domingo, 20 de dezembro de 2009

“Teu verso me falta” (20/12/2009)




Meu sonho não levantou comigo
O telefone não tocou aos raios de luz da manhã
Um leve sorriso da esperança que passa
Um grande suspiro da ilusão que acaba
Tento me acostumar com toda essa espera
Tento não alimentar meus desejos
Mas meu inconsciente me pega de surpresa
Ao me jogar nos sentimentos que ignoro
Seria mais simples se fosse palavra
Poderia lhe descrever em detalhes
Poderia ditar nosso encontro
Nossa união seria algo inevitável
Mas fico sempre a espreita
Pensando em oportunidades
Me precavendo para não lhe perder
Mas pouco sei quando dizem sobre “eu e você”
Será eternamente fora de meu controle
Perderei meu apetite e não saberei o que dizer
E ao teu lado só espero que veja
Por favor, não parta sem me conhecer
Quem sabe entenda o que não digo
Eu sei...não é fácil
Mas sou essencialmente poesia
A espera de quem possa rimar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 13 de dezembro de 2009

“Incerteza” (13/12/2009)




Não consigo me livrar disto,
Impregnado como mau cheiro,
Como uma verdade escondida,
Como segredo sufocante.

Escrevo sem parar
Mas não reconheço as palavras
Nenhuma parece dizer o suficiente
Todas estranhamente mudas

Faço prosas e poesias
Tento fechar os olhos
Tento sempre em vão

Há algo ainda no ar
Há algo nos corações
Há algo nas almas

Algo se perde
Tem algo que perde a voz
Tem algo que perde o sentido
Tem algo que morre
No primeiro sinal de vida

A impressão presa no âmago
Um sentimento sem tradução
Que me deixa apenas com o receio
De ser exatamente do que preciso

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

“Arrependimento” (05/12/2009)




Quantas vezes já recusei o guarda-chuva?
As gotas necessárias ao meu rosto
Pequenas verdades inconvenientes no olho
Implorei por muito mais delas
Perguntei se era tudo que podia fazer
Fui imprudente, fui indiferente
Deixei por me atingir e sangrar
Não tinha razão alguma
Ao perturbar as emoções
Ao questionar as decisões
Forjou-se em mim a tristeza e melancolia
E mesmo assim fui incapaz de chorar
Caminhei com meus erros
Desejando não mais pensar
Todas as forças para esquecer
Mas o pesadelo continuou
E já sabia que não ia acordar
E só pude deixar a chuva cair
Mesmo sem nada a dizer

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

“Segunda Chance” (02/12/2009)




Se este final de noite me permitir mais um desabafo,
Mais um conjunto de palavras alheias
Íntimos revelados e âmagos atordoados
Verdades intrínsecas e abordagens inusitadas
Emoções não recomendadas.

Se as estrelas pararem seu brilho
Escutarem minhas lamurias com a atenção necessária
Quem sabe então venham a cair.
Se os últimos minutos de consciência que me restam
Puderem expressar meu desespero diário e desejos desonestos.
Se minhas últimas palavras puderem não ser nenhum “adeus”
Se meus versos disserem em boa e alta voz,
Minhas falhas, meus medos, minha vulnerabilidade,
Que elas tornem meu ser em mais humano
Que elas tornem minha racionalidade mais desapropriada
Que possam libertar meus pensamentos,
Que possam desaparecer com os limites.

Ah, que bom seria antes de fechar os olhos um sorriso
Aliviado de minha escusas, de meus disfarces,
Que bom seria deixar todas as máscaras no chão,
Que bom seria olhar livremente nos olhos do próximo,
Que maravilha seria não me preocupar.
Ah, se esses versos tiverem esse poder,
Que não pestanejem perante a oportunidade de confessar.

Cansei deste medo, cansei dos pudores,
Quero esta carcaça por inteiro
Quero aceitar suas imperfeições nos mínimos detalhes,
Quero as cicatrizes, quero as marcas do passado,
Quero os ossos quebrados, quero as mágoas expostas,
Quero nestes últimos minutos, como em um reza,
Sussurrar arrependimentos, tristezas, medos, e vontades,
Quero nem que seja em um suspiro me livrar
Deste gosto amargo, destas dúvidas, destes parâmetros.

Se este dia ainda me permitir, queria deixar aqui
Tudo que já não mais sou
Tudo que já não quero mais ser
Tudo que terei que esquecer para o amanhã
Gostaria de aqui deixar minhas dores
Gostaria de me despir dos valores
Enterrar alguns princípios
Começar algo de novo
Se ainda há tempo, se ainda há vida
Que me permita, por favor, me permita.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 22 de novembro de 2009

“Flores de Plástico” (18/11/2009)




De que me adianta uma flor que parece?
Belas pétalas de plástico
Que não me trarão suas alegrias
Que não se flagelarão com tristezas
Que não escutarão meus segredos
Uma terra sem vida
Sem amor para receber
Que rejeitará as chuvas
Que será indiferente aos sóis
Uma bela peça de arte
Vazia de todos os propósitos
Eterna e sem vida

Preferiria mil vezes que morresse
Que me apontasse meu descaso
Que pedisse minha atenção
Que precisasse de minha presença
Suas folhas mudando de cor
E tuas pétalas abrochando no verão
Mas como cuidar de você assim?
Invariável e irredutível
Permanentemente linda e feliz

Sinto dizer, mas não posso
Como é terrível e cruel
Que não lhe existam versos
Mas como lhe poderei ser fiel?
Se sei que virei a chorar
E quando lhe odiar
Não poderei pedir desculpas
Prefiro sangrar com os espinhos
Mas poder...se necessário
Arrancar tudo pela raiz.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

“Baile” (18/11/2009)




Vista-se de algo antigo
Donzela, cavaleiro, frade
Não me importa teu personagem
Rebusque tua linguagem
Pense duas vezes ao indagar
E imponha sua mesóclise com cuidado
Tire seu par para uma dança
Não são dois pra cá, nem pra lá
São olhares, suspiros, e leves movimentos
Conversas inteiras baseadas em gestos
E é melhor não se enganar
É deveras complicado recomeçar
Imposte a voz e discurse
Não seja um tolo utópico
Tua aparência importa demais
Fale de porcos, mas fale direito
A razão não é o correto
É uma voz mais alta e forte
Pois agora que foi devidamente notado
Vire as costas e caminhe com calma
Quais olhos que lhe seguem?
Esta é a pergunta fundamental
E agora é tudo uma questão de tempo
Para que as fantasias venham a cair
Até que sobrem apenas corpos verdadeiros
Um par de almas recíprocas
Que em qualquer época
Sempre poderão se encontrar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 15 de novembro de 2009

“Inacabado” (15/11/2009)




Fragmentado
Parcialmente destruído
Inutilizado
Totalmente esquecido
Poetizado
Indevidamente eternizado
Vencido
Erroneamente julgado
Ultrapassado
Nostalgicamente lembrado
Sonhado
Inadvertidamente imaginado
Cansado
Fisicamente saturado
Ignorado
Conscientemente despercebido
Perturbado
Internamente perdido
Solitário
Permanentemente vazio
Melancólico
Inevitavelmente romântico
Amado
Brevemente retribuído
Revoltado
Historicamente no limite
Irado
Incrivelmente invencível
Marginalizado
Perigosamente excluído
Generalizado
Propositalmente negligenciado
Amedrontado
Circunstancialmente desistente
Policiado
De valores questionáveis
Cicatrizando
Lutando por princípios

Raro foram os momentos
Em que nada fui
E sei que a este momento
Um dia retornarei
Até lá...permaneço...

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

“Me Leva Pra casa” (10/11/2009)




Se vier o suspiro
O sorriso torto
A face murcha.
Se desistir de discutir,
Perder as palavras,
Abaixar o tom.
Se me sentar,
Evitar gestos,
Inerte as provocações.
Seja prudente de não perguntar
Poderei fugir em paz
Para nunca mais voltar

Quando o dia pesa
A liberdade estreita
A paciência acaba
O sujeito desagrada
O amargo sobe a boca
O cenário perde a cor
Quando o reflexo me estranha
É hora de dar as costas
Para dizer jamais

Não quero estar aqui
Com isto como parte de mim
Não quero ser
Imagem com pobreza de detalhes
Mente inquieta e perdida
Piadas forçadas e falsos sorrisos
...Tomo o caminho de casa
Sem saber como voltar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 8 de novembro de 2009

“Walking Away” (02/11/2009)




I have been waiting
Standing all alone
Like a fool in the end
The sun is gone
The moon won’t come
The darkness is upon me
And a still was looking
Maybe in the next turn
You were on time
A few minutes to arrive
And the revolution broke out
My heart losing his pace
And I started losing my mind
All the reasons became unreal
My doubts unsettling
My body uneasy
It doesn’t feel right
I couldn’t be there
It was too comfortable
Living once again
And complain when you be gone
A cheap shot to romance
A lie that I couldn’t stand
I already came too far
Now I need to get free
I hope you understand why

I started walking
I didn't give up the hope of the train pass
I just choose not to be there

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

“Quinta a Noite” (02/11/2009)




Não quero escrever-te
Não se trata de descaso
Jamais lhe negarei
Mas parece inadequado
Que versos te descrevam
Sendo que já lhe sinto
E tua marca em mim
Não contém tradução

Não quero eternizar-te
Somos bem mais sutis
Olhares muito tímidos
Palavras fantasiadas
Um sentimento óbvio
E por respeito a ele
É que quero me calar

Não merecemos o papel
Nem queremos merecer
Sejamos uma boa intenção
Um encontro casual
Um teimoso desconcerto
Uma dessas felicidades
...que permanece.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 1 de novembro de 2009

“Uma Sombra Contemporânea” (31/10/2009)




O que fazer quando os valores não pagam a conta?
Quando a felicidade tem preço.
Quando as honras são secundárias.
Quando as nobrezas são rejeitadas.
Quando ser humano se torna sê-lo menos.

O que dizer ao olhar que desiste.
Ao coração que se fecha.
Ao corpo que dá as costas.
O rosto que entristece
A vida que perde a cor.

Para onde ir quando se é incomum.
Quando tua opinião é contrária.
Quando tua crença é única.
Quando tua palavra é sozinha.
Quando te deixam para trás.

Como se manter intacto
Se são nas brechas que te atacam
Se é de ti que fazem duvidar
Se é do teu sorriso que são contra
Se é a tua essência que negam

Por último me diga sinceramente
Quando deixar quem você é
Quando trocar e vender
Quem será diante do espelho
Por qual nome devo lhe chamar?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

“Silenciei diante o medo”(26/06/2007)




Essas palavras não são minhas
Não te disse nada nos dias
Tenho certeza dos meus silêncios
Tenho dúvida ao que diz ser meu
Na verdade essa conversa não existe
Eu nunca estive por perto
Eu não te liguei em nenhuma tarde fria
Tomo por certo todas minhas ausências
Tomo por dúbia minha presença além daqui
Mas não, realmente não estou, não estive
Não lhe encontrei em nem um banco de praça
Não te acenei do outro lado da rua
Acredito na minha alienação a tua vida
Fico incerto quanto ao conhecimento da minha
Não pertenço ao meu próprio instante
As minhas próprias palavras e escrita
Não pertenço ao mundo que crio
Esqueço-te na realidade
Não te reconheço nos meus sonhos
Protejo-me onde não existo
Mas você me seguiu até aqui
Não posso nem negar-te
Tu és realidade mesmo onde não há
E este é o momento o qual não escapo
Com a palavra que me dá, calar-me.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 25 de outubro de 2009

“Fim de noite” (21/10/2009)




Saudade da poesia
Sentar-me perto da lareira
(que não tenho)
A chama flamulante
Escolhendo as palavras
Ditando o ritmo

Saudade do meu caderno
Já de folhas esgotadas
De vida completa
Coração cheio

Saudade do que perdi
Inspirações fugidas da memória
Gostaria de um reencontro
Será que precisam de mim?
Provável que precise delas

Saudades imensas eu sinto
De procurar uma varanda
Debaixo de uma chuva
De lhe escrever uma carta
De arriscar um verso
De rasgar alguma página
De começar de novo
De não ter o que fazer
De voltar a minha paz
E se fosse o caso
Apenas sonhar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

“Dance” (21/10/2009)




O salão está cheio
Mas a pista vazia
A música já começou
Alguns ensaiam a voz
Elas, olhares aos pares
Um sentimento incomoda
Um mundo incompleto
Um erro despercebido
Uma falta de comunicação
O desejo é óbvio
As pernas não se agüentam
Os sorrisos contagiam
Quem pode nos salvar?
Vencer essa inércia
Ser livre de valores
Praticar uma loucura
Apenas me responda isto
Quem de nós vai cruzar o salão?

