domingo, 31 de maio de 2009

“Anjo Caído” (23/05/2009)




Não acreditava no que ouvia
Um dia imaginei que me destruiria
Vi então tudo que temia
Acontecer diante meu coração
A alguém que nada daquilo merecia
Paralisei enquanto lutava
Tentei por quadras infinitas
Uma frase de conforto
Tentei convencer do que não sabia
Todos meus esforços foram em vão
Um buraco abriu diante nossos pés
Nada pudemos fazer para escapar
Nunca antes me senti tão emudecido
Dividia culpa com a causa conhecida
Causa que não podia defender
Queria ter feito muito mais
Tomado lugar debaixo daquele fardo
Auxiliar aquele corpo cansado
Era uma luz que se apagava
Uma tristeza que doía sem fim
Algo destruído além de reparos
Era angústia, sofrimento e lágrimas
Todas em silêncio, bem guardadas
Mas juro que as ouvia
Senti em me afastar de tudo aquilo
Senti por ser humano
Por ter plena consciência
Que existe em mim essa capacidade
De provocar tamanha ferida em outrem
Quando me coloquei a pensar
Não sabia muito bem como dizer
...
Foi assistir um sonho morrer.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 28 de maio de 2009

“Silence” (16/05/2009)




It has been quiet for quite sometime now
The city and the engine are still running
But there is something on the horizon
Fell out place, felt misplaced
I’m driving as far as I can
Before my conscience catch up with me
I’m hitting the open road before dawn
I’m not hoping for any shooting stars
I’m not traveling for my destiny
I’m seeking only for silence
The same silence that won’t be here in the morning
The same silence that was killed in the night
Won’t bring me any peace of mind
Won’t bring me any relief of time
Will be just a moment of silence
Who can allow me only that?
Will be my last wish
My heart has already stopped
My eyes are already close
I just need this voice to disappear
Please give me a silence
And all the emptiness within

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 24 de maio de 2009

“Não Vou” (16/05/2009)




Vou ponderar contra teus olhos
Vou lhe definir pelos traços
Vou te imaginar em uma cadência
Vou te fazer em um verso
Vou te transformar em uma palavra
Tudo parecerá amor
Vou pintar teu quadro
Vou vender tua idéia
Vou propor turnê mundial
Vou arrebatar bilheterias
Vou vencer prêmios
Tudo com mais um romance
Vou perder a coragem
Vou perder a vontade
Vou finalmente hesitar
Por mais longe que vá
Vou esquecer na mesa
Vou começar a gaguejar
Vou deixar pra lá
As palavras mais bonitas
Negligenciadas propositalmente
Nada adianta ser poeta
Se vou me calar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 21 de maio de 2009

“Ode” (11/05/2009)




Por certo, por fato
Falta de tato
Encerro a vida ainda no primeiro ato

É fome, é sede
Um dia deitado na rede
Quem sabe tudo pare de girar

A verdade e a melancolia
Uma cabeça vazia
O diabo a festejar

Enlouqueço penso
Depois finjo que desconheço
Meu nome, meu lugar

O passado me perturba
Lateja dúvida, dúvida!!!
Se ao menos tivesse voz para gritar

Surdo, mudo
Perdido em algum absurdo
Ninguém vai me encontrar

Amor insensato
Compraste-me a preço barato
Ainda lhe mato

Que seja eu então o ingrato
O ingresso falso
O coração faltando pedaço

Sofrimento, desilusão
Para poeta tenho vocação
Nada será em vão

Faça-se a noite e dia
Serei infiel companhia
A falta de toda inspiração

Ausência, vazio
São as vidas e mentiras
Soprando as velas do navio

Aporta, importa
Não me entregue nenhuma sombra morta
Não me venda tua escravidão

Quero liberdade!!!
Antes de santidades
Quero ser enterrado poeta vulgar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 16 de maio de 2009

“Sem Saber” (09/05/2009)




O céu as vezes me parece um capricho
Enfeitado de um véu branco
Cada vez mais espesso próximo de sua origem.
A estrela está imponente hoje
Não há quem venha refutar
Eu mesmo continuei em frente.
Espiei para trás com toda prudência.
Reparou-me por certo.
Diariamente testando limites,
Entre esse concreto e o infinito azul.
Hoje digno de exposição.
Quem vai assinar este?

