terça-feira, 28 de novembro de 2017

“Força” (27/11/2017)

Sempre soube o que fazer
A teoria é uma falta de prática
O difícil é o propósito
A recompensa depois do truque
A preguiça sempre vence
O prazer do ócio

É preciso demonstrar mais vezes
Chegar onde a palavra não alcança
É preciso independência
Felicidade como recompensa
É preciso perseverar
Vencer é resistência

A força se constrói aos poucos
Na surdina dos pensamentos
Transformando lentamente a rotina
Como fazer a barba diante o espelho
Assim quase como um reflexo
Se convencer que é possível

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 14 de novembro de 2017

“Passageiro” (13/11/2017)

Tempo, para quê me dividir assim?
Nesse pedaço sem sonho
Nessa rotina sem avanço
Repartindo as horas sem sobras
Sempre eu que fico para trás

Tempo, para quê me separar?
Das conquistas e ambições
Me largou no meio sem vida
Longe é perto demais
A solidão desta multidão
Cheia de certezas para minha indecisão

Tempo, você é só castigo?
Louça e conta pra pagar
Trabalho e ônibus lotado
Ou você tá escondendo o depois
Nesse sorriso de olhos fechados

Tempo, passa e fica
Diz que não falta muito
Promete que é para sempre
Me deixa um momento para esquecer
E uma vida para lembrar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

“(H)êxito” (10/11/2017)

É difícil não ser cético
Pois a fé é muda
E no silêncio vem a dúvida
Hemorragia interna do sonho
Paradoxo de acreditar
Ou esquecer para acontecer
Perseverar......

Calada a noite
Ensurdecem as verdades
No ponto final da esperança
Na inércia da vontade
Na crua realidade
Vencido debaixo do lençol
Insistir......

O espelho desconstrói
As palavras envenenam
Mas chorar é puro
A memória não mente
O abraço não falta
Fortalecer.....

No colo ausente
Na cama fria
Há espaço e tempo
Recomeçar é melhorar
Não há motivos para desistir
Antes do coração mandar
Amar.....

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 31 de outubro de 2017

“Crônico” (30/10/2017)

Me embrulha o estômago
Talvez sejam pedras no rim
Ou tumor na garganta

A palavra não sai
A vida está no meio do caminho
Entupindo as veias dentro de mim

Não há cura para indecisão
A escolha é curativo
Quantas gotas até a alma?

Falaram que o amargo é angústia
Todo resto vem da solidão
Passo mal como passa o tempo

A surdez é seletiva
Só ouve crítica
Distorce a visão

Até dói, mas é indiferença
Músculos voluntariamente parados
Inspira esperança, exala espera

Sentimento é sintoma
E o que ninguém quer aceitar
A vida é crônica

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

“Nuvens Escuras” (20/10/2017)

A tempestade é um bom sinal
Dá um novo sentido ao que temos
A nau bem construída
O guarda-chuva na mochila
A imperfeição que admitimos

Agora que o medo levanta ondas
Que as dúvidas inundaram certezas
Temos âncora, temos raiz, temos abraço
Em nós encontramos abrigo
No amor que dá sentido

Assoviarão muitos ventos
Vai balançar até enjoar
O plano pode vir a falhar
Mas terminaremos como cúmplices
Jamais deixaremos de tentar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

“O três e o um” (17/10/2017)

O um que vem depois do zero não se compara com o nove que veio antes. Ao mesmo tempo o passado solidificado nesses números não te preparam para o abismo adiante. São bobagens de um escritor, são aflições humanas, são conceitos sociais, é a idade. A perspectiva da falta de conhecimento, falta de controle, distância do sonho. Meu suspiro é pouco, minha alma é profunda, por isso meu silêncio. As frestas entre esses números ainda precisam ser preenchidas. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 21 de outubro de 2017

“Final de Filme”(16/10/2017)

A vida não é feita de finais felizes. Ela é uma contínua montanha-russa cheia de picos e vales. Sempre tem o depois do agora. E quando não tiver, ambos não farão diferença. Então depois dessa felicidade plena temos alguma dor, e tão importante quanto aproveitar cada segundo destes sorrisos, é lembrar que a tristeza não será eterna. 

Final feliz é coisa de filme. Já vi uma boa cota de filmes românticos. Alguns mais idealizados, alguns mais reais, outros extremamente crus. Em todos podemos identificar algo que passamos, principalmente nas tristezas, nas rejeições, no amargo das palavras. É impressionante como uma ficção pode nos representar tão bem, pode imitar a realidade nos seus detalhes mais íntimos, como se tivesse sido feito sob medida. As mágoas são mais abundantes e fáceis de encontrar reflexo. Só que pensando nisso, pensando em tudo que nos identificamos em um filme e como os escritores sempre trazem a realidade para o plano da imaginação, passo a acreditar que é possível. O fim é mais raro, mas não menos real. Se é possível uma dor de cinema, é possível um amor que vai além dos créditos finais. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho