitar o romance

Só queria que ficasse sabendo
Que tenho os mais sinceros sentimentos
Que és diferente de tudo que já vivi
Para sempre terás uma parte de mim
Independente do que hoje em diante nos torne.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 17 de maio de 2010

“Te quero” (11/05/2010)




Queria te traduzir
Nada superficial
Queria tua alma
Derramada no meu papel

Não quero teu sorriso
Teus olhos ou cabelos
Não quero tua beleza óbvia
Quero teu inconsciente
Teus desejos mais secretos
Os sonhos que jamais me contaria

É inegável nossa atração
Mas quero lhe tocar a distância
Com as palavras certas
A melodia omitida em teu corpo

Você não é dama
Da torre mais alta que encontrei
Você não é a donzela em perigo
Fugindo de dragões e reis

Você é real
Além de qualquer inspiração
Preciso de teus versos
Antes que se torne utopia

Quero teu coração
Para dar nome a meu poema
Quero tua mão
Para dar sentido a minha vida

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 13 de maio de 2010

“Jogo Perigoso” (04/05/2010)




Não conheço tuas regras
Não reconheço teus sinais
Não entendo o que me pede
E talvez não seja capaz

Já declamei ao pé da janela
Já precipitei intimidades
Já esperei até não poder mais
E ainda não sei do que é capaz

Queria roubar tua essência
Queria misturar nossos braços
Queria distrair nossa razão
E ser capaz de te conquistar

Mas desisti dos jogos
Mas derrubei as máscaras
Mas abri mão dos sonhos
Incapaz de viver em ilusão

Se pensas que não reparo
Se achas que te ignoro
Se preferes fingir a acreditar
Será capaz de um romance?

Eu entro no teu jogo
Eu dispo os sentimentos
Eu entrego a verdade
Sou capaz de tudo por você

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 6 de maio de 2010

“Nossa Casa” (25/04/2010)




Vamos deixar um espaço para saudade
Uma janela para liberdade
Um cômodo para o silêncio

Vamos colocar a coragem no armário
Pendurar o medo atrás da porta
Envolver com virtude o travesseiro

Vamos encher a sala de alegria
Pintar de felicidade as paredes
Lavar a tristeza do quintal

Vamos fermentar a confiança
Preparar a sinceridade
Servir compreensão.

Vamos deitar a melancolia
Cobrir os sonhos
Ninar nossos desejos

Vamos acender a lareira de esperanças
Ouvir um pouco da verdade
Aquecer os corações

Vamos manter a luz acesa para o arrependimento
Convidar as desculpas para sentar
Chorar nossas mágoas

Vamos abrir a porta para o amor
Despedir-se da solidão
Lembra-los de sempre voltar

Vamos construir alicerces de abraços
Uma varanda de paz
Um sótão de poesias

Vamos alimentar nosso quarto de carinho
Guardar os beijos no criado mudo
Ligar o abajur sobre nosso romance

Vamos fazer dos sentimentos nosso eterno lar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 29 de abril de 2010

“Vazio” (24/04/2010)




Há algo de inquietante na espera
De sufocante na paciência
A espreita da calma
Beirando a loucura
É preciso andar a pé
Evitar a inércia
Descobrir-se sem razão

Há algo de amedrontador em seus olhos
De amargo nas suas palavras
A inevitável negação
Transbordando de sua boca
É preciso fechar os olhos
Evitar a realidade
Descobrir-se em ilusão

Há algo de nocivo nesta paz
De mentiroso nesta tranqüilidade
A verdade faz tocaia
Dorme nas fronteiras
É preciso fugir
Evitar o coração
Descobrir-se em solidão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 25 de abril de 2010

“Não me Pertenço” (18/04/2010)




Achei decidir
Acreditei controlar
Tentei fugir
Sonhei voar

Corri sem destino
Chorei sem parar
Dormi sem perceber
Acordei sem razão

Pedi desculpas
Engoli mentiras
Neguei perdões
Sufoquei verdades

Voltei para casa
Senti-me sem escolha
Entreguei meus princípios
Fui incapaz de me construir