Constato mais uma vez
A razão não é minha
Desta vez de um amigo
Não importa meus passos firmes
Minha mente decidida
Invariavelmente o que vejo
O inconsciente toma partido,
Antes de qualquer reação.

Odiaria ser só mais um
Mas é complicado ser livre
Transparecer teus princípios
Viver tuas verdades,
Abraçar teus sonhos.
É preciso muita concentração
E a distração suficiente
Para uma invariável inconsciente.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 12 de maio de 2009

“Tudo que tenho” (03/05/2009)




Sábio foi meu amigo a ponderar:
O Amanhã está longe demais
Eu mal recordava disto
Dias que duram semanas
Esta dor aguda prolongada
As horas me pareceram um deserto
Eu sem muitas forças para lutar
Instalei-me neste inferno
Mais hora menos hora descanso
Um sonho me leva daqui

Mas a promessa do amanhã
Esta é de alto risco
Algumas vezes incalculáveis
Não posso por no papel
Nenhuma dessas palavras
Não posso subtrair significados
Não posso somar sentimentos
Se amanhã permanecer promessa
Saberei que simplesmente perdi

Mesmo assim não reajo
Não é medo do passo em falso
Apenas decidi que não quero
Precipício abaixo já conheço
Hoje almoço o cru e concreto
Não alimento esperanças
Quero apenas respirar
Se lhe parecer muito pouco
Tente tirar meu fôlego

Ainda consciente quero lhe falar
Esta areia que escorre entre os dedos
Isto é o mais concreto que tenho
Isto é tudo que é real agora
Não há miragem suficiente
Nada que possa me dizer
Nada que possa abraçar

Insensato sou eu a esperar
Mas na impossibilidade do real
Tenho que sobreviver o dia
Se for necessário uma verdade
Que você não existe meu amor
Que não exista então
Nem hoje, nem amanhã!

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 7 de maio de 2009

“Vil” (26/04/2009)




Nos meus braços
Ao alcance de uma sutileza.
Insinuações desesperadas
Mas ignorei com crueldade
Tudo parecia bom...
Não seria verdadeiro.

O que fazer, como reagir?
Tem jeito certo para acordar alguém?
E se ela não sair deste sonho?
E se tiver que cair da cama?
Este chão é frio
Esta realidade o pesadelo,
Mas cumpri o papel
O diretor me apontou vilão.

Esqueci algumas rimas
Adiantei algumas deixas
Dei as costas e sai
O ato final não era meu.
Ao longe ouvi o choro
Distante senti a angústia
Na escuridão apertei o peito
Fechei o quarto vazio.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 2 de maio de 2009

"Em tempo" (21/04/2009)




É muito tarde para poesias
O dia já vai amanhecer
As estrelas cadentes vão deixar de cair
Restará aos nossos corpos poucas opções
Por isso, neste capricho da noite,
Nesta penumbra que se forma
Diga-me suas palavras sinceras
Tente ao máximo ser direta
Prometo não desviar atenção,
Prometo completo silêncio,
Ouvidos exclusivos ao seu discurso
Prometo um olhar devoto
Reações proporcionais
Mas não me deixe apenas esperando
Desfrute o melhor do seu tempo
Não economize nas verdades
Não evite suas neuras
Transpareça enquanto és invisível

Quem sabe então...
Tudo que somos hoje desaparecerá
Junto das estrelas mergulhadas no céu azul
Quem sabe então...
Nos tornamos uma breve inspiração do amanhã.

Ass: Danilo Mendonça Martinho