A caminhada é longa
A pressão é cruel
Desistir é fácil
Hesitar quase natural
Pegar a mão, um desafio
Falar, uma coragem
Dançar, uma felicidade
Acabamos por descobrir
Que se a pista está vazia
É porque ainda não estendemos a mão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

“Sol e Chuva” (12/10/2009)




Se eu fechar meu olhos
E pedir aos céus
Por um dia de Sol
É provável que o tenha
Quando precisar de chuva
Posso olhar para o céu
Pedir o que quiser
Pois ainda sim virá chuva

Hoje não sei do que preciso
Faça o tempo que for
Meu coração está inquieto
Minha mente descontrolada
As palavras a flor da pele
Deixo escapar segredos

Hoje já não me importo mais
Se você se importa demais
Já fui de muito desconsiderado
Por isso me reservo direitos
De cutucar aos âmagos
De ignorar sentimentos
Preservo-me cético às esperanças

Hoje concretizo a realidade
Metodicamente esquematizo
Não ajo passionalmente
Permito-me licenças poéticas
Quando já distante
Onde poucos me acompanham

Hoje saio de casa
Olho fielmente aos céus
E uma dúvida permanece
Fará sol ou chuva?
Serei livre ou feliz?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 11 de outubro de 2009

“Saiba” (11/10/2009)




Estranho como a vida fica mais fácil
As decisões não pesam
As responsabilidades não exageram
Tudo fica do tamanho certo
Do tamanho do abraço na estação
Na leveza da conversa jogada fora
Na certeza da presença no amanhã
Nos segredos compartilhados
Nos momentos vividos
A compreensão além das palavras
A verdade acima de tudo
A sinceridade inevitável
A amizade é algo peculiar
Existe até na falta da presença
É um privilégio meu amigo
O qual não esqueço um segundo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

“You ruining every dance” (03/10/2009)




Você não acompanha meus passos
Dança em outras músicas
Não se anima e nem permite
Ceticamente descarta
Ironicamente pergunta
Conscientemente provoca
Evita toda busca
Levanta a muralha
Disfarça ser de pedra
Vence todos fracos
Afugenta os nobres
Abraça a solidão
Escolhe o canto da festa
Fecha a janela
Fica a espreita
Codifica seus sorrisos
Concorda sem dizer
Busca sem admitir
Fecha os olhos a tempo de fugir
Misteriosamente permanece
Firmemente continua a negar
Na espera de quem não vai chegar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 4 de outubro de 2009

“Melancolia Poética” (02/10/2009)




Tudo que o vento leva
Tudo que um sorriso traz
As mentiras desmascaradas
Os segredos nas suas verdades
Volta-me a arranhar o peito
Volto quando deveria ir
Olho-te em última esperança
Olho-te por não conseguir desviar
Tua alma carrega a poesia
Meu corpo então se entrega
Mas quando as memórias chegarem
Mas quando tua imagem perder a cor
Apenas então terei um verso
Apenas terei uma prosa sem romance

Conformo meus desejos
Conforme me cai a realidade
A solidão nas alianças alheias
A alegria que não encontrei
Amarguro aos meus passos
Amargo minha visão
Tiro do próximo a liberdade
Tiro no escuro do amanhã
Invento pretensiosas filosofias
Invento meu próprio saber
Mas nada construo
Nem mesmo um breve reflexo

Destrato meus sonhos
Descarto possibilidades
Esfrio todas situações
Desacelero o coração
Deixo meu acaso ao destino
Desleixo, despropósito
Chame do que quiser
Pode tentar Amor

Não quero entrar em minúcias
Não quero discutir valores
Os meus limites
Os seus limites
Jamais farão fronteira
Sempre serão absurdos
Por mais que nos corroa
Por mais que exista
Reconheci-me em ti à toa
Pois agora hei de te esquecer

De nada adiantou as poesias
De nada adiantou o pôr-do-sol
Poderiam existir inúmeras flores
Poderíamos jantar a luz de velas
As estrelas virem a cair do céu
Teus desejos serem atingidos
Escolha teu melhor vestido
E vou com meu melhor terno
Completaríamos a fotografia
Particularmente enquadrados
Inevitavelmente imperfeitos

Toda beleza traz um pouco de saudade
Toda alegria traz um pouco de tristeza
Todo amor traz um pouco de indiferença
Assim como viver traz a morte.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

“A sombra de uma moça” (11/03/2007)




Um beijo de boa noite e é quando você diz que está tudo bem
Você me embala nos braços mais uma vez
Cai uma noite estrelada na janela da frente
Cai uma chuva fina pela janela dos fundos
Antes que vença a escuridão eu fecho os olhos
Viajo no tempo enquanto crio meu próprio
Os sonhos não me trazem seu rosto
Os sonhos não me trazem seu nome
Acordo em meio ao caos de não lhe ter
Ah, moça do beijo doce que perturba a mente
Quando você vai ganhar vida e respirar comigo?
Quando vai tocar a campainha, me telefonar?
Se não existe na realidade que habito
Só posso esperar voltar a sonhar quando você diz que está tudo bem

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 27 de setembro de 2009

“Obrigado pela compreensão do ponto final” (25/09/2009)




Jamais imaginei poemas que causassem lágrimas
Jamais me coloquei entre os grandes
Jamais me considerei, além, do que mais um
Mas como queria ser teu agora
As linhas limitadas me ameaçam
Não sobrou quase nada de você
Não comprei a eternidade quando pude
Fiquei com a esperança que é de graça
E continuo a virar as páginas
Procurando uma alternativa para o fim
Mas também sei que não posso parar
Espero que guarde e carregue boas verdades
Cuidei da poesia, cuide dos seus leitores
Somos seres finitos eu e você
Já me encontraste chorando de peito aberto
Já me encontraste vencido a meia luz
Sempre me deixaste sorrindo
Então façamos outra vez
Vamos entreolhar as palavras escolhidas
Vamos respirar fundo por uma linha

Vamos ficar com a certeza de que fomos grandiosos

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 20 de setembro de 2009

“Lugar Algum” (20/09/2009)




Quero uma passagem para lugar algum
Quero começar me esquecendo
E depois não ter mais para onde voltar
Quero dizer adeus em abraços fortes
Quero ser livre para não olhar para trás
Quero uma estrada sem nome
Sem propósitos, motivos, responsabilidades
Quero estar à margem de
Romper algum tipo de barreira social
Ser estranho, a parte, único
Se pudesse escapar das memórias
Se pudesse me despir da consciência
Se pudesse largar meu nome
Se todos os olhos me passassem batidos
Será que teria paz?
Terei ido longe o bastante?
Poderei respirar sem ser interrompido?

Que uma boa alma me acompanhe
Gentil para guardar todos os porquês
Não ter, para comigo, julgamentos
Não quebrar por nada este silêncio
Satisfeita pelo segurar de mão
Indiferente as normas sociais
Certa do abandono próximo
Torcendo em segredo contra
Meu desejo que chegue logo este trem
Que me leve para qualquer outro minuto

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

“Deixei” (16/09/2009)




Eu descobri que tudo que sei é pouco
Para tudo aquilo que quero entender
Minhas palavras são rasas
Minhas atitudes são ineficientes
Breve, previsível e insuficiente

O cansaço me tomou desde as entranhas
Um grito de liberdade instalado em meu âmago
Larguei de meus amores
Desisti por vez de seus olhares
Não quero mais saber se me falta, se me quer

Odiei-me por estar ali
A mercê dos olhares que me exigiam
Aquém de viver as expectativas
Vulnerável, fora de meu habitat
A promessa de não voltar

Rasguei pensamentos como cartas
Desfiz-me de tolas preocupações
Agredi inconvenientes justificativas
Exilei todas esperanças
Recriei-me cru e real

Não quero mais nada disso
Nenhum desses jogos insanos
Não quero mais comprar ilusão
Tudo que sei é que, o que descobri
Foi mais do que o bastante

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 12 de setembro de 2009

“Poetas Dest’ora” (21/06/2009)




Poetas desta hora
Insana, arcana
Levantai enquanto há
Dizei enquanto é
Poetize seu tempo
Torne a vida algum infinito
Pois de outra hora...
Jamais seremos

Poetas desta hora
Olhai a sua volta
Leiam tuas inspirações
Vislumbrem outros mundos
Façam do concreto outro romance
Nasçam entre as frestas
Uma flor de primavera

Poetas desta hora
Vivam a todo preço
Escolham as incertezas
Divirtam-se com o destino
Procurem os próximos sorrisos
Sejam tudo hoje
Deixem suas palavras para o amanhã.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

“Particularidades” (09/09/2009)




Não é a toa que alianças enfeitam os dedos
Podem pensar que tolos enxergaram belezas
Acredito nos poucos que encontraram almas
Vejo nos olhos delas toda verdade
Vezes que nem preciso procurar pelo compromisso
Tem algo na luz, no rosto, nos trejeitos, no sorriso
Mulheres muito bem conquistadas
Mulheres que de longe já merecem atenção
Os detalhes só te convencem do óbvio
É mais que um desejo físico
É mais do que teus olhos alcançam
Precisa de toda dedicação de seu corpo
Necessita de todos sentidos para compreender
É necessária uma vida para encontrar
Um momento atento para se viver

Não é muito que se pede
Ou talvez seja simplesmente tudo
Não conheço limites mais imaginários
Terras totalmente sem donos
Fortalezas sem propósitos
Acredite, você não está a salvo
Não há âmago que se resguarde
Não há nem como tentar negar
Até tuas mentiras soarão como verdades
E se sua razão de alguma forma vencer
Terá vencido então também tua essência
Uma breve sombra do que um dia refletiu

Não digo tudo isso por devaneio ou descuido
Vi entre sóis imagens tão particulares
Vi tantas poesias em formas humanas
Vi olhares que valiam diamantes
Todos perdidos em pequenas brechas do mundo
Se não fossem os que cegamente tentam pelas estrelas
O horizonte seria mais uma pintura sem graça
Não defendo o mundo como um lugar romântico
Apenas como um espaço de tolos e poucos

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 6 de setembro de 2009

“Enquanto Memória” (20/08/2009)




Descobri que não existo
Apenas brevemente permaneço
Memória, palavra e tempo
Descobri que não sou
Se não quando em outro
Senti, que não fosse,
Nesses versos e poesia
Seria supérfluo
De nada adiantaria o agora
Sem as tais letras
Poderiam me engavetar
Escapar das lembranças
Então bastaria do tempo o compasso
Eu me deflagraria vencido