Enganei-me diante o espelho
Vendi uma imagem
Descolori minha vida
Deixei o que já não era meu

Confundi as paisagens
Troquei o amor
Esqueci as dores
Vivi na solidão

Imaginei uma história
Escrevi poesias
Divulguei esperanças
Rasguei seu final

Desisti de mudar
Aceitei fingir
Desfragmentei minha essência
Perdi quem eu sou

Sofri por um fim
Desenhei um ponto final
Pensei estar livre
Descobri ser teu

Fiz do consciente
Uma breve aspiração
Derrubei as máscaras
Desvendei-me em ilusão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 18 de abril de 2010

“Você é a Dama” (14/04/2010)




Você pede passagem
Faz ignorar a paisagem
Teu olhar tem algo de infinito
Neste horizonte perdido
Teu sorriso abre braços
Dos quais não escapo
Acompanho teus passos
Em um caminho insensato
Mas já tirastes minha razão
Não há lógica na equação
Quando lhe deixo ao portão
Me escapas pela mão

Você vive no inconsciente
Expert em alimentar imaginários
Some sempre em tempo
Volta antes da esperança
A cada viagem deixa uma bagagem
Até tua completa presença
Abro-te a porta e acomodo tua cadeira
Envolvo-te em um abraço e seguro tua mão
Você é a dama
Que me deixaria levar a qualquer direção

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 14 de abril de 2010

“Cansaço” (03/04/2010)




As noites têm chegado antes de mim.
Ruas vazias e um vento frio
Uma mente perdida e uma alma vagante
Um suspiro na ausência das palavras

Encolho-me no assento do ônibus
Mirando alguma estrela pela janela
A escuridão permanece intacta
Perco meu olhar em um horizonte infinito

Aguardo, suspendo, caminho
Entre outros corpos me escondo
Da minha vida me esqueço
Hoje, sei, já não volto

Na cama me descarrego
Alcanço a minha liberdade
Desfaço-me em algum silêncio
A madrugada ainda me aguarda

Mas os dias não vão me esperar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 11 de abril de 2010

“Depois do fim” (28/03/2010)




Prometeram-me uma tempestade
Mas caminho sob o Sol
Ardo em meio a seca
E compro uma ilusão

Feliz foi o momento sem ti
O futuro inacabado
Mas agora enlouqueço
Afogado em possibilidades

A ilusão faleceu em degrade
O fim de tarde lhe levou
E antes que pudesse desistir
A vida trouxe algo melhor

Abandono mais uma vez meus receios
Que venham todos os furacões
Que venham os raios e trovões
Estarei aqui quando tudo acabar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 3 de abril de 2010

“Partindo” (24/03/2010)




Eu sempre soube que você ia partir
Sempre tão leve, tão livre
Tuas loucuras diante o mundo
Teus desejos explícitos
A vida que transbordava por teus poros
Era uma alma radiante
Triste de ver presa e perdida
Havia algo de grandioso
De malas prontas
O mundo estava a sua espera
Eu só pude abri mão
Fui porto passageiro
História para contar
Lembrança eterna
Pretendo assim continuar
Em uma distância segura
Longe das melosas despedidas
Nosso romance não precisa
Basta-me teu último beijo
Basta-me teu eterno abraço
Qualquer coisa além é exagero
Um verso seria injusto
Palavras de amor seriam egoístas demais

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 28 de março de 2010

“Bem Estar” (22/03/2010)




Não conto mais pétalas de rosas
Não arquiteto mais nenhum verso
Tudo acabou-se dentro de mim
Os últimos já levantaram acampamento
A grama verde já volta a nascer
E não demora a você esquecer também

Fui réu confesso de meus erros
Fui sem saber para onde
Defini então todos meus limites
Cansado de tentar demais
Fui encontrar em mim um lar
Onde sempre quis estar

Perdoe minha sinceridade
Perdoe minha falta de jeito
Mas o amor é alguma outra coisa
Aquém de qualquer explicação
E já não posso mais me importar
Nem imaginas do que abri mão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 24 de março de 2010

“Nome e endereço” (19/03/2010)




