sábado, 11 de fevereiro de 2017

“Reset” (17/01/2016)

Eu não entendo essa vontade
Se eu sei que é em frente
Se eu quero continuar insistindo
Se a felicidade se escondeu no depois
Para que me entregar ao tempo?
Largar no sofá as esperanças
Esquecer no silêncio nosso rosto

Não entendo a dificuldade de lutar
Foi engano a renovação da alma?
O dever não ficou de lado?
Não entendo essas amarras
Fugir do próprio pensamento
Basta hesitar para desistir

Construímos verdades
Acreditamos na nossa imagem
E agora que nos desmentimos
Precisamos desfazer nossa fé
E lembrar todos os dias quem somos

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

“Improbabilidade” (16/01/2017)

Logo nós que estávamos tão certos
Logo nós de convicções e sonhos
Logo nós que encontramos a felicidade
Logo nós que sempre soubemos a vocação
Logo nós que tínhamos um plano
Logo nós que teríamos dinheiro
Logo nós que tínhamos prestígio
Logo nós de estudos e teses
Logo nós cansados das mesmices
Logo nós revolucionários da arte
Logo nós que temos tantas opiniões
Logo nós tão diferentes dos nossos pais
Logo nós de família estável
Logo nós de amigos fartos
Logo nós cheios de elogios
Logo nós cercados de boa vontade
Logo nós formados com louvor
Logo nós casados e com amor
Logo nós bem alimentados
Logo nós que lemos tantos livros
Logo nós que temos casa e carro
Logo nós viajados pelo mundo
Logo nós com casa no interior
Logo nós que visitamos museus
Logo nós que vemos teatro
Logo nós apreciadores da “boa música”
Logo nós conhecedores da história
Logo nós com tanta cultura
Logo nós amigos do ambiente
Logo nós cidadãos conscientes
Logo nós cheios de fé
Logo nós senhores do nosso destino
Logo nós bem vestidos
Logo nós pagadores de impostos
Logo nós voluntários
Logo nós trabalhadores
Logo nós de sanidade plena
Logo nós que damos risada
Logo nós que achamos a felicidade
Logo nós que somos sensíveis
Logo nós que damos abraços
Logo nós que escutamos
Logo nós capazes de entender
Logo nós que vemos TV
Logo nós que lemos jornais
Logo nós que sabemos inglês
Logo nós que usamos plural
Logo nós com varanda gourmet
Logo nós que sabemos a verdade
Logo nós jogadores da loteria
Logo nós céticos e convencionais
Logo nós defensores das liberdades
Logo nós evoluídos e progressistas
Logo nós que tomamos um bom café da manhã
Logo nós visionários de um mundo melhor
Logo nós tão bem preparados
Logo nós que acreditamos na vida
Logo nós que fizemos trinta anos
Sem saber quem somos, para onde ir e o que fazer
Logo nós....

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 7 de janeiro de 2017

“Poente” (05/01/2016)

Eu sinto falta do entardecer. Suas cores, seus degrades, por vezes o cheiro que antecede a chuva, por vezes a preguiça do calor. Eu perco tanto meu Deus, e não posso nem dizer que é falta de janelas. Vão me escapando aos poucos as sensibilidades da alma presa na rotina, do sorriso preso no sonho, da esperança escondida no silêncio. São dias que me contorno vazio para atravessar.Mas esses prédios de fundo cinza me completam, esses ônibus que se cruzam como formigas no rejunte do azulejo, os raios que em um milésimo unem céu e terra, e essas milhares de janelinhas miúdas, cada qual com uma vida brilhando, como uma caixinha de jóias esquecida na penteadeira do quarto. Eu sinto falta dessa brisa gelada, deste projeto de nada onde o dever foi cumprido e não temos para onde ir. Faz o tempo soar eterno, não é mesmo? Eu tenho é saudade do que era por não saber o que serei. Tudo me perece meio perdido. O Sol que nasce antes, a noite que chega sem chamar e a razão que se vê sempre espremida entre os ponteiros, cansada, sem entender no que vai dar. Eu sinto falta de espaço para esparramar os sentimentos. Enfrentar os medos e as bobagens. Falar sozinho, debruçar no parapeito. Largar-se na sombra da escuridão que ainda não é. Ver tomar a sala, esconder o rosto. Não precisar explicar porque. Desta alegria besta de olhar para vida e esquecer do jantar. Eu sinto falta de um horizonte. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