Senti angústia e medo
A certeza imponderável
A memória esquecida
Poemas de outrora
A vida que chegara
Sem mais esperas
Os sentimentos desapareceram
Nas sombras dos anos
Tornei-me algum espaço vazio
Uma falha cronológica
Sem história para contar
Sem nada a declamar
Sem saber o que era

Terei muita sorte
Em habitar essas páginas
Terei morrido
Se não tentar


Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

“Saudade” (19/08/2009)




Saudade é uma distância
Que não se quer, mas existe
Que se evita, mas vence
Por vezes infinita
Por vezes indiferente

Saudade é uma palavra
Que requisita a presença
Que imagina o abraço
Que retoma os sorrisos

Saudade é nostalgia
Não há doses recomendáveis
Não há remédios controlados
Muito menos cirurgias cabíveis

Saudade é quase arrependimento
A vontade de mais tempo
Para dizer algumas bobagens
Para garantir algumas verdades
Quem sabe...mudar

Saudade é a falta
Do que tomamos para nós
Mas na verdade sempre foi livre

A saudade que sinto
As vezes imensa
As vezes pondera
As vezes me abraça
E tenho certeza que volta

Ass: Danilo Mendonça Martinho

Livremente inspirado em: http://www.fotolog.com.br/krettinha/37364257

domingo, 30 de agosto de 2009

“Sucinto” (13/08/2009)



Pretendo
Assim
Tentar
Ser um tanto
Mais breve
Ser um tanto
Mais objetivo
Calar
De fato
Não há
O que chamar de espaço
Para divagações
As mesmas histórias
O mesmo argumento
Uma voz
Sem voz
Murmurinho
Desnecessário
O mundo não precisa
Não lida
Com tantas explicações
Sim
Não
E basta
Engana-se
Quem pensa
Que alguém escuta
Eu mesmo peco
Ao me esforçar
A mais
Além
Pelas coisas
Que não existem em palavras
Mas duvido
Também
Da compreensão
Meu olhar
Permanecerá
Mais um
À multidão
Meu silêncio
Será como segredo
À poucos
Aqueles
Provavelmente
Sem mais a dizer

Prometo
Sem mais prolongar
Sucinto
Enfático
Serei então
Tudo e nada
Nunca e sempre
Começo e fim
Para entrelinhas
Procure o poeta
Sentado no jardim
Mais
Mas
Cuidado
Ele pode
Não
Responder
Apenas
Sim

E eu
Particularmente
Digo
Ou
Penso
Não devo
Dizer
E sei
E sinto
O então
Do movimento
Não veio
E o mundo
Assim
Em breve
Pára
Receio
A escolha
De um dia ruim

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

"Um Poema para meu passado" (08/08/2009)




Decido hoje enterra-lo
A sete palmos em um lugar seguro
A sua data cravada em pedra
Para que não haja mais dúvidas

Ao primeiro de meus amores, um sorriso
O único olhar que nunca desviei
Teu nome e encanto guardo comigo
Desfaço-me da idéia de um reencontro

À porta que me foi aberta
Assumo todas as conseqüências
Lhe marco como fato na minha história
Uma verdade em minha vida

Ao desejo que sentou ao meu lado
Ofereço um último tirar de fôlego
Hoje lhe tomaria com todas as forças
Antes simplesmente não soube

Ao coração o qual apressei
Um sincero pedido de desculpas
Foi o exagero de querer-te bem
Foi o egoísmo de querer-te logo para mim

Para todos passados aqui descritos
Um ponto final bem explícito
Que não voltem a me assombrar
Descansem em paz

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 23 de agosto de 2009

“Abstinência” (04/08/2009)




Meu desespero atingiu níveis alarmantes
Conseqüência de uma solidão sistemática
Minha realidade é perspectivamente fraca
As sombras se insinuam com facilidade
Uma mente corrompida de pressões sociais
Um corpo sedento por contato
Olhos psicopatas e vulgares
À beira do ataque aos pudores

Tenho medo de meu descontrole
A insanidade ganhar novo significado
As percepções estão cada dia mais vivas
Quase posso tocar os desejos
Quase quero ser acometido pela barbárie
A inconsciência total dos sentidos
Vencido pelo sabor do desfrute alheio

É possível que em breve extrapole
Então não se espante com a noticia tardia
De que foi internada uma alma perdida
Que em voz alta expôs suas súplicas
Que em público abusou das infâmias
Com gosto assumiu sua condição carnal
E erroneamente pediu ao próximo
Que também o fizesse.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

“Renuncio” (27/05/2009)




Ao cargo que não me foi dado
Ao amor que não é meu
A amizade distante
Ao medo de você
A verdade entre nós
As mentiras que contei
Ao silêncio que adotei
Ao adeus que permiti
Ao abraço que neguei
As palavras que escondi
Ao coração que magoei
As lágrimas que provoquei
Aos sonhos passados
Aos desejos futuros
A crueldade que me foi capaz
Ao romantismo que me faltou
Os versos que me fugiram
A poesia que nunca escrevi
A declaração que nunca fiz
A precipitação inevitável
Os limites que não considerei
As indelicadezas cotidianas
O humor disfarce
Os gestos que evitei
Os detalhes sem a minha atenção
Os olhos que me encaravam
As mãos que tentaram alcançar
Teu pudor
Teu sentimento
Tua sinceridade
Teu sacrifício
Até teu sorriso
Não serei teu amante
Não serei teu amigo
Não serei teu ontem
Não serei teu amanhã
Não serei teu...
Não serei mártir deste romance
Renuncio a presença em tua memória
Minha única esperança é que me esqueça
Para que não seja eu...a abrir mão.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 1 de agosto de 2009

“O que há com as horas?” (17/07/2009)




As horas me ultrapassam, perco seus entornos
As horas perdidas, esquecidas na minha esquina,
Horas demasiadas longas, quando hei de chegar?
Horas sonhadoras ainda não me levem, eu peço
Horas futuristas, dê-me teu tempo certo
Horas impróprias, fatalmente atrasadas
Horas distraídas, me traístes?
Horas esquecidas, posso me ausentar também?
Horas exatas, o marco do que já foi
Horas minutadas, espera infinita
Horas marcadas e seus desencontros pontuais
Horas de sono, livres a sua vontade
Horas depois, entre deliciosos mistérios
Horas ilusórias, promessas que se esvaziam
Horas reflexivas, sua filosofia me intriga
Horas compartilhadas, dá-me o prazer da companhia?
Horas infinitas, da vida que não vejo fim
Horas complicadas, diferenciar desculpas de explicações
Hora do dia a dia...rotina
Horas desperdiçadas, vazios de palavras
Horas de desespero, curtas, aflitas e reais
Horas do amanhã, expectativas e não verdades
Horas, uma perspectiva sobre o tempo
Horas, um controle sobre a existência
Horas que não cabem meus desejos
Horas que limitam meus encontros
Horas que escurecem
Horas que renascem
Horas de caprichadas pertinências
Horas que me consomem
Horas sem consideração
Horas de inevitável atraso
Horas além daqui
Horas de alguma esperança
Horas de pulsos, paredes e igrejas
Se forem horas tardias
Permaneçam horas desconhecidas
Horas de paz

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 27 de julho de 2009

“Uma Carta sem destino”




Escrevo-lhe no último silêncio da madrugada
Quando até anjos já dormem
A chuva é torrencial lá fora
Tento dispersar as últimas dúvidas
Tua imagem já é latente
Mas sussurro a idéia de um romance
Sou um segredo teu
Guardado somente em olhares
Revelado sinceramente nos sorrisos
Discretamente em gestos e palavras
Sabes que me tens
Pois eu já não engano ninguém

Se a vida reside nas entrelinhas
Se a vida é o que não imaginamos
Se a vida é o que desconhecemos
Então sei que vivo aqui
Descobrindo um mundo com você

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 22 de julho de 2009

“Outra Dose”




Vidas amontoadas em copos cheios
As despreocupadas vozes
Caricaturas do que foram à luz do dia
Sombras do que escondem a noite
Meus últimos passos já ecoam no vazio
Não há nada no que deixo para trás
Não há nada de real na mesa do bar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 19 de julho de 2009

“Diga que fico” (01/05/2009)




O mundo insiste em dar voltas sem mim
Sem consideração pelo meu tempo
Acordo em outras épocas
Onde não sou rei, onde não sou príncipe
Onde não tenho papel...

É receber o jornal de ontem
É estar sempre atrasado
Um sorriso, um abraço, um encontro.

Parece-me proposital
Foi no fundo de poços
Em melancolias e angústias
Foi com dor e peito rasgado
Que encontrei as melhores palavras
Estou fadado a isto?
Representações do que não vivo?

Hoje fecho a fresta de luz
Levo disto apenas a escuridão
Tudo em mim permanecerá trancado

São as mesmas histórias
São os mesmos finais felizes
As ficções que me vendem
Propostas que só alimentam o vazio
Que inevitavelmente despenco

Não acredito que podem salvar
Não acredito que há alternativas
Que não seja a morte do amor.

Cansei de buscar meu fôlego
Não existe terra firme
Nada vale o esforço
Hoje só tenho cicatrizes
Hoje vou em direção oposta

Esta dor é mais uma gota
Neste oceano que finalmente transborda
Chega de abrir novas marcas

Vou honrar cada sangue que escorreu
A chuva vai lavar as feridas
Não haverá mais tréguas
Cada fio de pensamento
Cada nocividade contra o coração
Serão perseguidos sem escrúpulos

O ser humano é capaz de tudo
E nesses tempos de guerra
Somos o que é preciso

Desci mais uma vez ao inferno
Embora conheça todas as saídas
Fico até descobrir a que vim
Fico o quanto for preciso
Nem que seja para comprovar meu fim

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 15 de julho de 2009

“Olhos Tristes” (07/07/2009)




Olhos tristes recostaram no banco de trás
Silenciosos, melancólicos, fechados.
Rechaçavam qualquer busca direta,
Evitavam revelar suas verdades.
Recuperavam-se olhando pela janela,
Tentando se distrair em outros assuntos
Procurando um mundo alheio ao seu
Guardava para si seus temores e neuras
Segurava sua chave apertada junto ao peito
Naquela noite não havia alma
Não existia palavra que fosse entrar.
Tentei por diversas vezes momentos,
Mas algumas risadas disfarçaram o que era real.
Quando finalmente os alcancei,
Eles não puderam negar
Foi o máximo que puderam fazer por mim.
Olhos tristes dormiram no banco de trás
Se despediram sem voltar a sorrir.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 12 de julho de 2009

“Before Everything” (16/03/2009)




Be quiet my love
I’m falling for you
I’m trying to be patience
Winning you over
A bit at time
Feeding an idea of romance
Making a believer heart
I start holding your hand
Then I’ll have your smile
And when is set and done
I’ll press against your lips
So we began to discover
What we are meant to be
So be quiet my love
And kiss me once again

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 9 de julho de 2009

“Apocalypse” (06/07/2009)




O que está acontecendo nesse mundo?
Quando tudo se tornou tão seco e amargo?
O que são todos esses corpos desistentes?
Que vidas são essas sem cor?
Relações efêmeras, grandes vazios.
Por que tantos viram as costas?
Os romances morrem em todas as calçadas
Ignorados pela selvageria fria e racional
O que aconteceu com os sonhos?
O que aconteceu com as esperanças?
O que matou de fome esses corações?