A solidão e a tristeza não se conhecem.
A bondade e a beleza não moram na mesma rua.
A verdade tirou férias e a mentira morreu antes da hora
O medo é primogênito e a coragem filho do meio
A felicidade não tem lar e o amor argumentos
A ansiedade às vezes dorme com a saudade
O ódio é visitante sem aviso e o rancor inquilino
A angústia e a melancolia desejam opostos
A virtude talvez não esteja entre nós

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 21 de março de 2010

“Quem está perdido só pode aceitar direções” (18/03/2010)




Por tempos estive em suas mãos
Orientações cegamente seguidas
Seu olhar não sobreviveu no meu mundo
Agora tenho minha própria janela
E você quer apagar meu horizonte
Lhe incomoda minhas resoluções
Como se abandonasse minha essência
Ao mudar o âmago de lugar
Como se agora você estivesse só
Mas você já desconhece a própria bandeira
Jogou fora tudo de único e particular
Vestiu todas as máscaras possíveis
Hoje já não se reconhece
Acredita estar me salvando
Mas foi incapaz de salvar a si

Este é meu bem estar
Nesta casa que visita a contra gosto
Foi-se o tempo em que partia
Entrava na estrada sem direções
Hoje não me importo com as certezas
Ou com sua inevitável falta
Meus passos me levam no caminho
E não há palavra para me contrariar
Os conselhos são baratos
Mas viver é de graça
E disto não abro mão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 18 de março de 2010

“Para não dizer...” (08/03/2010)




As flores que entreguei já devem estar mortas
Sei que com elas deixei algo a mais
Morreram também algumas inocências e princípios
Foi o primeiro voto de descrédito ao meu coração
Foi a última poesia que escrevi para alguém
As pétalas se desfizeram em solidão
Sem respostas, carinhos, avisos de seu destino
Apenas uma permanente esperança que se esvaziava
Duvido que tenha durado a primeira semana
Gostaria que tivesse rasgado aquela carta
Nunca as palavras valeram tão pouco
Nem angústias, nem sorrisos, nada lhe fizeram
Sua cara lavada hoje ainda clama
Que não há, nem houve, quem te amou

Não martirizo mais meus versos
Eles não merecem tais companhias
Faces que desejam os romantismos
Corpos que fogem na outra direção
Custou-me um vaso de flores para perceber
Que toda poesia presente em você
Era invisível diante do espelho
Quando pintei então teu retrato
Não reconheceu uma rima se quer
Apaixonei-me por quem enxerguei em você
Um alguém que não se permite ser

Deste mal minhas estrofes já não sofrem
Os poemas não chegam a nenhum endereço
As rosas não merecem fins tão trágicos
Jamais entenderão o que vejo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 10 de março de 2010

“?” (06/03/2009)




O que será então
Quando for tarde demais
Quando o fim chegar
Quando o raio cair
O romance morrer
E a verdade mentir
As forças acabarem
Os muros cederem
Os sonhos morrerem
As palavras perderem a voz
E quadro, a cor.

Quem seremos então
Quando sem limites
Quando sem regras
Quando sem alma
Sem escrúpulos ou pudores
Preocupação ou solidariedade
Sem aliados ou fronteiras
Diálogos e acordos
Coração e humanidade
Quando apenas animais

O que será do mundo
Diante nossos medos
O que será de nós
Sem nossos sonhos

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 7 de março de 2010

“O gosto da manhã” (27/02/2010)




O sol ilumina a cortina
E logo envolve a sala
O calor avança sobre nossa pele
Não ousamos nos mover

Não lembro quando a noite começou
Algumas rodadas depois
Entregamos nossos inconscientes
No desejo que escapou pela boca

Sei que a lua entrava pela janela
Abençoando nosso encontro
Enquanto nos envolvíamos
Sem vergonha do nosso pecado

Dormimos em um abraço
Que agora o dia quer separar
Mas vamos fazer disso eternidade
Não importa o que é preciso

Meu bem,
Como é delicioso
Poder lhe dizer bom dia
Sem nunca ter dito boa noite.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 3 de março de 2010

“Abençoado” (25/02/2010)




