sábado, 7 de janeiro de 2017

“Poente” (05/01/2016)

Eu sinto falta do entardecer. Suas cores, seus degrades, por vezes o cheiro que antecede a chuva, por vezes a preguiça do calor. Eu perco tanto meu Deus, e não posso nem dizer que é falta de janelas. Vão me escapando aos poucos as sensibilidades da alma presa na rotina, do sorriso preso no sonho, da esperança escondida no silêncio. São dias que me contorno vazio para atravessar.Mas esses prédios de fundo cinza me completam, esses ônibus que se cruzam como formigas no rejunte do azulejo, os raios que em um milésimo unem céu e terra, e essas milhares de janelinhas miúdas, cada qual com uma vida brilhando, como uma caixinha de jóias esquecida na penteadeira do quarto. Eu sinto falta dessa brisa gelada, deste projeto de nada onde o dever foi cumprido e não temos para onde ir. Faz o tempo soar eterno, não é mesmo? Eu tenho é saudade do que era por não saber o que serei. Tudo me perece meio perdido. O Sol que nasce antes, a noite que chega sem chamar e a razão que se vê sempre espremida entre os ponteiros, cansada, sem entender no que vai dar. Eu sinto falta de espaço para esparramar os sentimentos. Enfrentar os medos e as bobagens. Falar sozinho, debruçar no parapeito. Largar-se na sombra da escuridão que ainda não é. Ver tomar a sala, esconder o rosto. Não precisar explicar porque. Desta alegria besta de olhar para vida e esquecer do jantar. Eu sinto falta de um horizonte. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

“Tudo ao seu tempo” (04/01/2017)

Eu queria começar com boas notícias
Mas pouco aconteceu até agora
Posso dizer que o calor continua
Talvez por isso a esperança esteja no congelador
Será que é possível, congelar a dor?

A verdade é que deixei a onda passar
Não nadei contra a corrente
Não tentei atravessar punhos por paredes
Insisti em me vestir de coração
Sonhador, sincero e real

É o que posso ser diante o que se adia
Não sei o tempo que falta
Então vou deixar que ele sobre
Espalhado na frente do ventilador

A vida não é viral
Ela tem calma e tem propósito
De mim precisa apenas de perseverança
Ainda é cedo pra se encontrar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Retrospectiva #1



Ao divulgar o recente prêmio do Museu Paulista da USP , lembrei de outras conquistas anteriores a página que gostaria de compartilhar com vocês que sempre estão por aqui acompanhando, curtindo e incentivando. Aproveitando o fim de ano segue uma pequena retrospectiva que depois comentarei individualmente. No centro "Poeta da Colina - Um Romântico no Século XXI". Da esquerda para direita: Coletânea "Concurso Nacional Novos Poetas, 2011" / Coletânea "Emoção Repentina" / Coletânea "#mdrama" (as três tive uma poesia selecionada) / Coletânea "Crônicas de um Amor crônico" / Coletânea "Retratos da Alma" (ambas como autor convidado) / Coletânea "Versos de um Novo Tempo" (poesia selecionada) / Prêmio 1º Concurso de Crônicas do Museu Paulista. Obrigado sempre pelo incentivo. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 10 de dezembro de 2016

“Descarrego” (08/08/2016)

Estou precisando chorar
Minhas frustrações
Minhas mágoas
Minha incompetência
Minha inferioridade
Minha incapacidade
Meu vício
Minha solidão
Minha falta de vontade
Minha inércia
Meus pesos
Minha profunda, mas sincera, tristeza

A paz é uma mentira
O sorriso um desgastante disfarce

Eu só quero chorar
Encharcar a fronha
Vermelhar os olhos
Soluçar
Assoar o nariz
E não parar
Quero chorar até ter um fim

Não me pergunte razões
Não gaste teus consolos

Quero sofrer em silêncio
Mapear o caminho das lágrimas até o chão
Sentir meu rosto escorrido
Tomar espaço da escuridão
Despir minha alma
Envergonhar o sonho
Socar as paredes
Perder a voz
Em um segundo de liberdade....
Desistir do corpo, esquecer meu nome

Eu prometo voltar
Só me deixe chorar

Ass: Danilo Mendonça Martinho



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

15/11/2016

O tempo não tem janelas nem portas para o passado
Parar e olhar para trás para quê?
Nem saiamos debaixo das cobertas
Costuramos mais uma emenda
Como se todo dia já não fosse
Sem folga sairei quase sem rumo
Na cidade de pedra que revela seus vazios
Solidão a gente acha até debaixo do asfalto

O mormaço da cidade não substitui o aconchego do lar
Nem 100% equilibra essa balança
Fica só na esperança de um dia o tempo levar
Só enquanto ser feliz não paga conta

Minha própria rotina me pegou de surpresa
Até meu descanso é programado
Antes de acordar se conta as horas para dormir
Tem contas que a gente sempre sai perdendo
Feriado se conta vantagem e nenhuma história
Amanhã é dia de levantar na realidade
Mas....de que lado ficou a ilusão?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

14/11/2016

"Acordei debaixo de um véu branco
Sobre a proteção da garoa
Ventos de alguma outra direção
Mudo a vela para evitar contradições
Passa pelo horizonte o mesmo filme
Penso no final do que não teve começo
Acredito neste norte, vivo por este destino
Só receio as mortes nas praias
Por isso remo, desistir é a ilusão de tentar...

...O frio é gentil na medida que permite mais abraços
Mas para aqueles que tem de partir é um lembrete
A vida é andar por curvas onde se perde totalmente do sonho
Por isso na minha língua fé se chama passo
Levam tempo, levam força
Tem realidade de sobra
O homem sem camisa pede no farol
Nos falta a mesma gentileza da natureza
Esgotados adiamos mais uma vez
O solidário, a verdade e até mesmo desistir."

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

“Passa(n)do” (22/06/2016)

Hoje o tempo me alcançou
Veio me passando uma rasteira
Querendo jogar tudo pro alto
Fazendo do suspiro ventania
Não sei se é culpa ou silêncio
A alma precisa que tudo pare
As tarefas que não se apagam
A vontade de ser depois
A procura da felicidade
A cobrança de ser melhor
Pensar leva tempo
Sentir o preenche
O que passa, nem sei se é vida
Tudo me parece indiferente
A lista do supermercado
É meu elo com a realidade
Riscado as bananas
O que exatamente me sobra?

Ass: Danilo Mendonça Martinho