O mundo escondido em trincheiras
Ninguém com a coragem de levar uma bala
Apenas os mesmos patéticos sorrisos de quem finge
Quem há muito...não carrega nada consigo.
O medo da perda cria abismos
Maiores que poesias e sentimentos.
Ando a beira deste precipício
Procurando uma breve passagem que for
Se for para tomar partido, fico do lado do êxtase
Onde existem as tristezas que podem me matar
E a alegria que nunca pude imaginar.
Mas são tantos que se esvaziam e lamentam,
Ninguém mais arquiteta pontes ou arrisca vôos.
Todos fincaram seus pés no chão.
Se misturaram ao concreto
Já não posso dizer quem respira.

Não há chuva, sol, horizonte.
Não há argumentos para lhes tirar da razão.
Nunca imaginei que a destruição começaria aqui
Dos âmagos individuais transbordados de desilusão.
Os dias trouxeram um ar insuportável
Uma existência questionável.
Haverá sobreviventes?

Eu, o primeiro dos pessimistas
Hoje luto incessantemente
Tenho medo que em minha era se perca
Algo discretamente essencial
Parecemos negar os fatos
Estamos matando tudo que é possível
Fechando todas nossas portas
Conformados de não ter nada além daqui.
Eu me arranho entre frestas a procura de vidas.
Minha busca torna-se apenas mais difícil,
Mas pela primeira vez encontrei uma causa
Sinto que não posso abaixar guarda,
Não posso desempunhar minhas armas,
Preciso...vou até o fim.
Eu ainda acredito
Lhe suplico que acredite também.
Por favor, não sejamos últimos quaisquer

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 5 de julho de 2009

“Um ponto final para o vazio” (05/07/2009)




O tempo me alcançou
Não pude nem anotar uma idéia no papel.
Meus versos, prosas e ritmos
Todos para um depois.
Terei que partir com a folha em branco
Terei que dar as costas
Terei que produzir um profundo silêncio.
Não poderei nem conceder um olhar.
Não poderei descrever teu encontro.
Esquecerei todos meus pensamentos.
Acordarei meus sonhos
Pacientemente seguirei meus passos
Observando os poemas em descompasso
Até voltar a me encontrar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 1 de julho de 2009

“Opus Posthumous” (26/06/2009)




Confesso: já não te ouvia.
Perdido nos meus próprios pensamentos
...Não pensava em você
Era alguma resolução egoísta
Como: o que fazer depois dali
Não me preocupava em te responder
Não me importava em questionar
Conformava-me de tudo acontecer
Aceitava calado tuas decisões
Não lutava nem mais um instante
Não sei nem dizer se o esforço seria inútil
A verdade é que teus olhos perderam brilho
Sua opinião tornou-se vazia
Em poucos segundos, em poucas palavras.
Tudo me pareceu uma grande mentira
Até demorou a colocarmos o mundo entre nós
As inevitáveis coisas desta vida.
Perdi o encanto como quem perde as chaves.
Faço outra cópia mais tarde
Cansei deste campo minado de emoções.
Cansaço que via em suas feições.
Teus olhos lamentadores não me causam reação
Não posso esconder minha decepção
Sua mão recostada sobre a minha pesa demais
Teus lábios se moviam sem propósito
Já fazia algum tempo que tua face tinha perdido a cor
Aquela situação fria e constrangedora
Aos poucos acabando com o que restou
Nenhum leve resquício de amor.
Reduzidos a um Nada em um único momento.
Teus suspiros marcavam as pausas
Parecia livrar-se de um mal sem tamanho.
Foi então que reclinou teu rosto em uma espera final
Demorei alguns segundos para voltar à mim.
Foi teu silêncio que me acordou.
Foi quando notei que entre nós
Não havia espaço nem para um adeus.


Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 28 de junho de 2009

“Uma Calma” (23/06/2009)




Acalma, com calma.
Pobre coração acelerado
Atrapalhado com as palavras
Ridiculamente sonhando
Esperançoso de sorrisos
Pobre de seu dono
Um desses descuidados
Que te alimentou
Imprudentemente apaixonado
Agora sofre de tuas neuras
Compartilha tuas aflições
Até mesmo sorri em vão

Vai com calma
Sem palavras forçadas
Sem realidades dúbias
Seja teu porto seguro
Agarre tuas pernas
Sem tremedeiras à toa
Certas coisas já caminham
Olhares se acham
Não precisam de endereços
Procuram seus comuns
Ignorados tentam de novo

Peço calma
A pressa não lhe falta
Arrancaria páginas
Maltrataria versos
Negaria todas ações
Tua cadência é fatal
Preciso de teu arranjo
Para entoar os versos
Ao pé do ouvido
De outro pobre coração

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 24 de junho de 2009

“Inverno” (13/06/2009)

Vivo entre invernos, não sei bem porque meu coração agita-se mais nessa época, talvez querendo mostrar que ainda estou vivo, evitando toda inércia deste tempo frio e inibidor. Por fato paixões se aproximam e se resolvem, e eu tenho passado meus anos assim, no aguardo de um próximo inverno, uma nova história para contar. Os amores costumam me encontrar por aqui, por mais que eu tente fugir, ponderar ou manter a calma. Ainda me aconchego entre os cobertores, no momento, minha única companhia. Acomodo-me entre meus sonhos, acordo pronto para esquecê-los. Alguma hora por esses dias vou crescer. Aprender algo de novo, no ritmo cadenciado que minha vida segue. Até o dia de compartilhar um chocolate quente na varanda. Um pôr-do-sol, uma chuva. Um sentimento congelado entre as masmorras do castelo. Todos aconselham a não deixar as fortalezas, eu decido por me arriscar em campo aberto. Há algo de inebriante no romance, algo que não pretendo defender nem discutir. Não me importo em ser algum último. Não posso apontar errados. Esses são meus limites, até onde posso imaginar, até onde a mente se controlar, até onde meu amor puder alcançar, até onde minha mão puder tocar. O resto é teu. Espero que venha me visitar em uma próxima estação.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 21 de junho de 2009

“Rosa” (13/06/2009)




Os poemas permanecem engavetados
As rimas de amor encabuladas
As declarações ao pé da janela
Até mesmo os olhares se escondem.
Todos bem agasalhados e protegidos.
Os corpos se aconchegam
Uma hibernação harmônica.
Observo da minha janela a chuva fina,
As nuvens brancas, o vento soprando folhas.
Lá fora segue alguma solidão,
Caminhando firme sobre o concreto gelado das calçadas.
Repenso em me aventurar além dos portões.
Há algo de demasiado...melancolia talvez.
Por isso prefiro um silêncio companheiro.
Não quero tratar palavras com destempero
Não pretendo deixar sentimentos à deriva.
Haverá o momento certo de partir.
Um horizonte convidativo vai raiar.
Mas não foi hoje meu bem.
Parece injustificável...o outono não foi feito pra ti.
Deixarei uma reciprocidade em falta
Uma espera desproposital.
Pode lhe parecer algum capricho besta.
A verdade é que permanecerei engavetado
Encabulado em meu quarto
Declarado entre as linhas
De olhos fechado a te sonhar.
Tu és uma flor querida
Tu és minha poesia
Mas da próxima primavera.
Espero ansioso o teu desabrochar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 18 de junho de 2009

“Alforria” (09/06/2009)




Livre, palavra que lateja
A cada fio de esperança

Liberdade de todos os sonhos
Respirar sem faltar fôlego

Livre dessas traições mentais
Para definitivamente fugir

Liberdade nas palavras
Sem mais vícios ou considerações

Livre de peito aberto e alma limpa
Cara lavada , sem vergonha

Liberdade de atitudes
De um sono tranqüilo

Livre para versos sem rimas
Estrofes disformes.

Liberdade de lhe dizer sem pudores
Não negar amores.

Livre para tomar pelos braços.
Liberdade pra viver conseqüências

Cada vez mais
Cada espelho que me repara
Cada dia que me passa
Cada olhar alheio
Cada pensamento
Cada gesto
Cada reação...

Livre ecoa mais forte.
Liberdade é mais sensata.
Livre vende separadamente?
Liberdade tem para baixar?
Livre enquanto pode
Liberdade enquanto ideologia.
Livre antes de mais nada
Liberdade antes de tudo.
Livre, em essência
Liberdade, uma palavra

Tudo que hoje peço
Um dia confesso
Despido de limites
Dizer ao transeunte
Sou livre
Livre.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 15 de junho de 2009

“Meu Norte” (05/06/2009)




Encontro-me com uma folha em branco
No esforço de uma Lua cheia
Ponderando a calmaria dos oceanos
Desconhecendo as palavras que quero registrar
Farei disto alguma eternidade?

Não posso chamar nada de meu
Se for necessário abro mão de cada verso
Satisfaço-me com toda sua inspiração
De nada adianta sua dúvidas e questionamentos
Já desisti de qualquer razão

Confesso: Sou testemunha de um sonho
É possível que nem seja meu
Por isso observo com todos os cuidados
Mas lhe admiro sem nenhuma descrição
Seria uma pena acordar agora, mas não em vão

Acomodei finalmente entre as linhas
O desejo consumidor pelas letras
O grito em silêncio desta alma
Que inquieta-se a beira da vida
Precipitada em forma de poesia

Não tenho coragem para uma conclusão
Deixei ao pé da areia o caderno aberto
A maré há de subir e nos levar
O oceano ainda permite uma escolha
Guardar ou não...forças para voltar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 12 de junho de 2009

“Pedindo Demais” (01/02/2009)



Quero uma mulher de saia branca, blusa de alsinha e cabelo ruivo.
Quero uma mulher da minha altura de botas pretas e fala direta
Quero uma mulher de face meiga e sorriso arrebatador
Quero uma mulher de risada gostosa e humor impecável
Quero uma mulher de crises histéricas e absurdos injustificáveis
Quero uma mulher de agosto setembro ou outubro
Mas talvez nada disso
Quero uma mulher de coração grande e abraço sincero
De lábios doces e molhados
Quero uma mulher de bem consigo
De tristezas curtas e felicidades imensuráveis
Quero uma mulher que enlouqueça tudo de vez em quando
Quero uma mulher que tire meus pés do chão
Que adore dançar desengonçada quase que nem eu
Quero uma mulher para um fim de tarde
Mas muito mais para um começo de dia
Quero uma mulher para pensar nas horas vagas
Quero uma mulher que não deixe de escutar
Mas quero dessas com opinião e que saiba dizer não
Quero uma mulher para andar na rua
Mas muito mais para preencher por dentro
Quero uma mulher para chamar de minha
Mesmo sem ter
Quero uma mulher para por debaixo do braço
Mesmo que ela escape
Quero uma mulher sem pudores nos momentos certos
E alguns dos errados também
Quero uma mulher para rasgar a roupa, para jogar no chão
Quero uma mulher para gritar sem razão
Quero uma mulher de parar o trânsito
O trânsito de sangue nas minhas veias
Quero dessas mulheres pelas quais faço tudo errado
Que fazem esconder tudo atrás de uma risada
Dessas que já sabem que te tem
Quero, como todos querem
Quero uma mulher para os feriados e aniversários
Quero fazer pequenas surpresas românticas
Dar de cafajeste, pedir desculpas
Levar rosas, e brigar por elas.
Quero bancar o bobo e impossível
Quero bancar o mistérioso e o óbvio
Quero, mas sem muitos jogos
Não quero ganhar nada
Quero uma mulher para conquistar
Quero uma paixão para viver
Quero um beijo no meio da chuva
Como um desses que eu já sonhei

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 7 de junho de 2009

“Platonismos Cotidianos” (31/05/2009)




Eu olho um sonho lindo
A imagem perfeita de nós dois.
Eu aprecio o momento com um sorriso
Eu vejo a chuva cair fina e franzir teus olhos
Eu vejo teus lábios em fricção,
Tenuamente armazenando uma camada d’água
Satisfaço-me em você
Neste olhar que me alimenta as entranhas
Me impede os movimentos,
Me pede para não partir.
Eu lhe digo a frase perfeita
Tirando definitivamente seus pés do chão.
Você segura minha mão mais forte
Não vamos a lugar algum.
Teu toque não me incomoda
Nada me pareceu tão confortável antes
Teu rosto contra meu peito
Nossa dança sem nome.

