"Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI"

segunda-feira, 27 de julho de 2009

“Uma Carta sem destino”




Escrevo-lhe no último silêncio da madrugada
Quando até anjos já dormem
A chuva é torrencial lá fora
Tento dispersar as últimas dúvidas
Tua imagem já é latente
Mas sussurro a idéia de um romance
Sou um segredo teu
Guardado somente em olhares
Revelado sinceramente nos sorrisos
Discretamente em gestos e palavras
Sabes que me tens
Pois eu já não engano ninguém

Se a vida reside nas entrelinhas
Se a vida é o que não imaginamos
Se a vida é o que desconhecemos
Então sei que vivo aqui
Descobrindo um mundo com você

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 22 de julho de 2009

“Outra Dose”




Vidas amontoadas em copos cheios
As despreocupadas vozes
Caricaturas do que foram à luz do dia
Sombras do que escondem a noite
Meus últimos passos já ecoam no vazio
Não há nada no que deixo para trás
Não há nada de real na mesa do bar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 19 de julho de 2009

“Diga que fico” (01/05/2009)




O mundo insiste em dar voltas sem mim
Sem consideração pelo meu tempo
Acordo em outras épocas
Onde não sou rei, onde não sou príncipe
Onde não tenho papel...

É receber o jornal de ontem
É estar sempre atrasado
Um sorriso, um abraço, um encontro.

Parece-me proposital
Foi no fundo de poços
Em melancolias e angústias
Foi com dor e peito rasgado
Que encontrei as melhores palavras
Estou fadado a isto?
Representações do que não vivo?

Hoje fecho a fresta de luz
Levo disto apenas a escuridão
Tudo em mim permanecerá trancado

São as mesmas histórias
São os mesmos finais felizes
As ficções que me vendem
Propostas que só alimentam o vazio
Que inevitavelmente despenco

Não acredito que podem salvar
Não acredito que há alternativas
Que não seja a morte do amor.

Cansei de buscar meu fôlego
Não existe terra firme
Nada vale o esforço
Hoje só tenho cicatrizes
Hoje vou em direção oposta

Esta dor é mais uma gota
Neste oceano que finalmente transborda
Chega de abrir novas marcas

Vou honrar cada sangue que escorreu
A chuva vai lavar as feridas
Não haverá mais tréguas
Cada fio de pensamento
Cada nocividade contra o coração
Serão perseguidos sem escrúpulos

O ser humano é capaz de tudo
E nesses tempos de guerra
Somos o que é preciso

Desci mais uma vez ao inferno
Embora conheça todas as saídas
Fico até descobrir a que vim
Fico o quanto for preciso
Nem que seja para comprovar meu fim

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 15 de julho de 2009

“Olhos Tristes” (07/07/2009)




Olhos tristes recostaram no banco de trás
Silenciosos, melancólicos, fechados.
Rechaçavam qualquer busca direta,
Evitavam revelar suas verdades.
Recuperavam-se olhando pela janela,
Tentando se distrair em outros assuntos
Procurando um mundo alheio ao seu
Guardava para si seus temores e neuras
Segurava sua chave apertada junto ao peito
Naquela noite não havia alma
Não existia palavra que fosse entrar.
Tentei por diversas vezes momentos,
Mas algumas risadas disfarçaram o que era real.
Quando finalmente os alcancei,
Eles não puderam negar
Foi o máximo que puderam fazer por mim.
Olhos tristes dormiram no banco de trás
Se despediram sem voltar a sorrir.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 12 de julho de 2009

“Before Everything” (16/03/2009)




Be quiet my love
I’m falling for you
I’m trying to be patience
Winning you over
A bit at time
Feeding an idea of romance
Making a believer heart
I start holding your hand
Then I’ll have your smile
And when is set and done
I’ll press against your lips
So we began to discover
What we are meant to be
So be quiet my love
And kiss me once again

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 9 de julho de 2009

“Apocalypse” (06/07/2009)




O que está acontecendo nesse mundo?
Quando tudo se tornou tão seco e amargo?
O que são todos esses corpos desistentes?
Que vidas são essas sem cor?
Relações efêmeras, grandes vazios.
Por que tantos viram as costas?
Os romances morrem em todas as calçadas
Ignorados pela selvageria fria e racional
O que aconteceu com os sonhos?
O que aconteceu com as esperanças?
O que matou de fome esses corações?