Só havia uma estrela no céu
Quando a liberdade me visitou
Me tirou amarras e conceitos
Desnudo finalmente adormeci
Na paz sem adjetivos
Cheguei aos meus sonhos
Olhei em volta para ter certeza
Respirava, enfim, respirava
Esqueci do meu corpo
Descontrolei minhas feições
Fui intensamente feliz
Nem sei por quanto tempo
E já não importava mais
Tinha encontrado meu melhor
Pude simplesmente ser
E agora não quero mais partir
Agarrado a única estrela no céu.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 28 de fevereiro de 2010

“A conquista” (22/02/2010)




Uma imagem
Uma essência
Um sorriso
Uma verdade
Um poema
Uma memória
Um gesto
Um encontro
Um olhar
Um engano
Uma ideologia
Uma promessa
Um sonho
Uma utopia
Uma viagem
Uma casa
Um dia de chuva
Uma briga
Uma palavra
Um inconsciente
Uma decisão
Um suspiro
Uma insanidade
Uma coragem
Um abraço
Um carinho
Uma música
Um adeus
Basta se apaixonar
Uma vez que seja
O motivo não fará diferença

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

“Quando o dia esclareceu” (15/02/2010)




Foi uma caminhada fria
Cheia de perigos sentimentais
Não sabíamos onde estávamos
Falaram através de sussurros
Arriscaram alguns segredos
Os destinos chamavam
Mas negligenciamos os rumos
Estendemos a experiência
A vida se apresentava
Um novo bit de cores
Mas logo tudo partiu
Estreitaram laços de amizade
Cruzando suas experiências
Boas verdades e um cansaço
Maior que imaginado
Há quem ainda lute
Tínhamos a certeza em nós
O trem esvaziou-se
O sol invadiu as janelas
Era hora de voltar
Subi a trilha sem pressa
Já não queria mais pensar
O dia estava completamente claro
Como nunca havia antes

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 21 de fevereiro de 2010

“Sem Maquiagem” (12/02/2010)




Prefiro os rostos sem máscaras
Um par de olhos sinceros
Uma alma cheia de histórias
A decisão de ser única

Tem algo nestes seres
Peculiarmente interessante
Algo de mistério e de perigo
A mulher impossível

São sorrisos pontuais
Olhares oniscientes
Completa de certezas
Um coração protegido

Não querem atenção
Chamegos ou declarações
Apenas o silêncio ao saber
O amor nas entrelinhas

Estarei sempre despreparado
Mas insisto na conquista
Prefiro a nossa chance
Contra todas as outras

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

“Sempre Ela” (09/02/2010)




Ela te coloca por maus bocados
Alegrias desenfreadas
Tempestades sem fim
Testa, duvida, descarta
Invariavelmente volta atrás
Confunde, brinca ou desconhece
Enlouquece qualquer razão
Toma tuas palavras
Não perde discussões
Ensina, desiste e não admite
Some sem explicação
Faz mudanças sem avisos
Bagunça o quanto for necessário
Adora uma surpresa
No último minuto, no fim de noite
Gosta de ter o controle
E de instigar tua decisão
Provoca de pirraça
Para ver se tem trapaça
Se o amor não é em vão
Esconde, foge, protege
Não tem a mínima paciência
Basta o primeiro sinal de maltrato
Brocha a flor, escurece o céu
Não volta jamais

Por isso todo cuidado
Não subestime
Não jogue fora
Não esqueça
A vida só quer teu bem
Trate-a com respeito
Pois não sabemos
O que a maré pode trazer
Ou resolver levar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 14 de fevereiro de 2010

“Sobras” (05/02/2010)




Não tem nenhuma lua cheia pela janela
Uma história no caminho pra casa
Algum vento noroeste
Alguma calçada rachada que seja

Não tem nenhum olhar profundo
Um beijo no meio da chuva
Um abraço de despedida
Algum desencontro distraído

Não teve nenhum sonho na madrugada
Nenhum âmago amargurado
Nenhuma mente em colapso
Algum desejo desenfreado

Não tem nenhum quadro na parede
Lençóis marcados de memórias
Um retrato no criado mudo
Alguma lembrança de um lar

