sábado, 10 de dezembro de 2016

“Descarrego” (08/08/2016)

Estou precisando chorar
Minhas frustrações
Minhas mágoas
Minha incompetência
Minha inferioridade
Minha incapacidade
Meu vício
Minha solidão
Minha falta de vontade
Minha inércia
Meus pesos
Minha profunda, mas sincera, tristeza

A paz é uma mentira
O sorriso um desgastante disfarce

Eu só quero chorar
Encharcar a fronha
Vermelhar os olhos
Soluçar
Assoar o nariz
E não parar
Quero chorar até ter um fim

Não me pergunte razões
Não gaste teus consolos

Quero sofrer em silêncio
Mapear o caminho das lágrimas até o chão
Sentir meu rosto escorrido
Tomar espaço da escuridão
Despir minha alma
Envergonhar o sonho
Socar as paredes
Perder a voz
Em um segundo de liberdade....
Desistir do corpo, esquecer meu nome

Eu prometo voltar
Só me deixe chorar

Ass: Danilo Mendonça Martinho



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

15/11/2016

O tempo não tem janelas nem portas para o passado
Parar e olhar para trás para quê?
Nem saiamos debaixo das cobertas
Costuramos mais uma emenda
Como se todo dia já não fosse
Sem folga sairei quase sem rumo
Na cidade de pedra que revela seus vazios
Solidão a gente acha até debaixo do asfalto

O mormaço da cidade não substitui o aconchego do lar
Nem 100% equilibra essa balança
Fica só na esperança de um dia o tempo levar
Só enquanto ser feliz não paga conta

Minha própria rotina me pegou de surpresa
Até meu descanso é programado
Antes de acordar se conta as horas para dormir
Tem contas que a gente sempre sai perdendo
Feriado se conta vantagem e nenhuma história
Amanhã é dia de levantar na realidade
Mas....de que lado ficou a ilusão?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

14/11/2016

"Acordei debaixo de um véu branco
Sobre a proteção da garoa
Ventos de alguma outra direção
Mudo a vela para evitar contradições
Passa pelo horizonte o mesmo filme
Penso no final do que não teve começo
Acredito neste norte, vivo por este destino
Só receio as mortes nas praias
Por isso remo, desistir é a ilusão de tentar...

...O frio é gentil na medida que permite mais abraços
Mas para aqueles que tem de partir é um lembrete
A vida é andar por curvas onde se perde totalmente do sonho
Por isso na minha língua fé se chama passo
Levam tempo, levam força
Tem realidade de sobra
O homem sem camisa pede no farol
Nos falta a mesma gentileza da natureza
Esgotados adiamos mais uma vez
O solidário, a verdade e até mesmo desistir."

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

“Passa(n)do” (22/06/2016)

Hoje o tempo me alcançou
Veio me passando uma rasteira
Querendo jogar tudo pro alto
Fazendo do suspiro ventania
Não sei se é culpa ou silêncio
A alma precisa que tudo pare
As tarefas que não se apagam
A vontade de ser depois
A procura da felicidade
A cobrança de ser melhor
Pensar leva tempo
Sentir o preenche
O que passa, nem sei se é vida
Tudo me parece indiferente
A lista do supermercado
É meu elo com a realidade
Riscado as bananas
O que exatamente me sobra?

Ass: Danilo Mendonça Martinho



segunda-feira, 29 de agosto de 2016

“O silêncio da noite” (01/08/2016)

Ó céus,
Quando voltará a estar sobre minha cabeça?
Quando essa personificação de Atlas terá fim?
Pelos caminhos que me arrasto há saídas?

A esperança que me enviou não me distraí
O sonho que me acordou sempre se desfaz
A vontade.....desapareceu e não volta mais

Ó céus, como me cansa!
Esses dias que só empilham promessas
Os desprazeres dessa cobrança
Essa angústia que não tem pressa

A verdade que me contam é crua
É meu próprio corpo que é inércia pura
A felicidade está perto, mas está muda

Ass: Danilo Mendonça Martinho



sábado, 20 de agosto de 2016

“Dúvida” (26/07/2016)

Hoje estou as avessas com a esperança
O peso do corpo não compensa o da alma
Ignorei o alarme e o vazio da cama
Olhei bem meu sonho, sem saber o que era verdade
De olhos fechados arquitetei bobagens
Trocar o canal dá impressão de controle
A vida poderia se reduzir em um único ato
Mas tem conta em cima da mesa
A culpa debaixo do travesseiro
O tempo que te arrasta pelos deveres
O mundo segue, mesmo sem vontade
Posso fechar a porta mas o coração continua aqui dentro
Contando mil histórias de um amanhã
Nesse eterno talvez que ou me mata ou me abandona

Ass: Danilo Mendonça Martinho


segunda-feira, 25 de julho de 2016

“Perdão” (20/07/2016)

Pelas tuas costas vi meu sonho
Era tarde para o perdão
Não soube te alcançar
E agora sou eu que fico perdido

A humanidade é um conceito
A verdade é a distância
Nossa caridade tem limite
Nosso amor tem fronteiras

Minha reza não mudará tua vida
Minha penitência só resolve minha culpa
Mas tua partida carregou minha alma
E atrás dela poderei mudar um dia

Obrigado e que protejam teu caminho
Que não te falte a força e coragem
Que me falta todos os dias
Ao encarar a miséria e julgar não ser minha

Ass: Danilo Mendonça Martinho