O mundo escondido em trincheiras
Ninguém com a coragem de levar uma bala
Apenas os mesmos patéticos sorrisos de quem finge
Quem há muito...não carrega nada consigo.
O medo da perda cria abismos
Maiores que poesias e sentimentos.
Ando a beira deste precipício
Procurando uma breve passagem que for
Se for para tomar partido, fico do lado do êxtase
Onde existem as tristezas que podem me matar
E a alegria que nunca pude imaginar.
Mas são tantos que se esvaziam e lamentam,
Ninguém mais arquiteta pontes ou arrisca vôos.
Todos fincaram seus pés no chão.
Se misturaram ao concreto
Já não posso dizer quem respira.

Não há chuva, sol, horizonte.
Não há argumentos para lhes tirar da razão.
Nunca imaginei que a destruição começaria aqui
Dos âmagos individuais transbordados de desilusão.
Os dias trouxeram um ar insuportável
Uma existência questionável.
Haverá sobreviventes?

Eu, o primeiro dos pessimistas
Hoje luto incessantemente
Tenho medo que em minha era se perca
Algo discretamente essencial
Parecemos negar os fatos
Estamos matando tudo que é possível
Fechando todas nossas portas
Conformados de não ter nada além daqui.
Eu me arranho entre frestas a procura de vidas.
Minha busca torna-se apenas mais difícil,
Mas pela primeira vez encontrei uma causa
Sinto que não posso abaixar guarda,
Não posso desempunhar minhas armas,
Preciso...vou até o fim.
Eu ainda acredito
Lhe suplico que acredite também.
Por favor, não sejamos últimos quaisquer

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 5 de julho de 2009

“Um ponto final para o vazio” (05/07/2009)




O tempo me alcançou
Não pude nem anotar uma idéia no papel.
Meus versos, prosas e ritmos
Todos para um depois.
Terei que partir com a folha em branco
Terei que dar as costas
Terei que produzir um profundo silêncio.
Não poderei nem conceder um olhar.
Não poderei descrever teu encontro.
Esquecerei todos meus pensamentos.
Acordarei meus sonhos
Pacientemente seguirei meus passos
Observando os poemas em descompasso
Até voltar a me encontrar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 1 de julho de 2009

“Opus Posthumous” (26/06/2009)




Confesso: já não te ouvia.
Perdido nos meus próprios pensamentos
...Não pensava em você
Era alguma resolução egoísta
Como: o que fazer depois dali
Não me preocupava em te responder
Não me importava em questionar
Conformava-me de tudo acontecer
Aceitava calado tuas decisões
Não lutava nem mais um instante
Não sei nem dizer se o esforço seria inútil
A verdade é que teus olhos perderam brilho
Sua opinião tornou-se vazia
Em poucos segundos, em poucas palavras.
Tudo me pareceu uma grande mentira
Até demorou a colocarmos o mundo entre nós
As inevitáveis coisas desta vida.
Perdi o encanto como quem perde as chaves.
Faço outra cópia mais tarde
Cansei deste campo minado de emoções.
Cansaço que via em suas feições.
Teus olhos lamentadores não me causam reação
Não posso esconder minha decepção
Sua mão recostada sobre a minha pesa demais
Teus lábios se moviam sem propósito
Já fazia algum tempo que tua face tinha perdido a cor
Aquela situação fria e constrangedora
Aos poucos acabando com o que restou
Nenhum leve resquício de amor.
Reduzidos a um Nada em um único momento.
Teus suspiros marcavam as pausas
Parecia livrar-se de um mal sem tamanho.
Foi então que reclinou teu rosto em uma espera final
Demorei alguns segundos para voltar à mim.
Foi teu silêncio que me acordou.
Foi quando notei que entre nós
Não havia espaço nem para um adeus.


Ass: Danilo Mendonça Martinho