Nosso beijo foi conseqüência
Violenta e feroz de nossas paixões
Ressentidas, protegidas, agora vulneráveis.
Tudo é tão certo e meu...
É impressionante lhe perder num piscar de olhos
Não tenho seu telefone, nem sei seu nome,
Tenho somente tua imagem
Destacada no meio da multidão.
Na estação que nunca desço
No ônibus que mal pego
Nas ruas onde não vivo.
Você vive e respira sem mim
Sem saber do plano
Sem ouvir os mais bonitos poemas.

Eu ocupo a manhã em contar nossa história.
Eu distraio o tempo e a memória
As paredes e seus ouvidos.
A única coisa que lamento em dizer...
É que pela falta de nosso encontro...
Amanhã será outro conto
Uma nova protagonista
Um outro final.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 3 de junho de 2009

"Noite enfim"(30/05/2009)




Quando a noite tiver luz própria
Vier penumbrar nossos rostos
Seja gentil e não acenda luz
Não procure pelo meu sorriso
Não peça minha aprovação
Não julgue minhas atitudes
Muito menos espere um sinal.

Quando meu corpo estiver esgotado
Seja gentil e vá embora
Antes que reaja sem pensar
Antes dos erros da madrugada
Antes de qualquer desculpa para ficar
Deixemos-nos assim...livres.

Quando virar as costas e partir
Seja inteligente e siga seu caminho
Não questione razões
Não procure motivos
Guarde aquilo que tem
Satisfaça-se com o último sorriso.

Quando subir as escadas
Rumo a última escala
Deixe me perder na escuridão
Deixe-me a paz do final
Em uma última gentileza
Não acenda a luz do corredor
Pois não vou voltar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 31 de maio de 2009

“Anjo Caído” (23/05/2009)




Não acreditava no que ouvia
Um dia imaginei que me destruiria
Vi então tudo que temia
Acontecer diante meu coração
A alguém que nada daquilo merecia
Paralisei enquanto lutava
Tentei por quadras infinitas
Uma frase de conforto
Tentei convencer do que não sabia
Todos meus esforços foram em vão
Um buraco abriu diante nossos pés
Nada pudemos fazer para escapar
Nunca antes me senti tão emudecido
Dividia culpa com a causa conhecida
Causa que não podia defender
Queria ter feito muito mais
Tomado lugar debaixo daquele fardo
Auxiliar aquele corpo cansado
Era uma luz que se apagava
Uma tristeza que doía sem fim
Algo destruído além de reparos
Era angústia, sofrimento e lágrimas
Todas em silêncio, bem guardadas
Mas juro que as ouvia
Senti em me afastar de tudo aquilo
Senti por ser humano
Por ter plena consciência
Que existe em mim essa capacidade
De provocar tamanha ferida em outrem
Quando me coloquei a pensar
Não sabia muito bem como dizer
...
Foi assistir um sonho morrer.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 28 de maio de 2009

“Silence” (16/05/2009)




It has been quiet for quite sometime now
The city and the engine are still running
But there is something on the horizon
Fell out place, felt misplaced
I’m driving as far as I can
Before my conscience catch up with me
I’m hitting the open road before dawn
I’m not hoping for any shooting stars
I’m not traveling for my destiny
I’m seeking only for silence
The same silence that won’t be here in the morning
The same silence that was killed in the night
Won’t bring me any peace of mind
Won’t bring me any relief of time
Will be just a moment of silence
Who can allow me only that?
Will be my last wish
My heart has already stopped
My eyes are already close
I just need this voice to disappear
Please give me a silence
And all the emptiness within

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 24 de maio de 2009

“Não Vou” (16/05/2009)




Vou ponderar contra teus olhos
Vou lhe definir pelos traços
Vou te imaginar em uma cadência
Vou te fazer em um verso
Vou te transformar em uma palavra
Tudo parecerá amor
Vou pintar teu quadro
Vou vender tua idéia
Vou propor turnê mundial
Vou arrebatar bilheterias
Vou vencer prêmios
Tudo com mais um romance
Vou perder a coragem
Vou perder a vontade
Vou finalmente hesitar
Por mais longe que vá
Vou esquecer na mesa
Vou começar a gaguejar
Vou deixar pra lá
As palavras mais bonitas
Negligenciadas propositalmente
Nada adianta ser poeta
Se vou me calar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 21 de maio de 2009

“Ode” (11/05/2009)




Por certo, por fato
Falta de tato
Encerro a vida ainda no primeiro ato

É fome, é sede
Um dia deitado na rede
Quem sabe tudo pare de girar

A verdade e a melancolia
Uma cabeça vazia
O diabo a festejar

Enlouqueço penso
Depois finjo que desconheço
Meu nome, meu lugar

O passado me perturba
Lateja dúvida, dúvida!!!
Se ao menos tivesse voz para gritar

Surdo, mudo
Perdido em algum absurdo
Ninguém vai me encontrar

Amor insensato
Compraste-me a preço barato
Ainda lhe mato

Que seja eu então o ingrato
O ingresso falso
O coração faltando pedaço

Sofrimento, desilusão
Para poeta tenho vocação
Nada será em vão

Faça-se a noite e dia
Serei infiel companhia
A falta de toda inspiração

Ausência, vazio
São as vidas e mentiras
Soprando as velas do navio

Aporta, importa
Não me entregue nenhuma sombra morta
Não me venda tua escravidão

Quero liberdade!!!
Antes de santidades
Quero ser enterrado poeta vulgar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 16 de maio de 2009

“Sem Saber” (09/05/2009)




O céu as vezes me parece um capricho
Enfeitado de um véu branco
Cada vez mais espesso próximo de sua origem.
A estrela está imponente hoje
Não há quem venha refutar
Eu mesmo continuei em frente.
Espiei para trás com toda prudência.
Reparou-me por certo.
Diariamente testando limites,
Entre esse concreto e o infinito azul.
Hoje digno de exposição.
Quem vai assinar este?

Constato mais uma vez
A razão não é minha
Desta vez de um amigo
Não importa meus passos firmes
Minha mente decidida
Invariavelmente o que vejo
O inconsciente toma partido,
Antes de qualquer reação.

Odiaria ser só mais um
Mas é complicado ser livre
Transparecer teus princípios
Viver tuas verdades,
Abraçar teus sonhos.
É preciso muita concentração
E a distração suficiente
Para uma invariável inconsciente.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 12 de maio de 2009

“Tudo que tenho” (03/05/2009)




Sábio foi meu amigo a ponderar:
O Amanhã está longe demais
Eu mal recordava disto
Dias que duram semanas
Esta dor aguda prolongada
As horas me pareceram um deserto
Eu sem muitas forças para lutar
Instalei-me neste inferno
Mais hora menos hora descanso
Um sonho me leva daqui

Mas a promessa do amanhã
Esta é de alto risco
Algumas vezes incalculáveis
Não posso por no papel
Nenhuma dessas palavras
Não posso subtrair significados
Não posso somar sentimentos
Se amanhã permanecer promessa
Saberei que simplesmente perdi

Mesmo assim não reajo
Não é medo do passo em falso
Apenas decidi que não quero
Precipício abaixo já conheço
Hoje almoço o cru e concreto
Não alimento esperanças
Quero apenas respirar
Se lhe parecer muito pouco
Tente tirar meu fôlego

Ainda consciente quero lhe falar
Esta areia que escorre entre os dedos
Isto é o mais concreto que tenho
Isto é tudo que é real agora
Não há miragem suficiente
Nada que possa me dizer
Nada que possa abraçar

Insensato sou eu a esperar
Mas na impossibilidade do real
Tenho que sobreviver o dia
Se for necessário uma verdade
Que você não existe meu amor
Que não exista então
Nem hoje, nem amanhã!

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 7 de maio de 2009

“Vil” (26/04/2009)




Nos meus braços
Ao alcance de uma sutileza.
Insinuações desesperadas
Mas ignorei com crueldade
Tudo parecia bom...
Não seria verdadeiro.

O que fazer, como reagir?
Tem jeito certo para acordar alguém?
E se ela não sair deste sonho?
E se tiver que cair da cama?
Este chão é frio
Esta realidade o pesadelo,
Mas cumpri o papel
O diretor me apontou vilão.

Esqueci algumas rimas
Adiantei algumas deixas
Dei as costas e sai
O ato final não era meu.
Ao longe ouvi o choro
Distante senti a angústia
Na escuridão apertei o peito
Fechei o quarto vazio.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 2 de maio de 2009

"Em tempo" (21/04/2009)




É muito tarde para poesias
O dia já vai amanhecer
As estrelas cadentes vão deixar de cair
Restará aos nossos corpos poucas opções
Por isso, neste capricho da noite,
Nesta penumbra que se forma
Diga-me suas palavras sinceras
Tente ao máximo ser direta
Prometo não desviar atenção,
Prometo completo silêncio,
Ouvidos exclusivos ao seu discurso
Prometo um olhar devoto
Reações proporcionais
Mas não me deixe apenas esperando
Desfrute o melhor do seu tempo
Não economize nas verdades
Não evite suas neuras
Transpareça enquanto és invisível

Quem sabe então...
Tudo que somos hoje desaparecerá
Junto das estrelas mergulhadas no céu azul
Quem sabe então...
Nos tornamos uma breve inspiração do amanhã.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 30 de abril de 2009

"Castelo" (21/04/2009)




Minha vida já nasceu aqui,
Cercada de muros, grades e corpos.
Faz algum tempo que não vejo uma brecha,
Que não admiro um pouco da liberdade
Imagino a sorte de quem alcança as masmorras
Eles ao menos, julgados ou não, enxergam além.
Mas minha alma empobrece nessa visão unidimensional.

Se ainda chovesse todos os dias
Quem sabe os fortes não resistiriam.
Mas luto esta guerra sozinho
Tentando escapar do único e do unânime.
A proteção por preço de liberdade.
Ficaria impressionado com as barganhas
Pelo que se vende nessas ruas.
Ficaria entristecido se soubesse o que perdeu valor.

Mas nenhum nobre Rei desceu de seu trono.
Estamos a mercê de leis mutáveis,
Fidelidades compráveis, integridades questionáveis.
A realidade desta cidade emparedada e sufocada.
Essas ruas infestadas de ratos
Diariamente deixando suas casas
Todos atrás de um pedaço do queijo.
Propósitos vazios, desejos encurralados.
Noticias que se repetem em preto e branco.
Verdades que já não são manchetes.
Sinto por aqueles que não olharam uma vez para o céu
Imaginaram transpor essas fronteiras.
Sinto por aqueles que não quiseram sem porquês.

Choro e sangro ao me debater contra os tijolos
O mundo me cercou de pecados
Culpado, não estranho estar preso.
Estas linhas meramente esboçadas
Limites e conceitos puramente imaginários
Continuam a perturbar meus sentidos
Enquanto ainda tento desenhar
Algo real o suficiente para viver.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 25 de abril de 2009

“Realidade Paralela” (20/04/2009)




Distraído me embriagava
Uma bela imagem de um horizonte
Duas sombras despreocupadas em simbiose completa
Felizmente me enganava com o diálogo perfeito
Considerava até a ausência das palavras
Presumia uma simples sensação como necessária.