Não restou nenhum papel rasgado
Uma prova de existência
Um resquício da verdade
Algum pranto solitário

A poesia partiu antes do amanhecer
Deixou a chave no chão e a porta aberta
Esvaziou o armário e uma vida
E jamais olhou para trás.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

“Quadro” (31/01/2010)




Um dia fechei meus olhos...
Virei um sonhador
Não havia nuvem
Que fosse apenas nuvem
Não havia horizonte sem história
Não havia pôr-do-sol sem melancolia
Não havia olhar sem romance
Apaixonava-me por idéias
Sorria com as possibilidades
Vivia pelos sonhos
Os dias desfaziam-se em versos
A métrica descia a rua
A rima trabalhava incessantemente
Tudo com ponto final
Nada ficava sem resposta
Não que houvesse muitas perguntas
As palavras eram certeiras
Educadas e bem vestidas
Impossíveis de se negar
Prosa ao pé do ouvido
No fim de tarde
Um abraço carinhoso
No começo da noite
Tudo que era desejo
Era esperança
Uma alma cheia de certeza
Pronta para um vôo qualquer
E principalmente cair

Até que tudo se dissipou
O céu abriu, a noite caiu
O horizonte se perdeu
Os olhares partiram
A paixão esfriou
Desfez-se a prosa
Confundiram-se as palavras
A dança ficou sem par
A cama ficou vazia
O âmago amargurado
E os pés no chão

Quando voltei a abrir meus olhos...
Virei poeta

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 6 de fevereiro de 2010

“Relicário” (30/01/2010)




Garota do coração de prata
Disseste que teu relicário
Permanece vazio
Como é triste o vazio
É uma amargura, uma angústia
Ele não tem forma
Não tem peso, nem tamanho
Pode até ser infinito
O segredo é que ele também acaba
Basta apenas uma fresta
E que você vire a primeira página

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 31 de janeiro de 2010

“Poeta de Papel” (25/01/2010)




Pobre poeta,
Sem as palavras certas
Dono de seus versos
Aquém dos corações
Rimas desajeitadas
Sentimento desarranjado
Falta-te a sinestesia
Perdeste o olhar
Pareceu comum
Enganou-se com o tempo
Precipitou inspirações
Buscou em vão
Quis o mundo
Quis o céu estrelado
Quis....mas
A poesia ficou pequena

Pobre poeta,
Rasga suas cartas
Chora os sonhos
Amarga o peito
Desdenha e maltrata
Sem consciência
Sem controle
Desfez-se no papel
Ficou sem resposta
E agora teme
Não mais voltar
Depois de tanto
Depois de tudo
Depois...mas
Não o bastante

Pobre poeta,
Que não esquece
Quando esteve
Frente a frente
Sem máscaras
Despido de tradições
Livre de receios
Cheio de coragem
Uma única verdade
Mais um respiro
E...
Nada pode dizer
Além de um clichê
Ah, poeta, pobre de você

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

“Se o romance pode morrer...” (14/01/2009)




Por tudo que indicam as metáforas
Por tudo que revelam os olhares
A cada instante de falta de luz
Cada decisão de não voltar atrás
Cada desejo que se perde
Cada amor que se mata
Cada gesto que hesita
Cada palavra de injúria
Cada sonho destruído
As mentes em colapso
As lágrimas de desespero
As súplicas de tristeza
Os horizontes perdidos
Os passos em vão
O suspiro sem esperança
O abraço sem verdade
As pernas sem apoio
Os dedos sem par
Uma alma vazia
Um coração que bate
E pode morrer

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 24 de janeiro de 2010

“Não Estive” (13/01/2009)




Um denominador comum
Um químico inerte
Corpo estático no espaço
Distraído me esqueci
Subi a um sonho
Sorri e lhe abracei
Arrumei um quarto
Decorei tua parede
Tudo nos mínimos detalhes

Foi curioso deixar-me
Sem grandes avisos
Sem restrições
Sentimentos em aberto
Vulnerável a qualquer golpe
Longe demais
Sem chances de reações
Assim permaneci
Por um tempo
Em uma memória
Não posso determinar