“Tudo ao seu tempo” (04/01/2017)

Eu queria começar com boas notícias
Mas pouco aconteceu até agora
Posso dizer que o calor continua
Talvez por isso a esperança esteja no congelador
Será que é possível, congelar a dor?

A verdade é que deixei a onda passar
Não nadei contra a corrente
Não tentei atravessar punhos por paredes
Insisti em me vestir de coração
Sonhador, sincero e real

É o que posso ser diante o que se adia
Não sei o tempo que falta
Então vou deixar que ele sobre
Espalhado na frente do ventilador

A vida não é viral
Ela tem calma e tem propósito
De mim precisa apenas de perseverança
Ainda é cedo pra se encontrar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Retrospectiva #1



Ao divulgar o recente prêmio do Museu Paulista da USP , lembrei de outras conquistas anteriores a página que gostaria de compartilhar com vocês que sempre estão por aqui acompanhando, curtindo e incentivando. Aproveitando o fim de ano segue uma pequena retrospectiva que depois comentarei individualmente. No centro "Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI". Da esquerda para direita: Coletânea "Concurso Nacional Novos Poetas, 2011" / Coletânea "Emoção Repentina" / Coletânea "#mdrama" (as três tive uma poesia selecionada) / Coletânea "Crônicas de um Amor crônico" / Coletânea "Retratos da Alma" (ambas como autor convidado) / Coletânea "Versos de um Novo Tempo" (poesia selecionada) / Prêmio 1º Concurso de Crônicas do Museu Paulista. Obrigado sempre pelo incentivo. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 10 de dezembro de 2016

“Descarrego” (08/08/2016)

Estou precisando chorar
Minhas frustrações
Minhas mágoas
Minha incompetência
Minha inferioridade
Minha incapacidade
Meu vício
Minha solidão
Minha falta de vontade
Minha inércia
Meus pesos
Minha profunda, mas sincera, tristeza

A paz é uma mentira
O sorriso um desgastante disfarce

Eu só quero chorar
Encharcar a fronha
Vermelhar os olhos
Soluçar
Assoar o nariz
E não parar
Quero chorar até ter um fim

Não me pergunte razões
Não gaste teus consolos

Quero sofrer em silêncio
Mapear o caminho das lágrimas até o chão
Sentir meu rosto escorrido
Tomar espaço da escuridão
Despir minha alma
Envergonhar o sonho
Socar as paredes
Perder a voz
Em um segundo de liberdade....
Desistir do corpo, esquecer meu nome

Eu prometo voltar
Só me deixe chorar

Ass: Danilo Mendonça Martinho



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

15/11/2016

O tempo não tem janelas nem portas para o passado
Parar e olhar para trás para quê?
Nem saiamos debaixo das cobertas
Costuramos mais uma emenda
Como se todo dia já não fosse
Sem folga sairei quase sem rumo
Na cidade de pedra que revela seus vazios
Solidão a gente acha até debaixo do asfalto

O mormaço da cidade não substitui o aconchego do lar
Nem 100% equilibra essa balança
Fica só na esperança de um dia o tempo levar
Só enquanto ser feliz não paga conta

Minha própria rotina me pegou de surpresa
Até meu descanso é programado
Antes de acordar se conta as horas para dormir
Tem contas que a gente sempre sai perdendo
Feriado se conta vantagem e nenhuma história
Amanhã é dia de levantar na realidade
Mas....de que lado ficou a ilusão?

Ass: Danilo Mendonça Martinho