Perdi-me entre lindos absurdos
Requisitei uma nova vida para amanhã
Bastaria mais um giro
Uma fresta que fosse.
Sorri extasiado pelo que não tinha,
Mas sentia na ponta dos dedos
Algo que obviamente não soube manter.
Algo na minha alma que me reconheceu
Tornou-me um pedaço mais completo.
Respirei mais fundo o ar que me faltava,
e a vida preencheu algum canto vazio.

Mas logo senti o banco de plástico
Notei o chão de ferro
Ouvi o papo furado
Vi a noite sem estrelas
Acordei...e não era um sonho meu.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 20 de abril de 2009

"Adeus" (08/04/2009)




Minhas últimas memórias tinham um tom de melancolia
Como quem falava do que nunca se teve
Breves arrependimentos
Tragédias puramente pessoais

Minhas últimas palavras foram jogadas a uma multidão [indiferente
Sufocaram-se sem audiência
Assassinadas aos olhares alheios
Os argumentos bateram em retirada
Não valia a pena mais nenhuma nova discussão
Um olhar que finalmente se irritou
Uma alma que se afastou e guardou bem suas verdades.

Fora nos últimos suspiros que me libertei
Palavras acumuladas na história
algumas já vazias e pela metade
Um armário colocado a baixo
Papéis queimados que tomavam o ar de todo ambiente
A nocividade pesava, espessa a ponto de se enxergar
Só não pude prever que não sobreviveria
Entre todas as mentiras
Todas verdades evitadas
Todos gestos não feitos
Não sabia que estava aqui entre meus erros
Não sabia que tinha sido tão simples assim
Não foram as melhores frases para se guardar.

Nos últimos momentos
Levo comigo todas as lembranças
Nos meus olhos levo uma última história
e um fim.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 15 de abril de 2009

"Clamo" (15/04/2009)




Manifesto-me com suave impressão...
Olhos famintos me esperam
Ávidos de emoções
Uma declaração comedida
Leves palavras amorosas
Proclamariam-se satisfeitos

Escrevo à beira de expectativas
Debato como completar
Debuto alguns sentimentos
Ações expandem-se
Quero gritar ao mundo
Quero presenciar ao sonho
Quero tanger à tua pele

Ainda ecôo
Não cruzas meus caminhos
Esquiva-se elegantemente

Tudo em essência seriam versos
Arrisco dizer: indignos
Sinto que mereça o mundo
Mereça teus ouvidos,
Mereça contar um romance,
Sinto que demandam mais.

A recusa de se transcrever,
Também é minha recusa
Este gracioso abraço;
este delicado segurar de mão;
este beijo excitante;
este breve desejo que permeia meus dias
Não permitirei que carreguem o fardo
Das páginas amareladas de meu caderno

Deixo este tribunal por desacato
Não defenderei minha causa
Aqui, argumentos seriam em vão
Não preciso lhe traduzir
Esta, a única razão do meu silêncio
Faz parte de toda bravura
Depois lhe escrevo em uma memória
Mas enquanto permanecer sonho
Não posso...

Se dormisse ao meu lado
Fechariam-se nossos olhos...
Não devo!
A madrugada já é despedida
O Sol levanta-se em breve
Pretendo vislumbrar no horizonte
E sussurrar ao pé do ouvido:
...Hoje, lhe declamo.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 10 de abril de 2009

"Dash...."(29/03/2008)




O nome ficou incompleto
Durante horas aguardou oculto
Pedia uma conversa corriqueira
Esperava uma palavra amiga
Mas ficou no silêncio
Enquanto brincavam lá fora
Ouviu algumas risadas
Poesias jogadas ao vento
Viu uma inércia impregnada
Nos olhos já sem rumo
Sentiu a mente escapando
Uma fuga da realidade
Assistiu noite adentro
Quem negava-se a ver
Quem martirizava sem razão
Um corpo cansado
Que abria janelas
Sem saber o que buscava
Escondendo o horizonte

Ali permaneceram as letras
Caprichosamente pela metade
Uma intenção sem conclusão
Uma proposta instigante
Uma prévia do que viria
Algo a ser deduzido anos daqui

Quando se deparou com a meia palavra
Lembrou da efêmera idéia
Tudo pareceu distante demais
Singelamente sorriu e se retirou
Como cavalheiro agradeceu
Não lhe pesou deixar para depois
Fechou os olhos e tranqüilamente
Dormiu sem saber

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 8 de abril de 2009

"Perspectiva" (29/03/2009)




Quando os olhos saíram da escuridão
O Sol já aguardava entre nuvens
Uma luz inconveniente na janela do trem
Uma verdade que atravessava
Uma alma em transparência
Tentando desaparecer
Em próprios desesperos
Um corpo que já não refletia
Uma noite vagando durante o dia.
Caminhava passos espaçados e ritmados
Alguma canção triste que a mente entoava.
Desistia em cada suspiro.
Os sorrisos eram mais alguns lamentos
Transpunham aquela face desgastada
Insistentemente iluminada.
Uma sombra que não se formava
Um ódio do que sentia
Um amor que amargurava
Uma vida que passeava vazia.

Quando os olhos saíram atravessados
O Sol já desaparecia entre nuvens
Uma luz transparente na janela do trem
Uma verdade inconveniente
Uma alma na escuridão
Tentando enxergar
Nos próprios reflexos
Um corpo já desgastado
Uma noite suspirando durante o dia
Caminhava passos vazios
Alguma canção triste que a mente formava
Desistia a cada desespero
Os sorrisos eram mais amargos
Transpunham aquela face vacante
Insistentemente reconhecida
Uma sombra mal projetada
Um ódio lamentável
Um amor sem ritmo
Uma vida que passeava sentida

Quando os olhos saíram iluminados
O Sol já transparecia entre nuvens
Uma luz atravessava a janela do trem
Uma verdade desgastada
Uma alma que refletia
Tentando se formar
Em seu próprio ritmo
Um corpo que já não sentia
Uma noite lamentando não ser dia
Caminhava passos vagos
Alguma canção triste que desaparecia
Desistia de suas amarguras
Os sorrisos eram mais espaçosos
Transpunham aquela face reconhecida
Insistentemente esquecida
Uma sombra na escuridão
Um ódio sem propósito
Um amor desproporcional
Uma vida que passeava sem destino

Quando os olhos apareceram vazios
O Sol já amargurava entre nuvens
Uma luz sentida na janela do trem
Uma verdade que não se formava
Uma alma iluminada
Tentando desgastar
Em próprios lamentos
Um corpo que apenas suspirava
Uma noite entoada durante o dia.
Caminhava passos espaçados e ritmados
Alguma canção triste que vagava na mente.
Desistia em cada reflexo.
Os sorrisos eram mais algum desespero
Transpunham aquela face que desaparecia
Insistentemente transparente.
Uma sombra que atravessava
Um ódio inconveniente
Um amor que aguardava
Uma vida que passeava na escuridão.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 5 de abril de 2009

"Retóricas" (19/03/2009)




Meus sonhos seguem passando
Como água numa cachoeira
Minha mente é um filme 24 horas
Pequenas felicidades e outras tantas tragédias
Meus olhos não estão nem perto da realidade.
Deixo-me carregar cada vez mais longe
Deixo escapar entre meus dedos
Algo que estava a centímetros do meu rosto
Um beijo, um abraço, uma verdade, uma coragem.

Enganam-se aqueles que acham que quero mudar tudo
Não há nada de sensato em mudar passados
São minhas próximas decisões que mais me corroem
Estas sim me farão feliz
E se eu já sei tudo que quero
Mas não posso convencer ninguém disto?
Até que ponto seria válido o fazer?
Até que ponto vale como concreto?
Não seria apenas uma ilusão argumentar um sentimento?
Defendê-lo em praça pública e tribunais
Não seria em vão ter um aval da justiça?
Não estaria apenas invadindo um coração?
Certas coisas se devem apenas sentir.

Eu sinto além do que devo, além do que posso
Muitas vezes mais que suporto
Tento descarregar tudo em palavras
Elas levam a sinceridade que me livro sem pudores.
Sinto que sentimentos provoquem tanto medo.
As máscaras não me servem
Encontrei algumas coisas dentro dos meus princípios e vesti.
Mesmo assim a essência não muda.
Seguirei ímpetos ou segurarei vontades?

O telefone está a um dedo de distância
Programo minhas atitudes
Coisas que faria agora sem pensar duas vezes
Mas penso por horas a fio.
Tento construir uma ponte
O abismo por vezes me vence
Não há jeito de chegar do outro lado
São mais alguns passos em falso
Tudo então se acaba em medos, dores,
Memórias, imaginações e tempo
Resta contigo apenas suas crenças
Acredita o suficiente em si mesmo?...
O céu não vai se abrir
Ninguém vai lhe sussurrar um segredo
Muito menos terá uma visão.
Será você e tudo que há de carne, osso e âmago
Será só você.

Nunca soube o que dizer a um sonho.
Já me disseram tantas coisas sobre isso.
Tento ainda aprender.
Poderia, talvez, entender.
Mas nenhuma pergunta faz mais sentido.
Já estou abismo abaixo.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 28 de março de 2009

"Noite Fria" (17/03/2009)




Através da janela no ônibus
Nunca a vida me pareceu tão nítida
Como se tivesse foco e perspectiva
Como se tudo pudesse ser tocado e agarrado
Nunca a vida me pareceu tão minha
Nunca tudo me pareceu tão fora das minhas mãos
O ônibus acelerou e a vida passou
Em um filme sem necessidade dramática
Em palavras sem necessidade poética
Em memórias atrás de uma janela
E se os sonhos realmente morreram?
E se os anjos realmente se foram?
E se a próxima opção for pior que a anterior?
Tudo isso me pegou em uma terça-feira
Uma noite sem Lua, sem estrelas
Uma estrada sem destino
Meus passos ecoando no escuro
O vazio já ecoava dentro de mim
Como se eu fosse parte das ruas
Sem diferenças do asfalto e do concreto
Um corpo desnecessário
Suportando uma mente saturada
Um mundo de peso nas costas
A vontade de abrir mão
Deixei tudo vagarosamente cair
Mas nenhum socorro veio a tempo
Mas nenhuma voz desesperada se fez presente
Respirava por alguma teimosia
Suspirava por pura constatação
Sorria, sem dúvida, por pirraça
Ao esquecer meus sentimentos
Ao deixar inimigos sem palavras
Ao me dar satisfeito pela noite

Abri os olhos em último esforço
Percebi que já era hora de descer...

