domingo, 21 de junho de 2009

“Rosa” (13/06/2009)




Os poemas permanecem engavetados
As rimas de amor encabuladas
As declarações ao pé da janela
Até mesmo os olhares se escondem.
Todos bem agasalhados e protegidos.
Os corpos se aconchegam
Uma hibernação harmônica.
Observo da minha janela a chuva fina,
As nuvens brancas, o vento soprando folhas.
Lá fora segue alguma solidão,
Caminhando firme sobre o concreto gelado das calçadas.
Repenso em me aventurar além dos portões.
Há algo de demasiado...melancolia talvez.
Por isso prefiro um silêncio companheiro.
Não quero tratar palavras com destempero
Não pretendo deixar sentimentos à deriva.
Haverá o momento certo de partir.
Um horizonte convidativo vai raiar.
Mas não foi hoje meu bem.
Parece injustificável...o outono não foi feito pra ti.
Deixarei uma reciprocidade em falta
Uma espera desproposital.
Pode lhe parecer algum capricho besta.
A verdade é que permanecerei engavetado
Encabulado em meu quarto
Declarado entre as linhas
De olhos fechado a te sonhar.
Tu és uma flor querida
Tu és minha poesia
Mas da próxima primavera.
Espero ansioso o teu desabrochar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

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