quinta-feira, 30 de abril de 2009

"Castelo" (21/04/2009)




Minha vida já nasceu aqui,
Cercada de muros, grades e corpos.
Faz algum tempo que não vejo uma brecha,
Que não admiro um pouco da liberdade
Imagino a sorte de quem alcança as masmorras
Eles ao menos, julgados ou não, enxergam além.
Mas minha alma empobrece nessa visão unidimensional.

Se ainda chovesse todos os dias
Quem sabe os fortes não resistiriam.
Mas luto esta guerra sozinho
Tentando escapar do único e do unânime.
A proteção por preço de liberdade.
Ficaria impressionado com as barganhas
Pelo que se vende nessas ruas.
Ficaria entristecido se soubesse o que perdeu valor.

Mas nenhum nobre Rei desceu de seu trono.
Estamos a mercê de leis mutáveis,
Fidelidades compráveis, integridades questionáveis.
A realidade desta cidade emparedada e sufocada.
Essas ruas infestadas de ratos
Diariamente deixando suas casas
Todos atrás de um pedaço do queijo.
Propósitos vazios, desejos encurralados.
Noticias que se repetem em preto e branco.
Verdades que já não são manchetes.
Sinto por aqueles que não olharam uma vez para o céu
Imaginaram transpor essas fronteiras.
Sinto por aqueles que não quiseram sem porquês.

Choro e sangro ao me debater contra os tijolos
O mundo me cercou de pecados
Culpado, não estranho estar preso.
Estas linhas meramente esboçadas
Limites e conceitos puramente imaginários
Continuam a perturbar meus sentidos
Enquanto ainda tento desenhar
Algo real o suficiente para viver.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

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