Ao voltar esperavam
Olhos arregalados
Logo se desviaram
Como gostaria
Saber o que viram
Por um momento
Não senti perdido
Respirei uma esperança
A minha essência
Valeu um olhar
...
Mas não estava

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

“Um Lugar”




O mundo gira de forma estranha
Não sei dizer se são os sonhos
Mas as sensações estão fora do lugar
Acho tudo isso desproposital
Atrapalharmos nossas mentes e corações
Mas sou confuso para ser claro
Cheio de condições para existir
Uma liberdade criada a muito custo
Desflagelada em uma única insanidade
Não sei mais ser estável
Sofro de labirintite de sentimentos
As vezes apaixonado
As vezes desesperado por um amor
As vezes livre e distante

Na próxima ponta do Sol
Terei de ser algo
E não nego minha preocupação
Quem serei aos olhos do amor?
Me perturba apenas...
Perder o que está ao alcance das mãos
Perder seja o que for é ruim
Até mesmo a razão
No fim talvez seja isso
Perceber demais os erros
No fundo o mundo gira muito bem
É provável embora inverificável
Que esteja onde deva estar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

“Casa Vazia”




Vou parecer incoerente
Uma loucura permanente
Que me acomete nas tristezas
Mas, por favor, me entenda
Quando venho a dizer
Que são teus sorrisos
Que me trazem a solidão
São os inúmeros abraços
Que me lembram o vazio
São os olhos enamorados no metro
Os telefonemas no fim de tarde
Os carinhos a flor da pele
A certeza de pertencer ao próximo
Praticamente tudo que me cerca
Por mais lindo que seja
É o que mais me entristece
Amargura meus pensamentos
E me deixa só, incrivelmente só

Eu sei meu bom Deus
Que nada pretende com isso
A vida não é assim proposital
Mas a primavera está por acabar
E será mais uma que vai passar
Vão-se diante meus olhos os casais
E minha flor morre sem par
A casa vazia machuca demais

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 10 de janeiro de 2010

“Primeiro de Janeiro” (03/01/2010)




A garoa cobre a cidade lá fora
Como uma mãe abraçando os filhos
Hoje é um dia sem memórias
Estão todos conscientemente sem rumo
Escolheram outro mundo
Amanhecer em um sonho novo
Alguns ainda nem foram dormir

Este dia é alguma espécie de esperança
Ao primeiro minuto da madrugada
Todos unidos em praça pública
Festejando talvez a sobrevivência
Festejando novos desejos
Festejando o que já tem
Festejando definitivamente o fim

O ser humano às vezes não consegue
Não enxerga claramente o horizonte
Precisa do ponto final
Até mesmo as histórias mais lindas
Ou tristezas grandes demais
O ano novo é uma espécie de mágico
Que transforma tudo em passado
Numa memória distante demais

Logo tudo se esvazia
Ruas em completo abandono
No dia das novas esperanças
Todos escolheram ir para casa
Escolheram seus amores, suas famílias.

No meu caminho de volta
Só eu, a cidade e a garoa
Carinhosa e fina
Inaugurando um novo mundo
Espero descobri-lo antes do fim

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

“Recomeço” (29/12/2009)




Não é o fim de ano
O tempo não carece,
De nosso controle
Há dias livrei meu peito
Recoloquei minha paz
Hoje me encontraram
Palavras cuidadosas e gentis
Destas de fim de dias
Tiram corpos de órbita
Elas não têm hora marcada
Tomado pelo feitiço
Deflagrei a folha em branco
Pois antes do passado
Quero o que é vivo
Deste breve instante

Meu corpo misturou-se
Angústia, medo, surpresa
No final voltei ao começo
Repeti o exercício falho
Algo instalou-se em mim
Não posso chamar de dúvida
Jamais seria uma incerteza
Não é nada comum
Nem posso compará-lo
Audacioso vou nomeá-lo:
Recomeço

Não posso...nem consigo
Começar a descrever
Estou respirando vida
Tudo é tão real
Chegar até aqui
Justifica qualquer coisa

Eu estou bem
Muito bem, obrigado.

Ass: Danilo Mendonça Martinho