segunda-feira, 12 de setembro de 2016

“Passa(n)do” (22/06/2016)

Hoje o tempo me alcançou
Veio me passando uma rasteira
Querendo jogar tudo pro alto
Fazendo do suspiro ventania
Não sei se é culpa ou silêncio
A alma precisa que tudo pare
As tarefas que não se apagam
A vontade de ser depois
A procura da felicidade
A cobrança de ser melhor
Pensar leva tempo
Sentir o preenche
O que passa, nem sei se é vida
Tudo me parece indiferente
A lista do supermercado
É meu elo com a realidade
Riscado as bananas
O que exatamente me sobra?

Ass: Danilo Mendonça Martinho



segunda-feira, 29 de agosto de 2016

“O silêncio da noite” (01/08/2016)

Ó céus,
Quando voltará a estar sobre minha cabeça?
Quando essa personificação de Atlas terá fim?
Pelos caminhos que me arrasto há saídas?

A esperança que me enviou não me distraí
O sonho que me acordou sempre se desfaz
A vontade.....desapareceu e não volta mais

Ó céus, como me cansa!
Esses dias que só empilham promessas
Os desprazeres dessa cobrança
Essa angústia que não tem pressa

A verdade que me contam é crua
É meu próprio corpo que é inércia pura
A felicidade está perto, mas está muda

Ass: Danilo Mendonça Martinho



sábado, 20 de agosto de 2016

“Dúvida” (26/07/2016)

Hoje estou as avessas com a esperança
O peso do corpo não compensa o da alma
Ignorei o alarme e o vazio da cama
Olhei bem meu sonho, sem saber o que era verdade
De olhos fechados arquitetei bobagens
Trocar o canal dá impressão de controle
A vida poderia se reduzir em um único ato
Mas tem conta em cima da mesa
A culpa debaixo do travesseiro
O tempo que te arrasta pelos deveres
O mundo segue, mesmo sem vontade
Posso fechar a porta mas o coração continua aqui dentro
Contando mil histórias de um amanhã
Nesse eterno talvez que ou me mata ou me abandona

Ass: Danilo Mendonça Martinho


segunda-feira, 25 de julho de 2016

“Perdão” (20/07/2016)

Pelas tuas costas vi meu sonho
Era tarde para o perdão
Não soube te alcançar
E agora sou eu que fico perdido

A humanidade é um conceito
A verdade é a distância
Nossa caridade tem limite
Nosso amor tem fronteiras

Minha reza não mudará tua vida
Minha penitência só resolve minha culpa
Mas tua partida carregou minha alma
E atrás dela poderei mudar um dia

Obrigado e que protejam teu caminho
Que não te falte a força e coragem
Que me falta todos os dias
Ao encarar a miséria e julgar não ser minha

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 14 de julho de 2016

“Trocado” (29/06/2016)

Moeda no bolso não faz ninguém solidário
Não tem valor que compra coração
Geralmente é na falta do tostão que se divide o pão
A distância é gigantesca do que sobra, do que nada tem
É preciso ímpeto, vontade, oportunidade
Mas acima de tudo é preciso despretensão
Pois o que carregamos no bolso não é para troca
Doar a alma é o único jeito de mover outra vida

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 7 de julho de 2016

“Alívio”(28/06/2016)

A gente se esquece até o tamanho de um nada
Enterra o que sobra no sofá
Chama o amanhã de nunca mais
E faz tudo isso com gosto
O prazer transbordado de culpa
Como me cansa a consciência
A certeza de ser senhor do próprio destino
E se for menos da possibilidade?
Se abandonar as ambições
Posso ficar mais com o que me faz feliz?
No fim a vida não é sobre trocas
Muito menos sobre essas escolhas
É no meio do próprio julgamento de valores
Encontrar o que possa chamar de liberdade

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 4 de julho de 2016

“Anti-Spam”(13/06/2016)

Não sou um robô
O que mais o clicar de um botão define?
Sei diferenciar pizzas e montanhas
Isso me faz mais humano?

Há muito mais que não sou
Mas a internet dá voz sem atenção
Cabe-me responder o desnecessário
Na desconstrução eletrônica do ser

O humano sempre foi wireless
O raciocínio é de enganar sentimentos
A palavra é a ilusão de multidões
O sublime é programar o que poderia ser livre

Ass: Danilo Mendonça Martinho