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 25 de março de 2009

"Fúria" (17/03/2009)




Abram seus guarda-chuvas
Peguem suas capas
Construam muralhas
Escondam-se em trincheiras
Subam a torre mais alta
Corram para seus sótãos e porões
Cerrem seus olhos com toda força
Nada será o suficiente!
Basta ela vir e estará sozinho
Será uma ilha no mundo
Será apenas tua verdade e nada mais
Será apenas cobrado de ti
O que fará no olho do furacão?
O que dirá na boca da tempestade?
Será forte para dizer quem és?
Será capaz de abrir teu peito?
Espero que tenha um sorriso no bolso
Espero que tenha decorado uma canção
Espero que saiba escolher suas palavras
Não ouse gritar em vão
Não ouse desafiar a natureza
Não ouse trair teu âmago
Não ouse além do que deve
Mostre tudo que pode
Mostre tudo que está disposto
Faça e não olhe para trás
Lembre o que é ser vivo!
Quando ela realmente vier
Tenha o respeito de ficar e ver
Até quando permanecerá real

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 21 de março de 2009

"Desabafo"(16/03/2009)




Até quando poderei chamar isto de meu?
Quais sonhos ainda me pertencem?
Como proteger o que só existe na mente?
Como representar o que nem se ousa falar?
Quem pode me garantir segurança?
Quem pode me evitar os riscos?
Quem em sã consciência me daria crédito?
Não criei essas palavras, não criei essas letras
Sirvo de alguma forma um outro propósito
Não entendo porque isto não pode ser meu.
Coloco desejos que em breve me parecem distantes
Como ideais que não pude realizar.
O quanto ainda tenho que esperar?
Que paciência é esta que insistem em me pedir?
Que calma é essa que não consigo ter?
Que pensamentos são esses que ninguém detém?
Perturbado pela memória
Querendo que tudo não vire,
Uma história num papel qualquer.
Não quero mais desculpas, mais nada para mim mesmo.
Uma última fiel sinceridade,
Uma cara de pau, uma coragem,
Algo disto vive em alguém aqui?
Quem vai me impedir de pular dessa janela?
Quem vai me impedir de tentar?
Quem honestamente tem argumentos válidos?
Quem honestamente qualquer coisa?
Eternas sombras de nossas escolhas que nos policiam
E se quisesse cometer os mesmos erros?
E se apenas ali fosse encontrar o que queria?
Não posso agüentar mais esta gritaria
Não posso mais agüentar estes desaforos
Não posso agüentar mais esse silêncio
Quero uma resposta, quero uma única verdade que seja.
Alguém me prometeria esta sinceridade?
Há no mundo quem não tenha visto
Promessa que não fosse quebrada.
Eu ainda quero acreditar.
Existem no mundo as poesias, breves, de passagem, de andar.
Existem pessoas carregando o que não posso traduzir
Os versos que a vida vai trazer e não poderei escrever
Não enquanto for verso e estrofe de algum romancista entediado.
Creio que logo encerrará, se dará por satisfeito.
Eu poderei então contar alguma maravilha.
Mas antes de pontos finais, antes de precipitadas conclusões
Não queria deixar de lembrar que na vida,
Sempre há espaço para mais algumas páginas.
Não faria mal nenhum terminar ao menos esta história de amor.
Não me deixe aqui escrevendo sobre algum vazio.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 17 de março de 2009

"Vamos todos enlouquecer a razão!" (15/03/2009)




Um grito de liberdade
Uma verdade desonesta
Um tapa na cara
Faça o que for preciso
Rasgue a roupa
Rasgue dinheiro
Jogue fora todos seus cds
Quebre a porta de casa
Coloque suas chaves no lixo
Beba refrigerante vencido
Coma presunto de ontem
No pão amanhecido
Durma no chão
Coloque travesseiros na janela
Cozinhe apenas às terças
Coloque o lixo aos domingos
Tome banho às segundas
Fique acordado nas noites
Sonhe durante os dias
Perca a cabeça
Não dê motivos
Não dê desculpas
Apenas faça
Tudo que tiver ao alcance
Tudo que foi dito impossível
Contrarie apenas pelo gosto
Enlouqueça apenas por capricho
Discuta pela sua sanidade
Argumente para preencher
Ignore as mentes vazias
Não perca tempo
Não perca chances
Mas se perca
Na melhor das maneiras
Feche os olhos
Pule seus precipícios
Encare seus medos
Entregue seus segredos
Minta sem escrúpulos
Seja também o vilão
Experimente todos gostos
Releve seus limites
Dispense sua consciência
Esvazie seus bolsos
Comece alçar vôo
Desconsidere todos atritos
Seja um sistema em equilíbrio
Destes que só existem em exercícios
Coloque a prova todas teorias
Esconda os resultados
Julgue algo além de certo ou errado
Abra uma vez seus olhos
Abrace de uma vez o mundo
Corra enquanto pode
Sorria simplesmente porque pode
Respire porque quer
Quebre suas últimas barreiras
Pensamentos, pudores
Opiniões, valores
Quando tiver sem fôlego
Quando a fatiga lhe bater
Desabafe a última palavra
Sussurre a última letra
Seja livre antes de ser tarde.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 15 de março de 2009

"Querer"(14/03/2009)




Simples, puro, único
O tive em memórias
O tive no meio da rua
O tive no coração desavisado
O tive por completo
Soube por um momento todas direções
Soube para sempre o que fazer
Soube como uma verdade
Soube como sempre soube
Duvidei no começo
Duvidei por respeito talvez
Duvidei por uma última vez
Duvidei por causa do seu olhar
Suas palavras que se confundiram
Seus gestos sem sinais claros
Suas atitudes questionáveis
Seus princípios já vencidos
Deixei-lhe para trás em uma esquina
Abri a mão do que me segurava
Superei os limites que faltavam
Troquei o que era dito como sina
Quis numa sinceridade súbita
Quis uma certeza para mim
Quis para contrariar o mundo
Quis minha felicidade
Simples, pura e única.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 11 de março de 2009

"Vivo por isso" (11/03/2009)




Acorda e vai ser feliz
O mundo está lá fora
Por mais que você sonhe
Por mais que você deseje
A vida mora nesta brecha entre as coisas
As que podem dar certo
As que podem dar errado
A vida mora exatamente ali
No extravagante e extraordinário
Onde você ainda não imaginou.
Toda graça está em descobrir
Em por o pé pra fora
Em abrir os sorrisos
Abraçar o que lhe é real
Se não for para isso fica na cama
Dorme até amanhã.

Pondera com seu coração
Argumenta com sua consciência
Eles irão te ouvir.
Tudo que a gente precisa é algo dando certo
Já estamos prontos para acreditar neste mundo
Então vai conquistar tua felicidade
Na rua que observa como se não fizesse parte.
Você ficaria impressionado com as coisas que pode.
Como você pode se evitar?
Evitar uma inspiração, uma vontade,
Um ímpeto, uma sinapse que seja?
Pare, pare de negar
Pare de analisar o que não muda mais
Ainda tem mais passos para dar nessa estrada

Construiremos sempre muros de medos
Portas de angústias e janelas de fracassos
Mas se você ainda puder ver o horizonte...
Arranca essa armadura
Coloque a cara a tapa, sangre, mas viva!
Feche os olhos tome sol, tome chuva, sinta!
O mundo é o que está a flor da pele
É o que remexe seu estomago de ponta cabeça.
Se você algum dia já sorriu sozinho
Já gargalhou apenas com uma lembrança
Está dentro de você.
Já é mais teu do que sabes.
Talvez, e somente isso,
Tudo que ela queira, seja o mesmo que você.
Ser feliz!
Ah, meu caro, Acorda!

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 9 de março de 2009

"Romance do Século Passado"(08/03/2009)




Cavaleiros cruzando montanhas, campos abertos
Batalhas sem propósito
Cavaleiros invadindo castelos
Vencendo criaturas mitológicas
Fazendo serenatas.
Cavaleiros em guarda para todos os perigos
Buscando sempre a mais alta das torres
Vencendo os mais dementes vilões
Fazendo o que foi dito impossível.
Cavaleiros que são feridos, que caem no chão,
Que sangram, mas continuam a lutar.
Cavaleiros de um velho romance,
Que entre buscas e desencontros
Atravessaram mares atrás de uma única dama.

Corações conquistados aos olhares distantes,
Na relação julgada proibida.
Corações em eterna fuga pela felicidade,
Presos em angústia e negados pela sociedade.
Corações fortes o suficiente para vencer o tempo.
Corações do século passado
Que sangravam por um olhar recíproco.

Damas eternamente em perigo,
Mais fortes que um exército.
Damas que enfrentam reis e seus destinos.
Damas que aceitam sacrifícios, que abrem mão
Damas que jamais se dão por vencidas.
Damas de um sonho passado
Capazes de mover o mundo.

Sei que por estas ruas ainda andam estas damas,
Ainda sagram estes corações
Ainda lutam estes cavaleiros
Para nenhum deles é tarde demais
Ainda é tempo de romances

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 5 de março de 2009

"Depois de Mim”"(24/02/2009)




Quero uma casa perto de um lago
Um vento sudoeste
Um sol pela manhã
Uma chuva no fim de tarde
Quero um poente avermelhado
Quero árvores e flores
Quero respirar ar puro
E algumas borboletas amarelas
Quero uma prosa
Não precisa ser periódica
Muito menos gente conhecida
Pode vir sem data marcada
Para contar qualquer história
Quero ouvir boas risadas
Não me importarei em amparar lágrimas
Mas não saia daqui sem um sorriso
Eu prometo um abraço
Quero me sentir vivo
Parte desta terra que um dia pisei
Parte deste mundo onde lutei
Do futuro o qual não sei
Quando morrer me ouçam
Nem que por uma vez
Não se preocupem, estarei bem
Como último favor
Apaguem as luzes ao anoitecer
Deixe-me dormir com as estrelas
Lembrem sempre...de serem felizes ao amanhecer.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 2 de março de 2009

"A Trip to Yourself" (22/02/2009)




I was traveling by myself
Trying to be free
I changed my believes
Based on my scars
And for a long time
All seams to be at place
I’m not going to deny
Was a hard walk this way
Avoiding my first reactions
Looking for the real thing
But work it out for the good
I kept smiling trough the days
People proved me right
The world was fitting in my hands
It’s like they say
When you hold the world
You lost something on the way
The things that fulfill
The true in your heart
Anytime will speak louder
Then it’s all that you hear

So after a time on the road
With no destiny
Only a wind blowing fair
The trip has ended
I have those feelings again
And nothing to argue against it
When I first saw you
Were in your eyes
It’s time to settle down
I’ll head back to town
All in all...I’m going home

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 28 de fevereiro de 2009

"No Futuro" (22/02/2009)




Os laboratórios divulgarão suas descobertas
Curas, medicamentos, novas doenças
Os países anunciarão suas conquistas
Apenas novas guerras sem razão
A tecnologia ultrapassará seus picos
Evoluções além do limite do corpo
Os cientistas divulgarão novas teorias
Que perderão seu propósito sendo discutidas
A natureza criará novas fronteiras
O mundo se protegendo de nossa existência
As sociedades entrarão em colapso
Novas concentrações de poder surgirão
Os relacionamentos tomarão novas proporções
Pudores mudarão seus conceitos
Liberdades serão questionadas
A Vida achará um fim, ou um meio
Para continuar seu curso

Podemos divagar mais sobre o futuro
Ele virá para nos dizer certos ou errados
Mas o que realmente me preocupa
É o que ele não dirá
Em quais assuntos não tomará partido
Diante quais questões silenciará
Quais verdades abrirá mão
Quantos poderes abdicará
Quais lutas, decisões e princípios
Serão deixados a nossa escolha?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 21 de fevereiro de 2009

"Pela Manhã" (21/02/09)




Andava nas pedras em sinestesia
O vento ainda não esquentava
Tudo se movimentado devagar
As peças se encaixando
O Sol rasga seus raios entre as folhas,
Vem te buscar sem a mínima preocupação.

Caminhava devagar, desavisado, distraído
Na manhã ainda é tudo novo
O mundo provavelmente mudou
Sua rotina...apenas uma ilusão
O barulho de cascalho aguçando lembranças
Como se estivesse na estrada de terra
Como se estivesse sem um rumo
Como se já soubesse,
Que vou aproveitar cada minuto de luz
Talvez até das sombras lá fora.
Esquecer antes de mergulhar em obrigações
Nossos tempos mais sinceros à flor da pele.
Sem nenhuma importância para os “depois”

Algum dia eu ainda paro entre essas árvores
Me acomodo no banco, talvez mesmo no chão
Respirarei mais fundo como se respirasse cheiro de chuva
Entortarei os olhos, franzerei a testa olhando pro céu
Encarando o dia naquele silêncio onde nos entenderemos.
Tomarei um pouco mais de coragem
Me colocarei em pé, continuarei.
Só que agora...
Meio que chove debaixo das árvores
Meio que o Sol te conforta,
E o vento te ajuda a respirar.
Meio que a natureza te abraça
Nada há de ser ruim.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

"A Protagonista"(15/02/2008)




Passei horas te admirando
Sabendo que era um erro perder o tempo,
Nessas breves histórias
Onde mostram um mundo de carinho

Como roteiro clichê alguém chegou
Um coração selvagem e indomável.
Eu aqui lhe desejando
Maltratando essa distância da vida real.
A vida que me lembra em momentos,
Um belo programa de TV.

Foi ali que vi quando seus olhares se encontraram
Como que por destino, sem obstáculos,
Dúvidas, medos, inseguranças;
Olhares firmes, diretos, de paixão fumegante,
De queda na certa, de jogo vencido.
Foi ali que simplesmente seus sorrisos combinaram,
Como protagonistas.
Assisti mais um momento mágico
Daqui do sofá, incapaz de trocar de canal.
Nada parece mais vazio,
Nada causa mais angústia
Do que ver o mundo sem sentir-se parte dele.
Vi-me derrotado.
Em algo que não acredito,
Que pode se decidir numa disputa.
Como concorro a este papel?
Troquei de canal, sem respostas, desliguei a TV.
Te perdi.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

"Esperando Salvação" (15/02/2009)




As idéias estão por aí
A beira de precipícios
Prestes a serem enforcadas
Julgadas culpadas
Trancadas em masmorras antigas
Caçadas sem discriminação

As idéias não fogem
Não correm em desespero para suas casas
Não gritam por socorro
Não lutam contra seus agressores
Não fazem protestos
Não reagem a nenhuma ameaça

As idéias te esperam
Que venha no cavalado alado
Que venha enfrentar dragões
Que venha desarmado
Lute com as próprias mãos
Que após muito sangue e suor
As tire da escuridão

As idéias não são de ninguém
Elas vivem nas mãos de quem faz
Habitam as mentes de porta aberta
Realizam-se em desejos puros
Existem aos que não a questionam
Reais como paredes de concreto
Ilusórias como breves imaginações

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

"Cresci" (13/02/2009)




Cresço
Pois acredito que a felicidade
Não esteja somente em mim.
Uma procura pelo que me falta.
A felicidade está virando uma esquina
Escondida atrás de algum degrau ou muro
Que ainda não tenho tamanho para passar.
Freqüentando alguma escola
Que não tenho idade para entrar

Talvez cresça por simples rebeldia
De tantos avisarem para que não.
Talvez porque queira ir onde ninguém foi.
Pela arrogância de achar
Que não cometerei os mesmos erros
Que saberei exatamente aonde ir e o que dizer.
Pela ilusão de que não serei vencido.

Cresço
Por simples desaviso ou natureza.
Caminhei, brinquei, comi, bebi ,dormi
Olhei pela janela e perdi a noção
Do parapeito que me afastava do horizonte
Meu espelho me apresentava novas faces,
Conseqüência dos dias que resolvi viver.

Cresço
Talvez por gosto a desilusão.
Para bater a cara contra a parede
Descobrir as partes do mundo em branco e preto
A cada verdade que me invade
A cada realidade que deixo entrar

Cresço
Por pura ambição.
Para alcançar estrelas
Tomar o céu, voar pelas nuvens,
Conquistar montanhas, atravessar mares,
Vencer todas as batalhas.

Não cresceria.
Digo sem a mínima certeza que talvez,
E somente isso,
Ficaria satisfeito em ser criança
Se tudo fosse tão simples
Como um segurar de mão

Cresço...

Ass: Danilo Mendonça Martinho

Livremente inspirado no post:
http://www.fotolog.com/mein_herz_brennt/75155271

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

"Mais um dia de Sol"(08/02/2009)



Bate mais forte Sol
Vê se já ilumina o parapeito
Traz um vento para balançar a rede
Sombreia o horizonte
Traz pra perto o novo dia
Traz mais perto o cheiro de vida
Traz uma flor dessas bonitas
Levanta Sol, mais alto que puder
Não deixa nenhum canto escuro
Revela o mais longe do caminho
Acompanha a tarde como cavalheiro
Espera a noite como pai
Vai dormir no travesseiro tropical
Quando acordar não esquece
De bater para o lado desta janela
Só pra lembrar que já é dia
Que mais uma poesia vai começar
Vem Sol, dançar com as nuvens
Curtir a festa do domingo
O jogo na televisão
Mas vai com calma lá no Sertão
Presencia o casamento na praia
Joga luz no papel do escritor na varanda
Lembra para todos da vida lá fora
Como último favor Sol
Convida o mundo para seu pôr
Veste o céu de vermelho
Junta todo mundo na colina
Às sombras do dia que já se foi

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

"Segunda-Feira"(09/02/2009)





Foi uma angústia instalada no peito
Bloqueando todos gestos e ações
Foi lenta, dolorosa, quase sem importância.
Os afazeres perdendo o sentido
A mente se distraindo sem saber no que pensar
Estáticos, chocados, chorosos
Por vezes as lágrimas vinham antes das palavras
Por vezes só pudemos ficar em silêncio
Um abraço mais forte
Todos estavam precisando
Olhares que viam horizontes em vez de paredes
Risadas que foram soltas para espantar o vazio
E o dia passou e nada permaneceu
Como um planeta fora de órbita.
Como cometas brilhantes mudando de rumo.
A vida amuou-se diante o destino,
Os corpos se viram sem reação.
O que será do amanhã até preocupa,
Mas o que se sente hoje é....
É pior quando se trata dos seus queridos
Quando não está em seu poder
Os sentimentos flutuam
Procurando tua ordem.
Por alguns momentos você não quer saber
A alma perde forças de diferentes maneiras
Você só consegue olhar para mundo na esperança
Que ele gire de volta e mude de idéia
Ou que ele gire para mais longe daqui
A segunda foi longa, tensa, inexplicável
Angustiante, triste, emudecedora
Fria, cinzenta e comum
Não sei como ela segurou este fardo,
Honestamente não sei como consegue.


Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 7 de fevereiro de 2009

"Luto" (02/02/2009)





São as cicatrizes que nos definem
São as perdas que nos levam a conquistas
A falta que nos faz ansiar pela presença.
Quantos funerais já perdi?
Foram tantos sentimentos
Junto de alguns princípios
Não tive coragem de estar lá no adeus
Mas matei sem dúvida
Por milhares de motivos
Necessidade, sentir-se bem
Até mesmo para esquecer
Acreditamos que seremos mais fortes
Crescer, ir mais longe
Até que cheguei, mas será...
Que os vencedores são aqueles que me fizeram matar?
Será que nada disso faz diferença sem nosso passado?
São os pequenos momentos, as mágoas,
As palavras ditas sem consideração,
São exatamente os momentos impensados
Que te fazem mudar
A fúria que toma seu âmago
A vontade de não sentir
A vontade de não se deixar afetar
Não pensamos duas vezes quando se trata do nosso bem.
É em um fim de tarde, é num telefonema,
É numa chuva, num canto escondido, não importa
Utilizamos nossas armas, cruéis talvez.
Ignoramos, pedimos licença, respiramos mais fundo
Nos libertamos do que pressionava nosso coração de forma tão nociva.
Repreendemos quem convive com essa dor
Olhamos o mundo como absurdo diante da nossa resolução.
Tão passional como quem chora por quem não merece.
Não somos, mas fomos e provavelmente não seremos.
Espero que o mundo não perca totalmente a cor.
Talvez em alguns momentos queria não ceder as pressões
Acreditar um minuto a mais
Quem somos nós para virar as costas?
Quem somos nós para dizer nunca mais?
Não sabemos o que teremos que abandonar
No fim só me resta um minuto de silêncio
Uma homenagem póstuma a tudo que tive que deixar para trás...
Que quis deixar para trás, simplesmente pelo meu bem.
Ah...quantos princípios já enterrei?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

"Uma Folha em Branco" (30/01/2009)




Um momento de distração
Inércia talvez
Uma idéia desperdiçada
Um esforço inútil.
E o mundo ficou assim
Sem saber, por procurar
Ouvidos em alerta para um total silêncio
O orador estava imponente e pomposo
A platéia...nunca vi igual
Mas a folha era simplesmente vaga
Algum pensamento que não pode esperar,
Que tinha mais o que fazer,
Que quando se viu de canto
Saiu sem ser notado
E como tudo que se perde
Sua falta fez um buraco, um vazio
Ao lado de tantos outros já sentidos
Pobre pensamento que partiu
Sem saber todo seu potencial
Um adeus já seria o suficiente
Este erro não seria cometido
Agora não há onde procurar.
Ele já está longe demais,
Sua existência tão presente e certa
Mesmo assim não posso dizer nada
Não posso começar um parágrafo
Um verso seria em vão
Seria uma boa intenção em falso
O que fará um poeta sem seu estopim?
O que pode ele se não,
Deixar a pureza da folha intacta?
Branca como uma primeira neve.
Quem é ele para falar de amores, flores, e amizades?
Até o jeito que se depara com o papel,
Parece tão comum e banal sem sua idéia.
Tudo que um poeta, um manipulador de palavras;
Ou um sentimentalista improvável;
Poderia aceitar seria ser comum e banal.
Suas palavras não podem soar as mesmas,
Seus gestos não podem ser sem um propósito maior.
Sua caneta deve pesar quilos
Uma responsabilidade a cada palavra,
A cada vírgula mal posta e rasurada.
A leveza deve estar em sua mente
Com uma meta clara no horizonte
Sem isso...o que será do escritor?
Este que agora se debate sobre a folha...
Que jamais poderá ser escrita.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

"N.D.A."(30/01/2009)



Eu pensei na possibilidade

Mas resolvi ficar

Nem que por versos

Nem que por respiros distantes

Somente na certeza,

Somente pontos finais

Incisivos e indiscutíveis


Foi tua imagem que me deu a razão

Colocou meus pés no chão

Olhei apenas na tua direção

Outras chances já não me importavam

Foi assim que abri mão desta palavra

Que gosto de usar, e criar uma ambigüidade

Simples, pura e direta.

Uma ambigüidade que fica nos seus olhos

A cada nova janela que mostro

A cada porta que abro.

A diversão são os corpos alheios

São as reações, são os espasmos incontroláveis

Desses músculos desobedientes

Que deixam cair lágrimas e dão risadas fora de hora.

Gostoso mesmo é não saber.

É não ter a certeza

É brincar com o possível.


Mas hoje, somente hoje

Lhe faço um agrado e não digo.

Evito entre as linhas com eufemismos,

Intenções e sinônimos.

Deixando tudo nas palavras,

Em único sentido, em uma estrada sem retornos.

Escrevo sem delongas que estou maravilhado

Mesmo sem tua presença,

A lembrança instiga meus sentimentos

Quero é tudo dando certo

Como no sonho que já reconstruí algumas vezes

Se você pudesse realmente aparecer

Aí sim, sem dúvida nenhuma

Não precisaria de um talvez.


Ass: Danilo Mendonça Martinho